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O historiador que guardava documentos na caixa de sapatos

Veríssimo Serrão lançou XVI volume da História de Portugal em Santarém

O historiador Veríssimo Serrão, que ao longo da vida foi reunindo documentos na caixa de sapatos, apresentou mais um volume da sua História de Portugal na Feira do Livro de Santarém.

Edição de 30.05.2007 | Cultura e Lazer
O último volume da História de Portugal de Joaquim Veríssimo Serrão foi apresentado em Santarém ao final da tarde de domingo, 27 de Maio, no Largo Padre Chiquito, durante a Feira do Livro que decorre até 3 de Junho na cidade. O XVI volume da obra do historiador, com a chancela da Verbo, abarca uma década da segunda metade do século XX.“O que é o volume XVI? É a História de Portugal desde 50 e até 60. Do tempo do General Craveiro Lopes. Mas só trato da parte política e ultramarina. Para o ano se for vivo publico o XVIII de 1971 a 1978”, disse com humor o historiador aos 82 anos. O próximo livro da colecção, o volume XVII, será lançado em breve e na forja está já o XVIII.A ideia de escrever sobre a História de Portugal era um sonho antigo de Joaquim Veríssimo Serrão que desde há muitos anos ia guardando numa caixa de sapatos documentos que lhe serviram de apoio. Tinha então entre os seus 30 ou 40 anos. “Sempre disse que gostaria de fazer uma História de Portugal. Não como a do Alexandre Herculano que é boa, mas que fica em Afonso III. Uma História de Portugal que abrangesse tudo”, conta. A obra estava inicialmente concebida para os três volumes, mas ao longo dos anos foi ultrapassando largamente o estipulado. “Se ficasse pelo terceiro volume não seria a História de Portugal, mas subsídios para a História de Portugal. Ficaria nos Descobrimentos”, revela. Os cinco anos passados a dirigir a Gulbenkian em França e a passagem pelo Brasil permitiram-lhe coligir mais informação e criar mais fichas. Que juntou ao que já tinha. “Quando apanhava um documento lá ia para a caixa de sapatos. Fui coligindo”, explica.Com o 25 de Abril saiu da Universidade de Lisboa onde foi reitor. “Pagavam-me o ordenado, mas não ia à faculdade. Pensei: ‘agora é que vão ter a história de Portugal’”, diz o historiador que deu assim uso aos documentos reunidos durante anos. Veríssimo Serrão vai trabalhando em Santarém nos volumes de história aos 82 anos. Garante que não é pelo dinheiro, mas pela noção do dever cumprido. “Quando vim para Santarém em vez de perder tempo ganhei-o. Começou na minha vida o fenómeno de ficar bem com a minha consciência. Ia sempre anunciando volumes novos. Se me perguntarem como cheguei ao volume XVII que está quase a sair não sei. Só o milagre de Deus. Tenho tido saúde…”.O director comercial da Verbo, José Luís Fonseca, apresentou a obra do autor como uma referência na História de Portugal. “Há livros que têm alma, que têm conteúdo, que têm muitas histórias por trás, muito valor e marcam uma editora”, afirmou, acrescentando acreditar que um dia a obra será traduzida noutras línguas pela maneira como é escrita e por ter a marca de quem a escreveu.

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