Localização do novo aeroporto divide PSD
O jantar de Fátima serviu para sublinhar as divisões reinantes no interior do PSD distrital acerca da localização do novo aeroporto internacional de Lisboa. A influência que o ex-líder distrital e deputado Miguel Relvas exerce sobre os seus correligionários não é desta vez suficiente para os colocar todos a remar para o mesmo lado. Que é como quem diz, para o seu lado. Relvas tem sido a voz mais crítica na região conta a opção Ota e já defendeu abertamente soluções na margem sul do Tejo como o Poceirão ou o campo de tiro de Alcochete.Numa conferência de imprensa realizada a 23 de Março na sede da distrital do PSD, em Santarém, Miguel Relvas, disse compreender a posição dos autarcas da região que defendem acerrimamente a opção Ota. “Todos os autarcas querem uma auto-estrada ou um hospital à porta de casa…”. Mas ressalvou que a ele, enquanto deputado, compete-lhe olhar para o país como um todo. “Não podemos andar a fazer infraestruturas e depois não lhes dar rentabilidade”.Miguel Relvas, que é também presidente da Assembleia Municipal de Tomar, considera que a solução Ota “está dependente de lóbis”, que “criou-se a ideia da Ota ou nada” e salienta as opiniões técnicas que desaconselham a construção do novo aeroporto nesse local. Alega ainda que a opção pelo Campo de Tiro de Alcochete (localizado na freguesia de Samora Correia, Benavente) evitaria a especulação imobiliária, pois os terrenos são do Estado, e serviria igualmente os interesses do distrito de Santarém.A distrital “laranja” não tem posição oficial sobre o assunto e o seu líder, o deputado Vasco Cunha, ainda não disse aberta e publicamente de que lado está, defendendo mais estudos antes de se decidir. “É evidente que o aeroporto na Ota é muito bem-vindo na perspectiva dos autarcas, mas como deputados temos que ganhar um certo distanciamento desses interesses municipais, que são legítimos”, diz o político que é também eleito da Assembleia Municipal do Cartaxo que defende um amplo consenso nacional em torno do projecto. Menos cépticos são os autarcas eleitos pelo PSD de Santarém e de Ourém, que defendem com unhas e dentes a hipótese Ota. O independente Moita Flores tem sido, desde que foi eleito há ano e meio, uma das vozes mas críticas aos detractores da Ota. O presidente de Ourém, David Catarino, mantém-se na linha da frente na pugna por essa opção. A assembleia concelhia de militantes do PSD de Santarém também não se alheou do tema e ainda recentemente manifestou o seu apoio à solução proposta pelo Governo socialista.
Mais Notícias
A carregar...