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O presidente da junta Salazarista que lavou 120 cadáveres nas Quintas

Edição de 27.06.2007 | Entrevista
Em 1967, Fernando Palha era o presidente da Junta de Freguesia de Castanheira do Ribatejo, quando aconteceu a tragédia das cheias no lugar das Quintas. Com a ajuda da esposa e de uma tia recorda-se de ter lavado a maioria dos cadáveres. “Lavámos e vestimos 120 corpos que três dias depois foram enterrados”, lembra. Estávamos no tempo do Estado Novo, com Salazar a dirigir os destinos do país. Na Castanheira “havia muitos comunistas”, mas o autarca garante que nunca teve problemas e sempre os respeitou. Fernando Palha confessa que detesta a política e assume-se como nacionalista profundo e monárquico com a convicção de quem aprecia o trabalho das casas reais em Espanha ou Inglaterra. No concelho de Vila Franca, elogia a postura da presidente Maria da Luz Rosinha (PS) que é “corajosa, inteligente e trabalhadora”. Apesar de não “jogar no mesmo clube” considera que a autarca tem feito pela preservação das tradições de Vila Fraca. Alto, magro, cabelo branco bem penteado, Fernando Palha, 75 anos, é um homem distinto. Veste-se de forma diferente com calça justa, botim de pele e chapéu. Mas, o que mais o destaca é a sua educação, cordialidade e respeito pelo próximo. Os antigos criados abraçam-no e beijam-no como se fosse da família. Depois de ter estado 55 anos na gestão da Quinta da Foz em Benavente terminou a sua carreira de administrador. O Regente Agrícola não vai parar e continua a ter dias preenchidos onde inclui uma boa parte dedicada à gestão da Misericórdia.Fernando Palha é um homem frontal e sem medo de enfrentar os problemas “mas prefiro convencer que vencer”. Um dia pegou um toiro de caras em Arruda dos Vinhos. Foi o primeiro e o último porque “não gosto de levar porrada”.

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