
Presidente da Câmara Municipal de Coruche acusa autarca de invadir espaço municipal
Secretário da assembleia diz que tem todo o direito de aceder à sede do município
O presidente da Câmara de Coruche, o socialista Dionísio Mendes, acusa o primeiro secretário da assembleia municipal de andar dentro do edifício da câmara em horas impróprias. A declaração, proferida na última sessão da assembleia municipal, gerou uma acesa troca de palavras, com Fernando Serafim (CDU) a revelar que apenas ali passa para, como eleito, recolher e deixar documentos, antes de se deslocar para Santarém, onde trabalha.Segundo Dionísio Mendes, o eleito da CDU foi detectado mais que uma vez dentro do edifício da câmara antes das 08h30, quando o imóvel ainda não está aberto nem chegou o funcionário da portaria. “É legítimo, cumpre a democracia, andar assim à vontade num espaço onde há documentos de responsabilidade?”, questionou o autarca.Fernando Serafim não gostou da alusão e confirmou que costuma ir à câmara mas diz não ter chave. “Estão cá funcionários, não salto a porta. É uma indelicadeza e uma falta de respeito. O senhor pensa que é dono do município”, respondeu a Dionísio Mendes. A O MIRANTE, Fernando Serafim acrescenta que apenas consulta, recolhe e deixa documentos e actas relativos à sua função como primeiro secretário da assembleia quando tem oportunidade, antes de ir para o emprego em Santarém. Troca de acusações por causa do Observatório da CortiçaO assunto foi espoletado por Dionísio Mendes quando já se discutia de forma empolgada a constituição da comissão de inquérito ao processo do Observatório do Sobreiro e da Cortiça. O presidente da câmara não reconhece a comissão, que considera ter sido ilegalmente criada, rebatendo as acusações de PSD e CDU de querer boicotar o acesso aos documentos e ao edifício municipal por parte dos elementos que a constituem. Recorde-se que na reunião privada de câmara, a 28 de Dezembro, com os votos contra da CDU, foi aprovado um pedido de revogação da constituição da comissão. Posição reiterada pela maioria socialista do executivo, de forma escrita e oral, à assembleia na última sessão. Caso contrário, o PS ameaça interpor uma acção judicial para repor a “legalidade”.Os vogais da CDU e PSD contestaram fortemente essa posição. A CDU apresentou mesmo um parecer jurídico que rebate os argumentos da maioria socialista e defende a legalidade da comissão. No documento refuta-se que a comissão não esteja administrativamente constituída e fundamentada, alega-se que a assembleia pode criar grupos ou comissões para avaliar politicamente o trabalho camarário. Além de sublinhar que o elemento inicialmente indicado pelo PSD, estranho à assembleia, já foi substituído pelo vogal social-democrata Francisco Gaspar. O PSD acusa Dionísio Mendes de se achar “dono do poder absoluto” ao não deixar trabalhar os elementos que compõem a comissão. E manifesta que os serviços de apoio à mesa da assembleia e aos grupos municipais devem ficar, “rápida e definitivamente, fora da alçada do presidente da câmara”.Dionísio Mendes contestou as acusações. Referiu que o parecer jurídico apresentado na sessão chegou em 7 de Fevereiro e a câmara só teve conhecimento do seu conteúdo nesse momento. Suscitando mesmo a dúvida de quem irá pagá-lo.

Mais Notícias
A carregar...