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Ribeira da Verdelha continua a ser um esgoto a céu aberto

Ribeira da Verdelha continua a ser um esgoto a céu aberto

Moradores da zona falam em atentado à saúde pública

O cheiro nauseabundo insinua-se com mais vigor junto à Verdelha de Baixo, Alverca. O curso de água foi transformado num esgoto a céu aberto e quem mora ali teme riscos para a saúde.

Edição de 28.08.2008 | Sociedade
A Ribeira da Verdelha, uma linha de água que divide as freguesias de Alverca e do Forte da Casa, no concelho de Vila Franca de Xira, continua a ser um esgoto a céu aberto. Já em 2005 O MIRANTE tinha noticiado a luta dos moradores a favor da limpeza da ribeira, problema que apesar das diversas promessas ainda não foi resolvido. O curso de água é usado por várias unidades fabris de Vialonga para escoar os seus efluentes e o resultado é um cheiro pútrido que está a revoltar quem vive naquele local.Como se o cheiro não fosse suficiente a ribeira acumula também restos de lixo e substâncias empastadas semelhantes a banha de porco, atraíndo insectos e ratos. Para muitos moradores a situação da ribeira é a “pior de sempre”, agravada pela estação do ano.“De Verão tudo se complica, há menos água na ribeira e acabamos por estar a viver junto de um esgoto a céu aberto, cheio de águas paradas. É horrível”, queixa-se um morador a O MIRANTE. Na Verdelha de Baixo as habitações mais afectadas localizam-se na rua das Colunas, onde respirar é um autêntico sufoco. “A ribeira serve de esgoto para fábricas, armazéns e até para várias casas aqui da zona. Como se não bastasse o cheiro, também temos de viver com milhares de insectos e ratos do tamanho de gatos”, lamenta Deolinda Reis.Os incómodos causados pelos maus cheiros atingem também os passageiros que, diariamente, aguardam a chegada do autocarro na estação situada junto ao curso da água.“O único dia em que o cheiro não é tão intenso é ao domingo, dia em que a maioria das fábricas está parada. Por vezes o cheiro é tão insuportável que chego ao trabalho a cheirar a esgoto só de estar aqui 20 minutos à espera do autocarro”, refere Márcia Guerreiro. Muitos moradores temem pela sua saúde e a dos seus familiares, acusando as entidades competentes de inoperância. Muitos não hesitam em dizer que moram num sítio “pior que um bairro social”.A venda e aluguer de casas na zona também já viu melhores dias. Os letreiros a anunciar habitações disponíveis multiplicam-se sem que apareçam clientes. “Fogem quando lhes dá o cheiro”, explicam os moradores.Muitos dizem que a limpeza da ribeira é uma luta com quase uma década e lamentam que o problema se mantenha. Defendem a realização de uma obra de desobstrução do curso de água e a colocação de uma conduta que leve o esgoto para o rio por forma a permitir que a ribeira possa receber apenas as águas provenientes da chuva.Apesar das inúmeras tentativas não conseguimos obter da junta de freguesia de Alverca e do Forte da Casa esclarecimentos adicionais sobre esta matéria. A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira tem conhecimento das queixas dos moradores e garante estar a acompanhar a situação. “Estamos a efectuar novas avaliações no local sendo que, em algumas situações, os maus cheiros verificados podem ter origem em eventuais descargas ilegais efectuadas para a ribeira e pelo funcionamento deficitário da ETAR da Central de Cervejas de Vialonga”, esclarece o município, adiantando que está em construção um novo equipamento daquela natureza, que deverá estar concluído em Abril do próximo ano. A Central de Cervejas diz que não tem registo de quaisquer queixas de moradores ou autarquia, admitindo que “a ETAR sofreu um acidente em Dezembro de 2007” e que, por esse motivo “não está a funcionar em pleno”. A empresa garante que vão ser investidos 4 milhões de euros na renovação da ETAR, que estará concluída em Maio de 2009..
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