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Criação de Comissões municipais taurinas e de uma Comissão Parlamentar

Criação de Comissões municipais taurinas e de uma Comissão Parlamentar

Ideia defendida em Vila Franca de Xira no decorrer do colóquio “Festa de Toiros, que futuro?”

O futuro da Festa dos Toiros e das touradas em particular depende dos aficionados e dos responsáveis políticos. Escolas de toureio consistentes e passagem de responsabilidades para as autarquias foram algumas ideias defendidas.

Edição de 27.11.2008 | Cultura e Lazer
Para a Presidente da Câmara Municipal de Vila Fraca de Xira, faz todo o sentido que sejam os municípios a licenciarem os espectáculos taurinos. Defende que “num momento onde se fala de tantas competências para os municípios” se transfira também aquela. A autarca quer que, nos 35 concelhos com actividade taurina, sejam criadas comissões municipais taurinas para preservar a cultura local e ganhar dinâmica para conseguir aquele objectivo. Maria da Luz Rosinha falava na conferência “Festa de Toiros, Que Futuro?”, realizada no sábado, dia 22 de Novembro, em Vila Franca de Xira e que contou com a presença de Raimundo Garcia e Luca Fernando, vereadores do município de Cheste (Espanha) e de Jesus Ortiz, proprietário da praça de toiros de Olivença (Espanha). O debate foi promovido pela secção de municípios com actividade taurina, constituída no âmbito da Associação Nacional de Municípios Portugueses.Frisando a importância da tauromaquia em Vila Franca de Xira e reconhecendo as dificuldades na defesa das tradições, a autarca disse estar para breve a apresentação ao governo da proposta de criação das comissão municipais taurinas.A presidente da câmara sugeriu ainda a criação de uma Comissões Parlamentar de Actividade Taurina, à semelhança do que já existe em Espanha e França. “Acredito que isto não vai ser fácil, mas não estou convencida que vai ser impossível”, afirmou. Para ajudar defende a necessidade de envolver deputados aficionados. Pretende-se que a Comissão Municipal Taurina de Vila Franca de Xira venha a participar e ajudar na qualidade das largadas e da origem dos toiros, no aumento da segurança, na promoção de colóquios, nos contactos com ganaderos e casas agrícolas da região, na promoção da semana da tauromaquia, na organização do Colete Encarnado e da Feira de Outubro e na ligação às tradicionais tertúlias da cidade.Acordo Festa Brava aprovado por unanimidadeConsiderando que a Festa Brava é um património cultural de França, Espanha, Portugal e América Latina foi aprovado por unanimidade em Vila Franca de Xira o documento que dava conta do acordo, já aprovado no I Encontro de Parlamentares Taurinos, a 14 de Novembro, em Madrid, onde as Associações Taurinas Parlamentares de Espanha, França e Portugal (ainda a ser constituída) assumem a estreita colaboração na promoção, difusão e reconhecimento da festa taurina. Para tal está estipulado no acordo a criação de uma comissão coordenadora composta por representantes das três associações.Escolas de toureio a sério para formar novos valoresA festa dos toiros só pode ser revitalizada através da introdução de novos valores nas praças, recrutados e ensinados por escolas profissionais. Esta é a opinião dos muitos aficionados que, no sábado, estiveram na conferência “Festa de Toiros, que futuro?”, realizada no clube Vilafranquense.“As escolas de tauromaquia portuguesas têm cada vez menos alunos e só poderão funcionar em pleno e produzir melhores resultados quando forem reconhecidas pelo Ministério da Educação e financiadas pela administração local. Quando se fala em escolas tauromáquicas em Portugal, ainda existe falta de regulamentos específicos, federações e associações”, concluíram os participantes.O testemunho do que se passa em Espanha foi trazido por Filipe Murillo, responsável pela escola tauromáquica de Madrid, uma das primeiras da Europa. “As escolas de tauromaquia têm um papel determinante na promoção e valorização da festa brava, é necessário investir na profissionalização e criação de um plano anual de estudos, que inclua ginástica aplicada ao toureiro, conhecimento de várias variedades de lide e, claro, de todos os regulamentos do espectáculo”, sublinhou. Para este profissional, é vital que as escolas se foquem no ensino de seis matérias fundamentais: educação física, regulamentos, conhecimento das sortes (variedade de lances, quites e passos), toureio de salão e com vacas, características do touro e ambiente da festa.“O ensino da tauromaquia em Portugal ainda é feito á moda antiga, com custos para a popularidade do espectáculo. Ainda se aprende muito a tourear com um patrono, um explicador privado, em detrimento da escola. Os únicos privilegiados são os que já nascem toureiros.”, explicou o conhecido crítico tauromáquico, Maurício do Vale. Para ele, as escolas devem ensinar o toureiro a “sentir” e não apenas a “pegar no capote”. Devem ser instituições autónomas, apoiadas por verbas estatais e com programas formativos enriquecidos com conteúdos mais actuais e abrangentes.“Os jovens de actualmente não compreendem a linguagem dos matadores de toiros. Quem estiver numa escola tem de conhecer tudo isto, logo é preciso fazer sentir aos jovens que serão toureiros na escola, na praça e na vida”, defendeu.Num período em que se teme a diminuição da popularidade das touradas, sobretudo devido às acções dos movimentos em defesa dos direitos dos animais, os aficionados acreditam que vai ser possível inverter a situação. “Só temos de ser mais exigentes connosco próprios”, defendeu António Valente.
Criação de Comissões municipais taurinas e de uma Comissão Parlamentar

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