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Estou farto dos “atafulhas”

Edição de 26.11.2008 | O Mirante dos Leitores
Os atafulhas continuam a actuar sem rei nem roque. E agora até estão organizados em empresas. Pagam impostos, desrespeitam a lei e atafulham as caixas do correio até rebentarem com elas. São contratados por super-mercados, hiper-marcados, lojas e lojecas, marcas e empresas de marca. Carregam resmas de papel e agem sem dó nem piedade!Há um ano eu vivia num prédio onde as caixas do correio estavam no interior. Quando estava em casa, principalmente aos fins-de-semana, ouvia tocar em todas as campainhas. Já sabia que era a hora dos atafulhas. Havia sempre alguém que abria a porta de entrada. O atafulha entrava e atafulhava todas as caixas do correio com publicidade. Quando ninguém abria, o atafulha depositava uma molhada de papel nas escadas exteriores. De uma forma ou de outra era uma lixarada tremenda. Papel colorido por todo o lado. De vez em quando eu dava uma de bom samaritano e andava a recolher aquilo tudo para meter no contentor do lixo. No do papel e cartão, que eu sou conscencioso e amigo do ambiente. Eram quilos e quilos de propaganda. Ao menos as Testemunhas de Jeová só deixam uma revista que não ocupa espaço quase nenhum. Agora vivo num prédio que tem as caixas do correio voltadas para o exterior. É pior. Muito pior. Todos os dias tenho lá uma carrada de papel. Publicidade a granel. Se calha estar oito dias de férias tenho a caixa do correio rebentada. Atafulham de tal maneira que ela rebenta. Um dia estive quinze dias fora. Tinha cinco quilos de papel no receptáculo. O máximo que aquilo leva é um quilo. Não sei como eles conseguiram mas que é certo é que conseguiram. Um milagre do atafulhanço. Deviam receber um prémio da Associação mundial da publicidade porta a porta. Houve um governo que inventou uns auto-colantes e até fez uma campanha publicitária. “Publicidade, aqui não!”. Foi para gastar tempo e dinheiro. Os atafulhas não ligam a auto-colantes nem a leis. O cliente quer tudo distribuído e eles querem ganhar o dinheiro. Não há nada que os trave. Não há clemência nem contemplações. Nem portas fechadas, nem leis, nem auto-colantes, nem caixas de correio minúsculas. De vez em quando ouve-se a palavra de ordem gritada a plenos pulmões no átrio dos prédios: “Atafulha!!” E eles, zás! Atafulham. E agora com a chegada do Natal atafulham ainda mais. É por isso que eu vou pedir ao Pai-Natal uma caixa do correio com a capacidade de um camião Tir. É por isso que eu vou entrar a curto prazo no negócio do papel reciclado.Rui Ricardo

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