
Incompatibilidade de Nelson Carvalho permite entrada de Rui Barreiro como candidato às Europeias
PS encontra forma de dar protagonismo ao vereador da Câmara de Santarém afastando-o das outras eleições
Presidente da distrital do PS diz que a escolha de Rui Barreiro para um lugar dificilmente elegível teve a ver com o facto do partido ter necessidade de falar sobre as questões agrícolas.
O vereador do PS na Câmara de Santarém, Rui Barreiro, foi o nome escolhido pela distrital do partido para substituir o presidente da Câmara de Abrantes na lista para o Parlamento Europeu. Nelson Carvalho teve que renunciar ao 15º lugar na lista socialista, já depois de esta ter sido entregue no Tribunal Constitucional, devido ao facto de ser incompatível o desempenho do cargo autárquico com a candidatura. Segundo alguns militantes socialistas, a escolha de Barreiro foi a opção viável num período em que se avizinham mais duas eleições, as autárquicas e as legislativas. E a sua inclusão na lista num lugar dificilmente elegível pode ser entendida como uma forma de lhe dar algum protagonismo e o afastar assim dos outros combates eleitorais. Até porque o PS já tinha feito saber que este ano a mesma pessoa só pode ser candidata uma vez. Rui Barreiro é o único efectivo na lista às Europeias pelo distrito de Santarém depois de em 2005 ter perdido as eleições à presidência da Câmara de Santarém para o PSD e de ao longo do actual mandato autárquico ter feito uma oposição algo apagada. A sua escolha foi uma surpresa para alguns socialistas, atendendo ao facto de nos últimos anos a distrital do PS ter indicado para a composição das listas pessoas de renome numa perspectiva de promoção ou reconhecimento pelo trabalho feito. Como foi o caso do histórico socialista José Niza, o ex-presidente da Câmara do Cartaxo e actual secretário de Estado da Justiça, Conde Rodrigues, ou mesmo a actual secretária de Estado da Reabilitação, Idália Moniz. E era o que se pretendia com Nelson Carvalho. Mas o presidente da Federação Distrital de Santarém do PS, Paulo Fonseca, que desempenha também o cargo de governador civil, questionado sobre estes factos, diz apenas que era precisa uma pessoa com formação na área da agricultura. Porque, explica, “o distrito tem uma forte vocação agrícola e estas questões não têm sido abordadas pelo partido”. Mas a primeira escolha, Nelson Carvalho, não se encaixava minimamente nesse perfil, já que é formado em Filosofia.Nelson Carvalho pediu a renúncia ao lugar na lista socialista ao Parlamento Europeu na sexta-feira, justificando que só nessa altura foi alertado para o facto de legalmente não poder ser em simultâneo presidente de câmara e candidato. Situação que não tinha sido detectada pelo partido. O presidente da Câmara de Abrantes, que não vai recandidatar-se ao cargo nas próximas eleições autárquicas, disse a O MIRANTE “que não fazia sentido estar a suspender o mandato na câmara por um mês e meio”. O autarca considera que o convite para integrar a lista ao Parlamento Europeu foi “interessante e prestigiante”, admitindo que ainda não foi convidado para qualquer outro desafio político. “As propostas surgem quando é oportuno. A possibilidade de avançar para outros projectos poderão surgir a seu tempo”, sublinhou.

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