Maioria socialista na Câmara do Cartaxo aprova contas de 2008
PSD e CDU votaram contra desconfiados do inflacionamento de receitas
O pagamento das dívidas e a perspectiva de novos investimentos são slogans da maioria PS na Câmara do Cartaxo mas não convencem a oposição que durante a discussão e votação do relatório de gestão referente a 2008 votou contra os documentos. Bastaram os socialistas para se aprovar as contas por maioria. O presidente do município considera que o relatório de gestão e demonstrações financeiras é o resultado da consolidação financeira e da ambição de realizar novos investimentos com apoios comunitários. Paulo Caldas (PS) considera ganha a aposta da consolidação financeira, iniciada em finais de 2005, que “permitiu pagar quase praticamente toda a dívida da autarquia a fornecedores e empreiteiros”. Restam cerca de quatro milhões de euros referentes a compromissos do segundo semestre de 2008 que serão pagos até final de Junho, garante o autarca.A performance não convence a oposição camarária. Manuel Jarego (PSD) lembrou que mais de 2,5 milhões de euros de dívidas anteriores a 2008 foram integrados nas verbas pagas. E criticou a presença de mais de seis milhões de euros como resultados extraordinários quando se referem a recebimentos previstos até 2010. “Se não estivessem registados, os resultados seriam negativos. O mesmo acontece com 40,6 milhões de euros da concessão das águas quando ainda nem sequer nos foi presente o acordo final”, contestou Manuel Jarego.Mário Júlio Reis (CDU) foi pelo mesmo caminho das críticas acusando a maioria PS de tentar levantar o ânimo dos eleitores menos atentos com a inscrição daquela verba nos resultados, “malabarismo para aumentar virtualmente o activo líquido municipal”. O vereador constata que a câmara apresenta uma execução orçamental na casa dos 39 por cento, se for retirado o empréstimo de quase 14 milhões de euros contraído, e despesas concretizadas em 65 por cento, bem abaixo do orçamentado. “De rigor não se vê grande coisa, ambição vemos muita”, conclui, para justificar o seu voto contra.O líder do município recordou os empréstimos contraídos em prazo inferior a dez anos para sublinhar que o futuro da câmara não está comprometido e que com fundos comunitários será possível garantir a boa gestão e consolidar investimentos nos próximos anos. Paulo Caldas deixou ainda críticas à CDU por, simultaneamente, defender a redução da despesa e querer aumentar montantes numa série de rubricas. “Como iríamos gerir esta casa?”, deixou no ar a questão.
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