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Camiões proibidos de circular no centro de Aveiras de Cima passam junto a escolas

Camiões proibidos de circular no centro de Aveiras de Cima passam junto a escolas

Percursos alternativos por estradas sinuosas não estão assinalados

A passagem de veículos pesados no centro de Aveiras de Cima, concelho da Azambuja, é proibida. Os camionistas ou escolhem a auto-estrada, o que sai mais caro, ou seguem por estradas sinuosas que desgastam os veículos.

Edição de 30.04.2009 | Sociedade
Arranjar percursos alternativos para atravessar a vila de Aveiras de Cima de camião não é tarefa fácil. Os pesados estão proibidos de circular dentro da vila e, por esse motivo, muitos profissionais do volante têm de improvisar, levando os camiões por pequenas aldeias em estradas sinuosas, íngremes, em mau estado e onde, em diversos locais, não cabem dois camiões. Para além disso, o volume de circulação de pesados é elevado e, só para evitar o centro de Aveiras - que foi sujeito a obras de requalificação - são obrigados a passar em frente a um jardim de infância, lar de idosos e junto à escola básica do 2º e 3º ciclo.“É um trânsito louco a todas as horas, fazem imenso barulho, perturbam as aulas e nas horas de saída o problema agrava-se, porque os pais vêm buscar os filhos e fica tudo uma confusão”, desabafou a O MIRANTE uma funcionária do estabelecimento de ensino, dando graças por nunca ter ocorrido um acidente. Pedro Mata, motorista, conta que junto ao jardim de infância de Aveiras o cenário é ainda pior. “As crianças pequenas saem do jardim e é um perigo. Ao final do dia quando os pais os vêm buscar isto fica intransitável”, conta-nos, enquanto manobra o camião de 18,3 metros de comprimento pelas estreitas ruas de alcatrão remendado. O trânsito de pesados em Aveiras de Cima está cortado há cinco anos. O primeiro corte foi realizado aquando da instalação da rede de águas e saneamento. Com receio de eventuais acidentes na via, que é estreita, a Câmara da Azambuja solicitou à Estradas de Portugal a proibição de circulação a pesados que transportem combustíveis da vizinha CLC. Contudo, pouco tempo depois, a proibição estendeu-se a todos os pesados, numa decisão que agradou aos moradores da vila. O resultado é agora um excesso de camiões em várias aldeias do lado norte e sul de Aveiras, nomeadamente Casais dos Penedos, da Mata, dos Britos, Vale do Brejo e Casais das Amarelas. O ruído invade as habitações que ficam na berma da estrada, a tonelagem dos camiões destrói o asfalto e torna-o irregular. Para além disso, os camionistas temem que muitas das pontes localizadas sobre os ribeiros possam não aguentar o frequente excesso de peso. “Pior ainda é o facto de os desvios não estarem assinalados. O resultado é receber telefonemas de colegas que fazem transportes ocasionais e que acabam perdidos em aldeias do concelho”, acusa Rui Pedro, camionista. “Em Março um colega ficou entalado no largo da igreja de uma aldeia junto ao Vale do Brejo, foi um problema tirá-lo” informa. Os moradores das várias aldeias apontam o dedo a passeios destruídos e rotundas esmagadas. Levar um camião pela A1 entre o nó de Aveiras e o Carregado pode custar perto de 2 euros. Se a viagem for até Lisboa, então o custo ronda os seis euros. “Numa época como esta em que o gasóleo está caríssimo, é muito complicado gastar em portagens, a firma tem de fazer contas e muita ginástica financeira para conseguir cumprir as obrigações de impostos e ordenados. A empresa não nos dá dinheiro para ir pela auto-estrada por isso vamos pelos desvios”, refere Gonçalo Pinta, camionista. As subidas e descidas íngremes são outro dos problemas relatados pelos camionistas, tal como O MIRANTE constatou a bordo de um dos camiões. “A descer com o carro carregado não podemos ir à berma, senão tombamos porque as ribeiras são altas. Os desvios sugeridos pela câmara são muito apertados, não cabemos todos e já tem havido acidentes”, refere Pedro Mata. O vice-presidente da Câmara Municipal da Azambuja, Luís de Sousa, garante que a proibição de pesados no centro de Aveiras de Cima é para continuar, acrescentando que o movimento de camiões junto aos estabelecimentos de ensino não é significativo. “Até porque as alternativas foram estudadas pela autarquia”, assegura. Outro camionista, Augusto Mata, não descarta a possibilidade de os camionistas se reunirem para uma jornada de protesto. “Temos de mostrar às pessoas que esta proibição e a ausência de alternativas viáveis dificulta, em muito, a vida de quem aqui tem de passar todos os dias”, lamenta.Previsto no plano de acção do concelho da Azambuja, a concretizar até 2017, está a variante urbana de Aveiras de Cima, que promete ligar o norte ao sul da vila, entre o nó da autoestrada e o cruzamento para os Casais das Comeiras. Esse troço pretende desviar o trânsito do interior da vila e será aberto ao tráfego pesado.Empresários dos Casais das Comeiras sem alternativasNos Casais das Comeiras existem perto de 20 empresas que lidam diariamente com pesados. Têm a via rápida Aveiras – Cartaxo a poucos minutos, mas não a podem usar. “Em vez de fazerem uma rotunda ou um pequeno acesso aqui nas Comeiras, a Estradas de Portugal lembrou-se de fazer duas pontes, obrigando-nos a atravessar várias aldeias para chegar a um cruzamento. Temos de andar em estradas que já estão todas destruídas por causa da tonelagem dos carros”, lamenta Augusto Mata, empresário. O profissional do volante afirma que um percurso que poderia ser feito em 10 minutos acaba por demorar mais de meia hora. Já escreveu à Estradas de Portugal, às juntas de freguesia e à Câmara Municipal da Azambuja. “Ninguém me respondeu, excepto a EP”, lamenta. E a resposta não foi, de todo, o que os camionistas da freguesia queriam ouvir. “Não é viável a construção de um acesso à variante EN365-2 para Casais das Comeiras”, respondeu a empresa em carta enviada ao empresário, argumentando que “não existem vias secundárias que pelo volume de tráfego justifiquem um novo nó”. Vale da Pinta tem um cruzamento semelhante à solução que os camionistas das Comeiras solicitam. “Só que não se compreende porque a Estradas de Portugal foi fazer um acesso destes para o Vale da Pinta, que nem tem empresas que lidam com camiões, e nós ficámos sem nenhum”, lamentam. Também aqui é frequente que, com a ausência de indicações sobre os desvios a tomar para evitar Aveiras de Cima, muitos condutores de pesados se percam nas estreitas e íngremes estradas do concelho. Camionistas preferem arriscar multaAinda continuam a ser muitos os camionistas que não respeitam o sinal de proibição de circulação de veículos pesados em Aveiras de Cima, concelho de Azambuja. “Todos os dias passam por aqui mais de uma dezena”, diz convicto Marcelo Pereira, reformado. A situação de incumprimento foi testemunhada pelo nosso jornal. Muitos camionistas, por desconhecimento de alternativas ou por mera pressa, preferem arriscar a multa. “Não se percebe porquê e esse é um problema que temos seguido com muita atenção juntamente com a GNR. Os camionistas preferem pagar 25 euros de multa a ir pela auto-estrada”, refere Luís de Sousa, vice-presidente da câmara da Azambuja. O MIRANTE sabe que a GNR realiza com frequência operações de controlo nas entradas e saídas de Aveiras, mas ainda assim há quem consiga furar a fiscalização. “Sei de empresas de camionagem que passam por lá, são multados e depois os advogados da firma fazem tudo para que as multas prescrevam e acabam por não as pagar”, confessa um profissional do volante ao nosso jornal.
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