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Um exército ao serviço dos cidadãos

Edição de 18.06.2009 | Opinião
“Para fazer um soldado é preciso desfazer um civil”.“O plural de marechal é marechais. O plural de general é degenerados” Boris VianNão gosto de fardas nem de bandeiras. Não gosto nem me comovem os sentimentos nacionalistas e bairristas que costumam mobilizar multidões.A haver um exército em Portugal deveria servir para proteger o meio ambiente; para evitar o tráfico de droga; para proteger os cidadãos indefesos que são roubados e espoliados diariamente por grupos de assaltantes organizados.Nos tempos da bomba atómica e das armas químicas é um disparate manter um exército de homens fechados em quartéis alimentando uma estrutura militar que custa ao País muitos serviços nacionais de saúde e de educação.A organização de paradas militares com pompa e circunstância faz-me sempre lembrar os mortos na guerra. Não há nada que justifique uma guerra; nada deveria justificar a mobilização de homens e de mulheres para vestirem a farda de soldados em tempos de paz.Não gosto de fardas nem compreendo a existência de um exército organizado se não for para nos defender do crime organizado; dos bandidos que se dedicam ao tráfico de mulheres e de crianças e a todos os tipos de assaltos que tornaram a nossa vida num inferno.A parada militar do 10 de Junho em Santarém não foi um sinal de vitalidade da nossa democracia nem dos nossos valores patrióticos. Foi mais uma amostra do que nos acostumamos a ver noutros tempos, quando os portugueses morriam em África combatendo numa guerra que ainda hoje nos magoa e divide.Como a guerra já não é o que era dantes, depois de Hiroxima e Nagasaki, e depois de África, um corpo de tropas em Portugal deveria ser um contingente de homens ao serviço da Cruz Vermelha, da Unicef, da Amnistia Internacional e, acima de tudo, ao serviço dos cidadãos portugueses na sua luta diária contra a insegurança nas ruas e nos estabelecimentos comerciais, a degradação do meio ambiente, os atentados à floresta e às áreas protegidas, na luta contra a máfia do crime económico e de sangue cada vez mais organizado. JAE

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