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Cristóvão Sousa

Cristóvão Sousa

41 anos, empresário, Torres Novas

Nasceu em França em Dezembro de 1967, país onde viveu até aos 28 anos. O seu primeiro emprego a sério foi num McDonalds. Tinha 18 anos e começou a trabalhar em part-time para poder pagar os estudos. Em 2001 veio abrir o McDonalds de Torres Novas, liderando actualmente uma equipa de 52 funcionários. É casado, tem três filhos pequenos e já se sente mais português do que francês. Adora os desportos motorizados, paixão que partilha com o filho mais velho.

Edição de 18.06.2009 | Três Dimensões
Tinha 18 anos quando comecei a trabalhar no McDonalds. Comecei como funcionário de cozinha, depois passei a responsável de turno e gerente de loja. Mais tarde fui nomeado supervisor de dois restaurantes, e de um franchisado. Nesta altura ainda estava em França. Depois recebi o convite para desenvolver o mercado operacional em Portugal. Aceitei e fiquei como consultor de operações. Ajudava os outros franschisados a abrir os seus restaurantes. Quando cheguei, em 1995, só existiam 13 restaurantes no país. Ou fazia carreira na McDonalds ou continuava os estudos. A certa altura tive que tomar uma opção radical. Optei pela primeira. Não foi fácil para os meus pais entenderem que o filho ia deixar os estudos para trabalhar num “restaurante de hamburgueres”. Mas hoje, passados 24 anos, sei que foi uma boa aposta. O que tenho foi o resultado de muito trabalho, sacrifício e dedicação.Era só para ficar dois anos em Portugal mas conheci a minha esposa. Isso foi determinante para o rumo da minha vida. Não tenho qualquer ligação a Torres Novas. O meu pai é de Fátima. O departamento de desenvolvimento da marca (em Oeiras) fez um estudo de mercado, considerou que esta era uma boa zona para investir e fez-me a proposta para abrir aqui um restaurante. Este sítio agradou-me. Em Outubro de 2001 abri o McDonalds em Torres Novas. Fiquei a viver em Fátima durante alguns anos mas em 2004 mudei-me para esta zona. Quando tinha 15 anos trabalhei numa fábrica de santas em Fátima. Também vendi batatas e legumes num mercado em França. Levantava-me às duas da manhã, aos sábados e domingos. Quando assumi este negócio, havia um grande envolvimento da minha parte. Agora já começo a conseguir desligar aos fins-de-semana, feriados ou à noite. Tenho uma equipa em quem confio muito. Sou muito exigente com os meus colaboradores.Temos as nossas cozinhas abertas 364 dias por ano. Só fechamos no Natal. Temos muito cuidado com a segurança alimentar e com a limpeza. Se não tivéssemos cuidado com isso hoje em dia a marca McDonalds não era o que é. Tenho 52 funcionários, onze dos quais na gerência. É fácil trabalhar com jovens. São mais autónomos e aprendem muito rapidamente. O nosso horário é muito amplo. Como no McDonalds todos os dias. Mas todos os dias como algo diferente. É importante variar a ementa. O meu dia-a-dia passa, por exemplo, por verificar com o gerente se está tudo bem com a higiene alimentar, com a limpeza ou manutenção. Mas também ajudo na cozinha ou na caixa, se for preciso. Acho que é importante o patrão dar o exemplo aos funcionários. De vez em quando apanho um pano e vou limpar as mesas. Penso que o sucesso do meu restaurante passa por estar sempre atento. Considero que quem faz funcionar o restaurante são os clientes pelo que, quando vejo um bocadinho de mais movimento, largo logo a minha caneta ou o computador para ajudar. É importante que o cliente saia daqui sempre satisfeito. As pessoas têm cada vez menos tempo para almoçar e sabem que aqui servimos a qualquer hora e de uma forma rápida. Gosto muito deste país. Neste momento sinto-me mais português do que francês. Nunca mais quero voltar para França. Temos muita qualidade de vida. Temos um clima espectacular, as praias perto e podemos sair à noite para beber um café em segurança. No início estranhei a falta de pontualidade dos portugueses mas agora já estou habituado.Quando não estou a trabalhar, estou com os meus filhos. Tenho três, todos com idades pequenas. O meu filho mais velho, de nove anos, está a participar num campeonato nacional de “karting” e passo alguns fins-de-semana com ele a acompanhá-lo nessa parte desportiva. Eles pedem para vir cá mas não tantas vezes como as pessoas podem pensar. Por norma, levanto-me cedo todos os dias, mesmo quando me deito tarde. Não tenho necessidade de dormir muitas horas. O meu grande hobbie são os desportos motorizados. Pratiquei durante um ano e meio a modalidade de todo-o-terreno e agora transmiti o bichinho ao meu filho. Em 2004, participei no Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno e na Baja de Portalegre. É um desporto que me ajuda a descontrair do stress do trabalho. Também costumo tirar sempre uma semana de férias no Inverno para ir para a neve. Este ano também levei os meus gerentes para a Serra Nevada. Uma maneira de os motivar porque sei que trabalhar na restauração não é fácil. Elsa Ribeiro Gonçalves
Cristóvão Sousa

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