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Ateneu Artístico Vilafranquense sem voluntários para assumir direcção

Ateneu Artístico Vilafranquense sem voluntários para assumir direcção

Instituição com 118 anos tem dívida que ascende a 375 mil euros

O Ateneu Artístico Vilafranquense está desde Fevereiro a ser gerido por uma comissão administrativa. A colectividade tem 375 mil euros de dívida e ninguém interessado em dar continuidade a 118 anos de história. Jorge Afonso da Silva

Edição de 09.07.2009 | Sociedade
O Ateneu Artístico Vilafranquense (AAV) tem uma dívida de 375 mil euros e está a ser gerido desde Fevereiro por uma comissão administrativa por falta de voluntários para assumir o cargo. Na terça-feira, 7 de Julho, foi criada uma segunda comissão administrativa (figura jurídica para suprir vazios directivos) de onze elementos que vai gerir a centenária instituição de Vila Franca de Xira até Outubro, altura em que haverá um novo acto eleitoral.O presidente da última direcção decidiu não apresentar a sua recandidatura. Em Fevereiro do ano passado foram realizadas eleições, mas não foi apresentada qualquer lista. Passado esse período já houve novo acto eleitoral e mais uma vez não surgiu nenhuma lista para os corpos gerentes. João Barroca esteve à frente dos destinos da colectividade entre 2005 e 2008. Foi o presidente da última direcção eleita e actualmente faz parte da comissão administrativa. A falta de disponibilidade esteve na origem da decisão de não se recandidatar. “É altura para que as pessoas mais disponíveis e mais jovens tomem conta daquela grande instituição, criando uma nova direcção com outros projectos e novas ideias para o associativismo”, diz o responsável a O MIRANTE.O ex-presidente acredita que em Outubro aparecerá uma lista para o AAV. “Espero que para bem daquela instituição, que tem 118 anos e que alimenta paixões, que haja até mais que uma lista. É a altura de avançarem as pessoas que frequentam as assembleias, que acompanham os destinos da colectividade e que têm ideias”, desafia João Barroca.A dívida do Ateneu Artístico Vilafranquense é outro problema a resolver. “Devemos 250 mil euros ao BES e 100 mil euros ao construtor do auditório. Temos uma dívida de equipamentos de 10 mil euros e aos arquitectos devemos 15 mil euros”, revela o responsável. São 375 mil euros mais despesas correntes com um espaço que tem capacidade para mais de 500 pessoas.A dívida ao BES foi renegociada em Março último como forma de aliviar a situação financeira tendo por base um terreno situado entre a actual junta de freguesia e o ateneu. Nos próximos três anos os responsáveis do AAV não irão pagar ao banco. Durante este período a colectividade tem de conseguir os 250 mil euros acrescidos de juros para pagar ao BES. Se isso não acontecer o terreno entre a junta e o ateneu passa para as mãos da instituição bancária, ficando dessa forma a dívida saldada. Mas João Barroca acredita que é possível angariar o dinheiro. “Temos que estar muito atentos e unidos para arranjar uma estratégia. Conseguir 250 mil euros não vai ser fácil. Há que pensar em formas de negociação para reaver o património”, refere o ex presidente. David Silva foi quem deu a cara pela anterior comissão administrativa. Diz que nenhuma actividade está em risco mas deixa um aviso. “Uma comissão administrativa não pode gerir uma colectividade com mais de cem anos de história da mesma forma que os corpos dirigentes, que têm outras dinâmicas, outros poderes, e uma maior autoridade e legitimidade” salienta o responsável.David Silva “reza” para que em Outubro surja finalmente uma lista credível que tome conta do ateneu mas considera que as pessoas de Vila Franca de Xira acabam por estar divorciadas da gestão do associativismo. “Tendo em conta que o Ateneu é uma casa com um papel preponderante a nível cultural e associativo na cidade, é de lamentar tudo isto, mas não se pode obrigar ninguém a entrar no associativismo que é uma luta complicada. Temos de repensar o associativismo em Portugal”, reconhece David Silva.Vazio directivo preocupa autarcasO presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira tem mantido um relacionamento próximo com a comissão administrativa, mas recusa imiscuir-se em assuntos de uma organização autónoma. “Em nome da memória do Ateneu Artístico Vilafranquense (AAV), que muito tem dignificado e honrado a cidade, espero que os associados se entendam e que surja rapidamente uma lista e uma direcção capaz de conduzir os trabalhos”, refere António Fidalgo.O autarca lembra que existem 20 mil residentes em Vila Franca de Xira e apenas 1800 são sócios do AAV e de outras associações. “São cerca de 1800 a pagar para 20 mil utilizarem as instalações e isso não parece nada adequado”, alerta o autarca. “Tem de haver a contribuição de todos. Se assim não for é muito difícil para essas organizações continuarem a funcionar”, assegura José Fidalgo. O edil admite a profissionalização ou outras formas de gestão. “Mas isso tem de ser discutido entre os associados e todos têm de participar”, referiu a O MIRANTE. A presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, acompanha com preocupação a situação vivida actualmente pelo Ateneu Artístico Vilafranquense, instituição centenária de grande importância para o concelho e para a região nas áreas do associativismo cultural e recreativo.Uma colectividade que faz parte da história da cidadeO Ateneu Artístico Vilafranquense (AAV) tem a sua origem na “Fanfarra 1.º de Maio” cuja fundação data de 1 de Maio de 1891. Ao longo de 118 anos foi granjeando o respeito e o espaço no associativismo cultural e recreativo, tornando-se uma imagem de marca e de referência para Vila Franca de Xira e para os vilafranquenses. Prova disso são as várias distinções que foi conquistando atribuídas por entidades nacionais e locais. Em 1993 o AAV é reconhecido como Instituição de Utilidade Pública e em 1999 o Governo português distingue a colectividade com a medalha de mérito cultural. A obra de construção do actual equipamento teve início em 1978, tendo o processo conhecido ao longo de duas décadas avanços e recuos motivados sobretudo por dificuldades de ordem financeira. Em Fevereiro de 2001 a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e o Ateneu Artístico Vilafranquense acordaram avançar para a conclusão definitiva da obra, tendo-se verificado a necessidade de adaptar o projecto então existente às novas normas regulamentares. Em Abril de 2003 a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, o Ateneu Artístico Vilafranquense e a empresa Alberto Martins de Mesquita & Filhos, SA, celebraram um contrato, que possibilitou o reinício dos trabalhos e consequente conclusão da empreitada “Ateneu Artístico Vilafranquense – Grande Auditório”, num investimento total de 2 milhões e quinhentos e vinte e três mil euros, dos quais, um milhão e novecentos e quarenta e quatro mil euros, financiados pela autarquia de Vila Franca de Xira. O espaço cultural foi inaugurado a 29 de Maio de 2004. A colectividade envolve hoje em dia cerca de 400 praticantes, em actividades tão variadas como Banda de Música, Escola de Música, Coros, Escola de Ballet, Danças de Salão, Taekwondo e Teatro.
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