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O inventor que foi chamado ao ministro

O inventor que foi chamado ao ministro

Júlio Salgado da Costa cria soluções para o quotidiano

Apaixonado pela mecânica desde os 17 anos o vilafranquense Salgado da Costa foi ganhando experiência até se tornar num inventor respeitado na Europa. Ricardo Leal Lemos

Edição de 09.07.2009 | Sociedade
Os dedos de duas mãos não chegam para contar as medalhas que Júlio Salgado da Costa guarda em casa, alusivas aos prémios internacionais que obteve como inventor. O vilafranquense de 76 anos, nascido em A-dos-Bispos, recebeu 13 medalhas de ouro e prata nas exposições “Bruxelles Eureka”, na Bélgica e Salon Internationale des Inventions, em Genebra, Suíça, entre 1984 e 2000, tendo sido galardoado, no final de Maio com o troféu Campino d’Ouro, atribuído pela Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira. Das recordações mais positivas e negativas da sua carreira de inventor, Júlio Salgado da Costa selecciona a sua chamada ao Ministério do Ambiente e Recursos Naturais, em 1991, pelo então ministro Fernando Real (1923-2006). A razão era o possível aproveitamento de um mecanismo que concebera para remover petróleo no caso de derrames marítimos. “Da primeira vez éramos mais de 15 pessoas e foi marcada uma reunião de trabalho para dali a três semanas. Quando chegou o dia, o responsável do ministério que tinha sido nomeado para me apoiar pergunta-me à pressa. ‘Como é que isso funciona?’. E respondi. ‘Agora é que me pergunta?’. O assunto ficou parado e pouco tempo depois era a Espanha que o país ia procurar a sua maquinaria para remover nafta, ao abrigo de um acordo internacional. “As pessoas querem tudo feito. Não estão dispostas a investir para desenvolver as coisas”, lamenta. São várias as cartas de vários países do mundo solicitando-lhe o fabrico de alguns dos seus inventos premiados, que tiveram como resposta a impossibilidade de o inventor as executar com os seus recursos financeiros. Antigo mecânico de aviões de profissão, inventor por vocação, Júlio Salgado da Costa conserva em casa os planos e cartazes que explicam como funcionam muitos dos seus inventos. O veterano ainda utiliza a sua oficina, em casa, onde nasceram a maior parte dos mecanismos que concebeu, para criar soluções que facilitem o quotidiano.O inventor, que estudou até o terceiro ano, ganhou “tarimba” em oficinas de automóveis, na empresa Tudor, de fabrico de baterias e depois, ao longo de três décadas, na TAP. “É o chamado caminho do Zé da Gatinha”, brinca, contando como criava ratoeiras numa loja de produto agrícolas onde chegou a trabalhar, e mais tarde “piscas” para automóveis quando estes começaram a ser instalados nas viaturas. Chegado à transportadora aérea como mecânico, no final da década de 60, não se conteve muito tempo sem dar largas à criatividade. Entre as marcas que deixa na empresa, fica a utilização de um spray usado para detectar fissuras como forma de descobrir fugas de óleo nas caixas dos motores de arranque de aviões. Em paralelo as invenções nasciam ao final do dia e aos fins-de-semana, quando Júlio Salgado da Costa chegava a casa. De todas, conserva apenas a patente da utilização do poliuretano, substância isolante, como solução para envolver e proteger objectos contra incêndios. “Podia ser útil para proteger objectos difíceis de deslocar, desde tractores, automóveis e até casas”, explica. Entre os inventos que mais sucesso fizeram junto do grande público o inventor recorda o dedo magnético, que combinando uma luva e um íman permite recuperar objectos metálicos em locais de difícil acesso. A área da saúde também é cara ao inventor. A maca separável, que permite apoiar pessoas caídas no chão sem que estes tenham de ser deslocados, é outra das criações de Salgado da Costa. “As coisas saem naturalmente. Olho para um problema e tento encontrar uma maneira de tornar a nossa vida mais simples”, relata.
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