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“Pintar significa paz e tranquilidade de espírito”

“Pintar significa paz e tranquilidade de espírito”

Felismina Nunes chegou a Alverca há seis anos

Com o nome artístico de Mina Nunes, Felismina Antunes dedicou décadas ao ensino do primeiro ciclo. Em Alverca, onde chegou há seis anos, arranjou o tempo e o local para poder dar asas à sua paixão adormecida: pintar.

Edição de 22.07.2009 | Cultura e Lazer
Para Mina Nunes – nome artístico com que assina os seus quadros – pintar, significa a paz e a tranquilidade de espírito. Nascida e criada na Caranguejeira, uma localidade próxima de Leiria, há seis anos mudou-se para Alverca do Ribatejo por razões familiares e depois de se ter aposentado da docência, ficando com mais tempo para se dedicar à sua paixão.É da varanda da sua casa, com vista para o futuro complexo desportivo do Futebol Clube de Alverca, que a artista tem instalado o seu pequeno atelier de pintura e onde passa horas a exteriorizar a sua veia artística.Professora do primeiro ciclo durante várias décadas, só quando chegou à cidade ribatejana é que conseguiu conciliar todos os factores e começou a pôr em prática a sua paixão adormecida. “Foi o tempo que despertou em mim o gosto pela arte de pintar. Na escola extravasava nas pinturas que fazia com os miúdos. Mas em casa nunca fiz nada”, conta Felismina Antunes de 59 anos.Sempre teve o sonho de frequentar um local onde pudesse aprender as várias técnicas para poder dar asas à imaginação. Quando chegou a Alverca começou a procurar e inscreveu-se na escola da Sociedade Filarmónica de Recreio Alverquense (SFRA), tendo como professor, o mestre Júlio Carmo Santos.“Comecei do zero. A desenhar com lápis de cor e a carvão”. Depois foi pintando a pastel, aguarela e óleo. “Gosto muito das aulas de pintura”, confessa a artista. Felismina Antunes adora pintar. Dá-lhe prazer e um gozo imenso pegar no pincel e transpor para a tela o que lhe vai na alma. “Tenho que ter um modelo ou uma foto mas não gosto que fique igual. De ver uma pintura muito certinha. Prefiro juntar as cores e ver o trabalho a ficar diferente. Gosto muito da pintura “tosca”, afirma enquanto aponta para um dos muitos quadros que tem colocado numa das paredes da sua casa.As flores e as paisagens são os temas que mais cativam a artista. Para já, diz, ainda não consegue transpor para a tela rostos humanos. Confessa que terá muitas dificuldades, mas espera conseguir durante o próximo ano lectivo, altura em que vai começar a praticar a sua pintura nas aulas do mestre Júlio Carmo Santos. A disposição mental é fundamental para que Felismina Antunes possa desenvolver o seu trabalho “Podia refugiar-me na pintura para ficar bem mas se estiver mal psicologicamente não me apetece pintar. Só consigo pintar quando estou bem”, revela a ex. professora.Felismina Nunes já fez uma exposição na Casa da Juventude de Alverca e uma outra na Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense. Muitos dos quadros que pinta são para oferecer e não sabe precisar quantos é que já pintou.A artista tem o desejo de continuar a evoluir como pintora. Espera um dia chegar ao momento em que seja ela própria a criar e não a reproduzir. Mina Nunes despertou para a pintura com 59 anos, provando que os sonhos podem ficar adormecidos, mas nunca esquecidos.Ensinou português em França e EspanhaFelismina Nunes foi professora de português. Teve a oportunidade e ensinar a língua de Fernando Pessoa em França e na vizinha Espanha a alunos estrangeiros, que frequentavam o primeiro ciclo. “Entre os alunos de cá e de lá e tendo em conta as idades,« não há grandes diferenças”, revela a ex-docente. O que muda é a realidade dos números. Enquanto que na sua escola em Portugal leccionava para poucas dezenas de alunos, quando chegou a França as coisas eram bem diferentes. “Fui para uma escola com mais de duzentos alunos e cerca de trinta nacionalidades. Desde árabes, marroquinos, americanos e portugueses. E tive de ensinar português a todos eles”, relata Felismina Nunes que esteve em Paris durante três anos.Em Espanha trabalhou perto da fronteira e tinha a facilidade de regressar ao nosso país para passar o fim-de-semana com os seus filhos.Apaixonada pela musicaMesmo antes da pintura, Felismina Antunes já era apaixonada pela música. Toca acordeão, cavaquinho, viola e gaita-de-beiços. “Aprendi tudo sozinha”, garante a mulher dos quatro instrumentos. Além disso, pertence ao orfeão de Leiria e também tem dotes para cantar. Todas as semanas sai de Alverca do Ribatejo em direcção a Leiria para poder estar presente nos ensaios do grupo. “Adoro música e continua a ser uma das minhas grandes paixões”, afiança Felismina Antunes.
“Pintar significa paz e tranquilidade de espírito”

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