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Inês Gigante é campeã nacional e sonha com o título mundial

Jovem espera recuperar o título europeu de Solo Dance ainda este ano

Quando aos dois anos começou a patinar com a irmã, ninguém esperava que hoje, com dezassete, fosse campeã nacional por oito vezes consecutivas de Solo Dance e tivesse ganho cinco medalhas em Taças da Europa. Ser campeã do mundo é o próximo objectivo. Jorge Afonso da Silva

Edição de 22.07.2009 | Desporto
Levada pela irmã, que fazia patinagem artística, Inês Gigante começou a patinar tinha apenas dois anos. Hoje, com dezassete, já arrecadou duas medalhas de ouro e três de bronze em Taças da Europa e há oito anos consecutivos que é campeã nacional na variante de Solo Dance (onde se alia a dança à patinagem). E já sonha em ser campeã mundial.A jovem, natural de Oeiras, compete pela União Desportiva Vilafranquense (UDV). Depois de ter revalidado o título nacional, durante os campeonatos que decorreram no pavilhão da UDV, no primeiro fim-de-semana de Julho, a atleta traça os objectivos para a restante época. “Se fizer o meu melhor e se continuar a trabalhar bem, como tenho feito até aqui, espero vencer o campeonato da Europa que se vai realizar no Luso em Outubro”, afirma Inês Gigante.Se isso acontecer – pois só os que atingem o pódio na Taça da Europa é que são seleccionados para irem ao mundial – a atleta tem passaporte garantido para a Alemanha onde, em Novembro, irá então disputar a seu primeiro campeonato mundial da modalidade, uma vez que já é júnior. “O meu maior sonho é ser campeã do mundo”, garante a jovem com um sorriso, ciente das suas capacidades.Inês Gigante é um verdadeiro caso de dedicação e paixão à modalidade. De terça a sábado, deslocava-se de Oeiras para Vila Franca de Xira, a fim de treinar com a sua treinadora que a levou para a UDV. Depois de cerca de três horas de treino, que se intensificava na véspera das competições, no mesmo dia ainda regressava a casa. Durante o último ano foi mais longe. “Tive de mudar de escola. Como os horários que tinha em Oeiras não davam para conciliar com os treinos, fui estudar para Vila Franca de Xira”, conta a jovem, que saia de casa às 06h45 com o seu pai, que a levava à estação, para estar nas aulas às 08h30.Inês tem consciência dos sacrifícios que tem feito e das muitas privações pelas quais já passou, em nome de uma “dedicação completa a uma modalidade” e de uma “paixão maior”, por um sonho que fala mais alto. Mas não se arrepende. “Sei que o meu trabalho vai ser recompensado”, vaticina a jovem.As coreografias e as músicas que apresenta nas competições, nacionais ou internacionais, são escolhidas em conjunto com a sua treinadora, Ana Cristina Marques, de acordo com as regras estipuladas. Inês Gigante gosta de dançar passo dobles, flamengo mas é no tango que se sente mais à vontade. “ A modalidade de Solo Dance exige uma apurada técnica de pés e é muito artística. É dança mas em patins. O segredo é fazer parecer fácil o que é difícil. Um bom patinador de dança, mesmo sem música, tem de conseguir fazer com que as pessoas se apercebam do que ele está a dançar”, revela.A atleta lamenta que os apoios não funcionem e que não seja dado o devido e o merecido destaque. Defende que a modalidade devia ser mais divulgada “É difícil alguém nos querer apoiar, quando não sabem quem nós somos”, refere a jovem, acrescentando que a Federação Portuguesa de Patinagem também não dá patrocínios. No que diz respeito à UDV, a crise financeira que o clube está a atravessar, não tem interferido com o seu desempenho. A atleta garante que apesar de não receber nada, as instalações da colectividade tem-lhe proporcionado boas condições para treinar e evoluir na modalidade.Inês Gigante tem consciência de que a carreira na patinagem acaba cedo. A jovem ainda não sabe se quer ser treinadora. Para já, aguarda pelo próximo mês, para concorrer à faculdade, com o estatuto de atleta de alta competição e espera entrar no curso de desporto. A jovem simpática quer continuar a levar bem longe as cores de Portugal e o nome da União Desportiva Vilafranquense.“Lá fora temos de serduplamente melhores”Com apenas dezassete anos, Inês Gigante já passou por muitos bons momentos e por outros menos bons. Destaca o seu primeiro título como campeã da Taça da Europa, que se realizou na Nazaré em 2005, como um dos mais marcantes. Era cadete na altura. “Fiz uma exibição da qual não me esqueço. Foi a melhor prova da minha vida. Consegui um 9.2 de um juiz francês quando o máximo de pontuação é 10. Pela primeira vez no pódio, a nossa bandeira a subir, o nosso hino a tocar e depois o pavilhão cheio de portugueses a aplaudir de pé. Fiquei muito orgulhosa”, recorda com um brilho nos olhos.O momento que Inês Gigante guarda como sendo o menos bom, aconteceu em Itália, uma das grandes potências da patinagem de uma forma geral, durante a Taça da Europa do ano passado. “Ia com o objectivo de manter o título, fazer o meu melhor e acabar em terceiro lugar. Fiquei muito desiludida”, conta a atleta.Inês Gigante não tem dúvidas em afirmar que, algumas vezes, as notas que são dadas aos atletas não são justas, pois tem muito a ver com os critérios pessoais de cada juiz. Diz que já sentiu na pele essa injustiça quando fez mais e melhor que outras atletas, mas que por ser portuguesa, teve nota inferior. “Lá fora, temos de ser duplamente melhores. Realmente bons. Não pode haver dúvidas. Se houver, nós portugueses, somos sempre prejudicados”, relata Inês Gigante. UDV tem cerca de quarenta atletas na patinagem artística“A Inês é uma miúda cheia de talento. Dá ideia que nasceu praticamente de patins. Com facilidade faz uma carreira na patinagem artística”, vaticina a responsável pela patinagem artística da União Desportiva Vilafranquense (UDV), Sandra Salvador.Inês Gigante é uma das cerca de quarenta atletas da patinagem artística que actualmente praticam a modalidade na colectividade de Vila Franca de Xira. As idades variam entre os quatro e os vinte e dois anos.O clube levou treze atletas ao último campeonato regional e apresentou doze no campeonato nacional. Prova que decorreu no pavilhão da UDV. O número de jovens a participar bem como os resultados demonstram a vitalidade e o bom trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelos responsáveis da secção e das boas condições que a UDV oferece a nível de instalações.Para Sandra Salvador a patinagem artística é uma paixão e os “miúdos apaixonam-se” pela modalidade. No seu entender são os encarregados de educação os grandes responsáveis pela continuidade de muitos dos jovens, uma vez que os apoios são poucos. “Ninguém investe no desporto. Só se investe no futebol. Não se entende como Vila Franca de Xira, uma terra com grande tradição na patinagem, não haja mais divulgação dos eventos e maior interesse pela modalidade”, lamenta a responsável.

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