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Arquitecto concebeu lar de terceira idade para recuperar Palácio do Farrobo

Arquitecto concebeu lar de terceira idade para recuperar Palácio do Farrobo

O projecto foi entregue por David Carvalho à Misericórdia de Vila Franca de Xira

Arquitecto concebeu projecto de recuperação do Palácio do Farrobo em tese de mestrado que foi doado à Misericórdia de Vila Franca de Xira, proprietária do espaço. Instituição pondera transformar edifício em lar de qualidade para a terceira idade.

Um arquitecto vilafranquense idealizou um projecto de recuperação do Palácio do Farrobo, em Vila Franca de Xira, que visa transformá-lo em lar para a terceira idade. O edifício histórico, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira, encontra-se em risco de ruína e viu o acesso público recentemente proibido. O projecto foi já entregue à Misericórdia. A instituição, ao que apurou O MIRANTE, quer dar ao imóvel um fim semelhante ao sugerido pelo arquitecto. David Carvalho, arquitecto que idealizou o projecto no âmbito da sua tese de mestrado na Universidade Lusíada, concebeu a remodelação do edifício que pretende transformar parte do palácio num lar para a terceira idade, ficando a restante área vocacionada para o acesso público. “Os utentes terão muito mais qualidade de vida se tirarem partido do local enquanto centro de estar em todas as suas vertentes. A localização do palácio fica fora do centro urbano e tem uma vista fantástica e inspiradora. Mas os idosos precisam também do contacto com a população e não os devemos privar disso”, explica o arquitecto.O resultado é um projecto para um lar com capacidade para 60 pessoas em regime de residência, com refeitório, uma piscina e várias hortas em volta para manter os utentes em actividade. A capela regressaria segundo o projecto à sua utilização original, com a celebração de cerimónias religiosas. Na zona de acesso público, nasceria um centro de exposições, um auditório com 80 lugares (vocacionado para acções de formação, iniciativas empresariais e culturais) e uma cafetaria com esplanada. “Nos lares, os idosos quase não trabalham com dinheiro. Com a esplanada na cafetaria, seriam motivados a movimentar-se mais, estabelecendo contacto com pessoas exteriores à instituição. Seria também mais agradável aos familiares poder conversar com os utentes num ambiente diferente do habitual nos lares de terceira idade”, sublinha David Carvalho. A remodelação permitiria manter a traça exterior do edifício, podendo passar pelo restauro dos azulejos no rés-do-chão, pintados no tradicional estilo azul-cobalto. Nas paredes, o projecto prevê a utilização de cal aérea, uma argamassa com areia fina que adere com maior eficácia aos materiais pré-existentes. A recuperação do edifício tem um custo estimado de 4,5 milhões de euros. O projecto, entregue à Misericórdia de Vila Franca de Xira, surge num período em que a instituição pondera transformar o Palácio do Farrobo num “lar de qualidade para a terceira idade”, segundo Fernando Palha, figura ligada desde há muitos anos à instituição. O patriarca da família Palha, que falou a O MIRANTE a título pessoal, mas já assumiu funções de provedor interino e foi o elo de ligação na transição da posse do palácio para a instituição (ver caixa) explica a necessidade do equipamento. “Há muita gente disposta a pagar para ficar num local melhor e sossegado, de qualidade, e não há oferta”, nota. Fernando Palha acrescenta haver “todo o interesse em transformar o edifício e o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Restauro (Igespar) tem insistido na necessidade de manter a traça exterior”. O MIRANTE tentou contactar o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira, para apurar a posição oficial, mas não foi possível ouvi-lo até ao final da edição. Quem apoia desde o início o projecto de restauro é a Junta Freguesia de Vila Franca de Xira. O presidente da junta, José Fidalgo, teve conhecimento do projecto e sublinha a necessidade de recuperar o palácio. “Deve haver uma estratégia na gestão do nosso património histórico que o proteja do abandono. A Misericórdia é dona de um desses edifícios e deve procurar apoios junto da câmara e outros parceiros que possam ajudar a concretizar o projecto”, conclui o autarca.Uma história de lazer e de apoio social O Palácio do Farrobo foi construído no séc. XIX por Joaquim Pedro Quintela, 1º conde de Farrobo. O nobre, que também foi 2.º barão de Quintela, era apoiante de D. Pedro IV, que o recompensou com o título nobiliárquico. Para a história, ficam as festas, as caçadas e a vocação de lazer do edifício, que incluía um pequeno teatro onde chegaram a actuar companhias de ópera italianas. Em 1869 a quinta onde se encontra o palácio foi vendida em hasta pública. Fernando Palha, que observou a evolução do edifício de perto, recorda como nos anos 40 o local fora porto de abrigo para refugiados belgas e judeus em fuga para os Estados Unidos da América, em plena Segunda Grande Guerra Mundial. Nos anos 70 o edifício, na posse da família Merceana foi doado à Caritas, com vista a criar uma instituição para crianças, numa operação em que Palha foi o elo de ligação. Após o 25 de Abril de 1974, o palácio foi abandonado. Ao longos dos últimos anos, a fachada norte tem vindo a cair, tendo sido proibida a visita do público ao imóvel. O edifício é classificado como imóvel de valor concelhio.
Arquitecto concebeu lar de terceira idade para recuperar Palácio do Farrobo

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