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Colónia Balnear da Nazaré em risco de naufragar

Colónia Balnear da Nazaré em risco de naufragar

Espaço fechado devido a degradação acentuada. Centenas de crianças carenciadas ficam sem uns dias na praia

Património avaliado em mais de cinco milhões de euros está ao abandono e as câmaras municipais não aparecem nas reuniões da assembleia distrital para darem uma solução ao complexo.

Edição de 22.07.2009 | Sociedade
As crianças de famílias carenciadas do distrito de Santarém que todos os anos podiam ir passar uma semana de férias à Colónia Balnear da Nazaré estão impedidas de o fazer. Porque o espaço, propriedade da Assembleia Distrital de Santarém (ADS), não tem condições de segurança. Há algum tempo que as instalações funcionam em violação das normas exigidas para este tipo de equipamento e perante o desinteresse das câmaras municipais em requalificar o espaço, o presidente da ADS, António Rodrigues, decidiu encerrar o espaço para que não aconteça uma tragédia. A colónia constitui um património que foi avaliado em mais de cinco milhões de euros e está a degradar-se a cada dia que passa. As cozinhas não têm condições de higiene e segurança, os sistemas de gás podem propiciar um acidente, o esquentador da cozinha não tem sistema de evacuação de gases, os dormitórios são antigos com capacidade para trinta crianças, quando as normas vigentes não permitem esta concentração no mesmo espaço. Os balneários têm bocados de parede a desprenderem-se. Há fios eléctricos à mostra. “Por minha decisão o espaço não abre mais enquanto não forem feitas obras”, garante António Rodrigues que também é presidente da Câmara de Torres Novas. Foi feito um projecto de remodelação do espaço, situado numa zona nobre da Nazaré, com vista para o mar, mas este ainda não foi aprovado porque a maioria das câmaras municipais do distrito não aparecem nas reuniões da assembleia distrital. Em dez anos só houve quórum em três sessões. Sem a aprovação do projecto pelos membros deste órgão as obras não podem ser candidatadas a apoios dos fundos comunitários no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). “Este é um dos maiores patrimónios que o distrito possui” sublinha o presidente, acrescentando que o que se está a passar é uma “vergonha inconcebível”. Por norma, refere, respondem às convocatórias para reuniões quatro presidentes de câmara no universo dos 21 do distrito.O projecto prevê, além das obras de melhoramento do edifício e do espaço exterior, a construção de seis pequenos apartamentos para alugar e assim angariar receitas para a manutenção da colónia. Até porque actualmente metade das câmaras que estão obrigadas por lei a contribuir para a ADS com uma quota mensal que vai dos 300 aos 600 euros, conforme a dimensão do município, não paga. Nalguns casos há vários anos. O presidente da ADS depois de já ter enviado cartas desesperadas a apelar à participação dos colegas autarcas diz que vai marcar mais uma reunião após as eleições autárquicas. “Faço um apelo para que percebam que temos que ter respeito pelos outros e por este património”. A Colónia Balnear da Nazaré foi inaugurada em 8 de Junho de 1941. O edifício já teve várias utilizações, tendo servido de alojamento aos chamados “retornados” das ex-colónias, no após 25 de Abril de 1974 e até 1980. Depois foram feitas diversas reparações e ampliações para servir para a Ocupação de Tempos Livres. A colónia tem objectivos de solidariedade social na vertente de ocupação de tempos livres e de reinserção social e além de crianças e jovens tem acolhido também idosos.A degradação em que se encontra a colónia foi alvo de denúncia na última reunião de Câmara de Santarém pela vereadora e deputada à Assembleia da República Luísa Mesquita. Criticou a inércia dos municípios que impede que 450 crianças carenciadas possam usufruir de alguns dias de praia.
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