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Dez em cada cem internamentos acabam com danos para doentes por erro

Edição de 22.07.2009 | Sociedade
Um em cada dez internamentos hospitalares complica-se por um qualquer erro, com dano para os doentes, uma conclusão que levou vários peritos a defender a criação de uma estrutura e uma estratégia explícita de gestão do risco clínico.De acordo com o documento “Governação dos Hospitais”, elaborado por um grupo de trabalho da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que esta semana apresentou as conclusões, “a segurança dos doentes deve ser encarada como uma componente fundamental da qualidade na prestação de cuidados de saúde, sendo a boa gestão do risco clínico crucial para a promoção dessa segurança”.Os peritos defendem, por isso, a existência, em cada hospital, de “uma estrutura e uma estratégia explícita de gestão do risco clínico”. “A prestação de cuidados de saúde é uma actividade complexa, incerta no resultado e, reconhecidamente, com potencial de causar danos colaterais nos doentes”, alegam os autores do documento. Esta “actividade de risco” resulta em que, “por cada 100 internamentos hospitalares, 10 se compliquem por um qualquer erro, com dano para os doentes”. “A gestão de risco visa identificar prospectivamente as trajectórias de acidente nos cuidados de saúde, aprender com os erros cometidos, limitar as suas consequências nefastas e, finalmente, deverá também lidar com os doentes e as famílias lesadas”, lê-se no documento. Os peritos consideram fundamental o estabelecimento de “uma nomenclatura correcta, ou terminologia do erro, de modo a uniformizar a linguagem e as definições e, de igual modo, se dará prioridade à definição de indicadores objectivos de performance e de segurança nos cuidados de saúde”.Em relação à “monitorização de risco”, esta deverá fazer-se com base em dois métodos: a declaração de eventos ocorridos e a monitorização contínua da performance.A monitorização de risco deve ser voluntária e anónima, mas “coexistindo também com a declaração obrigatória” para os casos que, “pela sua gravidade, se denominam ‘eventos nunca’, como a cirurgia no lado errado, erros de transfusão, mortes inesperadas, etc”. Cada evento deverá ser avaliado por “análise às suas causas remotas, centrando-se mais no sistema e menos nas pessoas e analisado de modo a introduzir mudanças para melhoria. Estas serão depois avaliadas num processo de constante aprendizagem individual e organizacional em torno dos erros”.

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