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José Gomes

José Gomes

Gestor, 43 anos, Cartaxo
Edição de 09.09.2009 | Três Dimensões
Comecei a minha vida profissional há 20 anos na empresa. Havia uma área ligada à electrónica de consumo que me atraía especialmente. Completei o 11º ano e vim ajudar o meu pai que criou a empresa familiar há mais de 40 anos. Tive algumas experiências em outras actividades sem nunca deixar de estar ligado à firma. Para mim é importante ter projectos e ir colocando algumas das ideias em prática. Algumas não correram muito bem, mas todas são importantes.Casei muito cedo. Eu tinha 21 anos e a minha esposa 17. Tivemos filhos sete anos mais tarde porque percebemos que era preciso amadurecer. Fomos crescendo juntos na empresa. Ela é um elemento fundamental. Além de casal somos companheiros de ideias. Temos uma filha de 15 anos. Formamos uma equipa. Estamos juntos 24 horas por dia. Aqui falamos essencialmente de trabalho. Quando chegamos a casa desligamos. Só no dia seguinte, normalmente bem cedo, voltamos a falar de trabalho. Demorámos algum tempo a atingir esse automatismo. Levanto-me todos os dias às 07h30. Começo a trabalhar pouco depois das 08h00 e o dia acaba entre as 20h30 e as 21h00. Há sempre trabalho a fazer depois do encerramento. Moro em Vale da Pinta, a cinco minutos de distância. Almoço aqui pelo Cartaxo. Opto por coisas rápidas e práticas. E às vezes o entusiasmo com o trabalho é tão grande que o almoço até escapa. Preciso de fazer aquilo que gosto para me sentir vivo. Se assim não for, as coisas podem ser muito dolorosas.Sou um privilegiado em termos de férias. Na área dos electrodomésticos a oferta de viagens funciona como incentivo. Consigo fazer viagens à borla e isso também é importante para manter o equilíbrio. Normalmente viajo com a esposa. Funciona como uma pausa importante para o casal. Brasil e México são sítios especiais para mim. Sobretudo porque faço mergulho. Tudo o que seja relacionado com o mar é uma forma de renovar as energias. Temos um grupo de pessoas conhecidas que são quase “parceiros de mergulho”. São amigos que se vão criando ao longo dos anos. Há locais extraordinários e com histórias interessantes que me deixam encantado e que são compensação para todo o trabalho. Depois também fazemos umas férias em família. Gosto de desportos motorizados. É uma paixão antiga que pensei que com a idade pudesse serenar, mas continua presente. É muito na posição de público e pouco de participante. Durante algum período pratiquei BTT. Não sou um grande atleta. É mais pela amizade e pelo convívio com os amigos. Não sou muito cuidadoso com o meu lado físico.Não gosto da palavra empresário. Prefiro empreendedor. Acho que o termo está associado a uma imagem infelizmente não muito positiva. Os empresários são vistos como pessoas oportunistas, por vezes não muito dignas, e a palavra empreendedor reflecte melhor o meu espírito. O empreendedor é aquele que sonha, que tem ideias e que com isso quer fazer nascer alguma coisa. Não é só o dinheiro que motiva a criação de uma empresa, mas também a vontade de pôr em prática algo que as pessoas sonharam.Não tenho uma frase de eleição para a vida. Vou construíndo as frases à medida que a experiência vai decorrendo. É importante nunca desistir e acreditar. Não perder a capacidade de sonhar e de agarrar os projectos com a máxima energia. Estar atento ao mundo que nos rodeia e tentar compreender. Procurar o equilíbrio. Quando erramos aprendemos mais do que quando estamos constantemente a acertar. Iniciar um negócio é uma grande responsabilidade. Há uma parte importante que é sonho, mas é preciso sobretudo muito trabalho e criatividade. Devemos olhar as situações mais difíceis não como problemas, mas como futuras respostas. A crise é sempre um desafio. São momentos importantes para se pensar no futuro e para se perceber se estamos a ir no caminho certo. O comércio tradicional está desanimado. Era importante que as pessoas começassem a falar umas com as outras. Deviam unir-se e perceber o que se vai passar. Não tenho uma carta de futuro, mas as coisas vão ser complicadas. Ouve-se falar das fábricas que fecham e nestas empresas há quase vergonha em falar. Os empresários do comércio tradicional estão a morrer silenciosamente e ninguém percebe o que se passa. Eu costumo dizer que também só aqui estarei enquanto for competitivo.Ana SantiagoJosé Gomes, 43 anos, é o gestor da Novaluz, uma empresa de comércio de electrodomésticos do Cartaxo. Trabalha lado a lado com a esposa na empresa familiar criada pelo pai há mais de 40 anos. Consegue separar as duas águas e manter o entusiasmo do primeiro dia de trabalho. Gosta verdadeiramente daquilo que faz.
José Gomes

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