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“A partir de 2010 o Grupo Desportivo Samora Correia terá uma nova vida”

“A partir de 2010 o Grupo Desportivo Samora Correia terá uma nova vida”

Novo presidente quer saldar as dívidas do clube até final do ano

Nos últimos oito anos o Grupo Desportivo Samora Correia (GDSC) foi gerido por várias comissões administrativas. Em Julho último, quando o clube parecia caminhar para o abismo, António Sousa decidiu avançar com uma candidatura à presidência do clube ribatejano. O novo presidente diz que foi um acto de coragem e de amor ao Samora, mas também consciente. Tem um plano para sanear financeiramente o clube e a indicação da Câmara de Benavente de que o Complexo da Murteira será cedido ao GDSC.

O que é que o levou a candidatar-se à presidência?Havia descontentamento dos atletas seniores e treinadores que não recebiam os ordenados no final do mês. A direcção da comissão administrativa estava cansada e não via a luz ao fundo do túnel no sentido da resolução dos problemas financeiros. As pessoas começaram a desmobilizar, a dizer que o Samora não tinha viabilidade e que estava sem rumo. Ninguém queria assumir o clube. Na altura comentei com alguns sócios que não se podia deixar cair o trabalho estupendo que estava a ser feito na formação. Logo no ano em que íamos ter a equipa de iniciados a disputar o campeonato nacional. Fi-lo por amor ao clube e também porque a história do Grupo Desportivo de Samora é muito importante para terminar assim. Decidi avançar em conjunto com uma equipa fantástica.Que medidas é que tomaram?Fizemos um programa que assenta em três pilares. A competência, o rigor e a transparência. Chegamos à conclusão que não podíamos continuar com a equipa sénior nos mesmos moldes. Tínhamos um encargo com o futebol sénior superior às nossas possibilidades. Não podemos assentar a vida do clube com situações de dívidas como tínhamos.E o que decidiram fazer?Foi uma decisão que já vinha detrás e não é exclusiva da minha direcção. Como não tínhamos capacidade para continuar na divisão de honra pedimos a desistência, dentro dos prazos legais, para que se pudesse, ainda este ano, candidatarmo-nos a uma divisão secundária. Foi o que aconteceu e estamos a competir na distrital de Santarém que é aquela onde temos capacidade para estar.Que foi feito dos jogadores a quem deviam ordenados?Desde Fevereiro que não se pagava nada a ninguém. Por essa razão e porque tomamos a decisão de descer de divisão, a maior parte deles abandonou o clube. Construímos uma equipa sénior à nossa dimensão e com um terço do dinheiro que gastávamos no ano passado.Como é que formaram a equipa?Com jogadores que saíram dos juniores e rapazes daqui da terra. Temos uma equipa de 23 jogadores muito jovens e irreverentes com uma média de idades entre os 21, 22 anos. Estamos a dizer à comunidade de Samora Correia que apostamos forte na formação e nos jovens da terra. O objectivo é ir avançando com as possibilidades que temos, conscientes da nossa realidade. Este é ano zero em que vamos reforçar as paredes da casa para que esta não caia.É uma nova etapa para o GDSC?Sim. No dia 8 de Setembro inauguramos o novo site oficial do clube que era um dos objectivos da minha direcção. Queremos fazer com que este clube seja amado pela população. Que venham ao nosso encontro pois as portas estão abertas. Iniciámos também uma grande campanha de angariação de sócios. Neste momento temos entre 500 a 700 sócios.Pagantes?Não. Mas não é difícil ter muitos sócios. É difícil reorganizar e manter os sócios activos no clube. E uma das formas é pagar as cotas. Quero é chamá-los para a vida do clube.Como encontrou as contas do clube?Tinha tesouraria de menos zero. O que fazia com que as necessidades básicas não pudessem ser cumpridas. A nossa preocupação, assim que assumimos a direcção, foi contactar com pessoas que conhecem o comércio e as empresas de Samora Correia, para envolver esse tecido empresarial no nosso projecto, para que conseguíssemos alcançar rapidamente receitas que sustentassem o clube.E conseguiram?O que mais me agrada neste difícil arranque à frente do Samora é a vontade de ajudar e o gosto que a cidade, os sócios e mais algumas pessoas têm por este clube. Esse envolvimento tem permitido que continue a acreditar que isto é facilmente resolvido. Fiquei muito agradado como a cidade e as pessoas das empresas e do comércio quando nos apresentamos com uma nova direcção e um novo projecto. O grande problema do Samora Correia foi essencialmente uma situação de paralisia. Ficamos à espera que viesse o milagreiro financiamento que tínhamos pedido a uma instituição bancária. Fartaram-se de fazer promessas mas nunca chegou. Acabamos por desistir desse financiamento o que provocou uma situação complicada. Nenhuma casa pode subsistir sem capital. Já arranjaram alternativas?Temos duas hipóteses que estão bem encaminhadas mas que ainda não estão fechadas. Uma faz parte da banca e a outra é uma parceria com empresas da região. Vamos hipotecar a nossa sede para termos o empréstimo. Mas essa situação não acarreta nenhum risco pois vamos conseguir cumprir com as nossas obrigações.Mas o edifício da sede é o único bem que pertence ao GD Samora Correia…Sim. Mas tem um valor muito superior, quase três vezes mais, ao do financiamento que teremos. Isso dá-nos espaço de manobra. Apesar de termos uma grande necessidade de financiamento rápido, resolvendo esta fase de dívidas e do financiamento, o clube pode ser completamente pacífico e ter uma vida normal a nível económico. “Empréstimo é fundamental”Qual é valor dos empréstimos pedidos?Um de 70 mil e outro de cem mil euros. Há instituições que acharam o projecto viável para nos financiarem.Querem os dois ou um dos dois?Um dos dois. O Samora não pode afogar-se em empréstimos nem ter demasiados encargos que possam afundar o clube em dívidas. Esse empréstimo é para fazer face ao quê?Às dividas. Pagar tudo aquilo que devamos e o resto de dinheiro aproveitá-lo para investir em estruturas no clube.Têm dívidas ao fisco e à Segurança Social?À Segurança Social não devemos nem um cêntimo. O subsídio que tínhamos previsto receber em Janeiro para as nossas despesas correntes foi penhorado pelas finanças. A partir daí a dívida ficou paga. O que se passa é que estamos sistematicamente a ser fiscalizados pelas finanças com auditorias aos anos contabilísticos. E encontram sempre qualquer coisa. Temos uma coima devida a uma análise de contas relativas a 2004 a rondar os 4 mil euros. Que é efectivamente que nós temos para resolver com as finanças. E devem a mais alguém?Devemos a alguns fornecedor mas essencialmente a jogadores e treinadores. Há uma livrança que temos de cumprir no valor de 3 mil euros e temos ainda uma outra de 20 mil euros na Caixa Agrícola. A regularização é urgente.Por isso é que o empréstimo é fundamental…Sem dúvida. Quando o recebermos vamos pagar tudo o que devemos até ao final deste ano, para que em Janeiro possamos começar do zero. Com uma gestão rigorosa, as contas em dia e a casa arrumada. Até lá, não posso liquidar as dívidas do passado e hipotecar o futuro. O dinheiro que temos arranjado com parcerias, receitas de publicidade e da generosidade de alguns sócios, será para fazer face às despesas correntes. Os nossos atletas e treinadores vão receber a tempo e horas. Quanto à próxima época, garanto que não está em causa e arrancará normalmente. Está tudo planeado de agora até Dezembro do próximo ano.Qual será o orçamento para o próximo ano?Andará na ordem dos 110 mil euros em termos de despesa mas prevemos uma receita superior. A partir de Janeiro do próximo ano será uma vida nova para o clube a nível desportivo e financeiro.“Complexo Desportivo da Murteira será cedido ao Samora Correia”E a autarquia de Benavente?Está completamente disponível para ajudar. Considero que câmara de Benavente deve ser, na zona de Lisboa, das melhores autarquias no apoio ao desporto. Isso vê-se pelas estruturas que cada clube do concelho tem ao seu dispor em termos de prática desportiva.Mas houve algum compromisso formado ou falaram apenas?Foi um primeiro contacto. Apresentamos todo a situação do clube e pedi-lhe apoio para a construção de um gabinete médico dentro das instalações que foi prontamente apoiado em termos de materiais. Era uma grande lacuna que o Samora tinha. É preciso cativar os miúdos e nada melhor do que lhes dar todas as condições.Que falta mais ao Samora?Falta mais conforto aos miúdos que temos a treinar. Temos uma parceria com a Academia do Sporting e mais recentemente com a Casa do Benfica que vai treinar e fazer os seus jogos da divisão do INATEL no nosso complexo. Tive a promessa do presidente da Câmara de Benavente que nos vai apoiar na rápida resolução do problema dos balneários, que já são provisórios há demasiado tempo. É nosso desejo que os miúdos sejam acompanhados no caso de se magoarem. Temos uma óptima equipa de massagistas mas procurei que os atletas tivessem também uma fisioterapeuta que os acompanhasse de perto. A formação envolve quantos atletas?Temos actualmente 140 jovens até aos juniores. Mas estão a chegar todos os dias miúdos aos nossos campos para treinar. Como funciona a parceria com a Academia do Sporting?Foi fundada o ano passado. Cedemos as nossas instalações. Algumas das captações foram feitas em conjunto o que traz vantagens para o Samora. Há uma parceria muito boa e completamente sã.Trabalham em conjunto?Que fique claro que o Samora tem uma função e a Academia do Sporting tem outra. O Samora mais numa postura de clube e de uma forma mais concentrada na parte social. A Academia do Sporting é mais baseada na formação e virada para a parte lúdica de jogar futebol. Os dois trabalhos juntam-se muitas vezes e há uma sintonia perfeita em termos de separação de deveres. A colaboração é perfeita.Os iniciados subiram de divisão esta época e estão a disputar o campeonato nacional. É a recompensa pelo trabalho desenvolvido?Sem dúvida. Estamos a jogar na Liga dos Campeões dos iniciados (sorrisos). Competimos com equipas como o Sporting, Benfica, Belenenses ou o Estrela da Amadora. Os nossos miúdos de 13, 14 anos têm a oportunidade de jogarem num jogo televisionado pois quando forem ao Seixal defrontar o Benfica o jogo será transmitido pela Benfica TV. É um estímulo muito grande. São atletas da nossa formação. Isso dá-nos muito orgulho.Há alguns jogadores formados aqui que jogam nas equipas jovens do Sporting…Há pelo menos três. E temos o Camora que joga na Naval 1º de Maio que nasceu, cresceu e foi criado aqui. Saiu das nossas escolas.O clube tem só o futebol. Há o objectivo da criação de outras modalidades?A médio longo prazo quero tornar este cube um pouco mais eclético. A curto prazo tenho a ideia de criar uma equipa de futebol feminino ao nível da formação. Nesta sociedade moderna as mulheres também gostam de praticar desporto. O complexo está construído em terrenos da Companhia da Lezíria. Não é vosso…O Grupo Desportivo de Samora Correia não tem a ambição de ter o Complexo Desportivo da Murteira em sem nome. A Câmara de Benavente disse-nos que está praticamente tudo acertado com a Companhia das Lezírias mas que neste momento o negócio ainda não se concretizou. Mas temos a garantida da autarquia que é para o Samora Correia. Tanto é que se a câmara tivesse algum tipo de dúvida não teria investido num relvado sintético nem nos apoiaria. Na conversa com o presidente foi-nos transmitido que iríamos trabalhar em conjunto para criarmos um complexo por fases mas dentro de um projecto capaz e funcional. Vamos começar a trabalhar em breve a desenhar os projectos para depois executá-los.Qual é a ideia futura?Não conheço bem o processo. O que obtive de informação do presidente da câmara foi que, essa situação seria uma das prioridades. Até para dotarmos de uma forma segura o complexo com melhores condições.O espaço vai ser dado ou transferido para o Samora?Vai ser cedido ao Grupo Desportivo Samora Correia.Isso não vos impede de apresentar candidaturas para obterem apoios?Provavelmente a câmara poderá. Podemos concorrer através da autarquia ou em parceria.O que é certo é que até agora têm estado limitados nesse aspecto…Não sei se será só esse o problema que tem havido para não haver desenvolvimentos ao nível de apoios (sorrisos). Dentro do espaço de tempo que durará o meu mandato vamos ter essa situação completamente resolvida. É um dos pontos fulcrais que quero resolver. Estabilizar financeiramente o clube e a sua estrutura organizativa. Dar a conhecer o nosso projecto à população e depois resolver o problema as infra-estruturas.O seu mandato é de quanto tempo?Dois anos. É pouco tempo.Vai recandidatar-se?Nãos sei. Se me tivesse feito essa pergunta há um ano, dizia que era impossível assumir a presidência do clube.Foi um acto de coragem ter assumido a direcção do clube nesta situação?Mais do que coragem foi um acto de loucura (sorrisos). Foi um acto de coragem mas também consciente e calculado. Acreditei e acredito que é possível haver uma nova vida para este clube. Estou convencido que até final de 2010 vamos ter o Samora estabilizado. E tenho o privilégio de trabalhar com pessoas dedicadas, que têm o Samora a correr nas veias todos os dias. Que se deitam e acordam a pensar no Samora. Estamos muito empenhados em levar o clube para a frente.“Apaixonei-me por Samora Correia”António Sousa tem 45 anos e é director de logística numa empresa de informática sediada em Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira. Há sete anos fez parte da direcção do Sacavenense onde esteve ligado à área da formação. Em 2004 decidiu mudar-se para terras ribatejanas para ter uma vida mais tranquila e apaixonou-se por Samora Correia e pelas suas gentes. Passado algum tempo de ter o seu filho a jogar nas escolas de formação, foi-se aproximando mais da realidade do clube. Fez parte da última comissão administrativa que geriu o clube e em Julho último assumiu a direcção do Grupo Desportivo de Samora Correia, fundado a 8 de Setembro de 1975.
“A partir de 2010 o Grupo Desportivo Samora Correia terá uma nova vida”

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