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Venerável Serafim das Neves

Venerável Serafim das Neves

Edição de 07.10.2009 | E-mails do outro mundo
Aproxima-se a passos largos o sacrossanto dia da meditação. Aquele em que nos devemos abster de falar de política e de políticos. Aquele em que devemos fingir que somos cegos, surdos e mudos. Aquele em que nos devemos anichar no interior mais profundo de nós próprios para decidir sobre quem votar no dia seguinte. Eu gosto muito de meditar. Medito que me farto nos dias reservados à meditação eleitoral. Penso nos beijinhos e apertos de mão que os candidatos nos deram. No dinheiro nosso que eles gastaram para nos tornar mais inteligentes. Nos porta-chaves partidários que enriqueceram a minha colecção. Nos aventais coloridos. Nas bombásticas arruadas. Nas rábulas que os candidatos representarem para nos tentar animar. Para nos fazer rir. Quanto mais medito mais concluo que a democracia não é um sistema perfeito. É injusto anularem os votos daqueles que votam em todos os partidos ao mesmo tempo. Aqueles eleitores são sinceros. Querem todos os candidatos nas câmaras, nas assembleias, nas juntas de freguesia. Acham que é mais divertido. Mais animado. Vê o exemplo da Câmara de Almeirim. A Vidinha diz que o PS lhe deu um pontapé no cu por não a voltar a meter na lista. A senhora dos Verdes está preocupada com a fecundidade dos pardais. Autarcas vetustos encanzinam-se quando ouvem falar em abate de chaparros. O presidente Sousa Gomes deseja muita merda à senhora dos Verdes acreditando que está no teatro, local onde se utiliza aquela fórmula para desejar sorte aos actores. Quem é que não deseja tê-los todos de volta. A eles e outros como eles.O único problema da meditação eleitoral é já não termos campanha eleitoral. Aquelas cenas das bandeirinhas a abanar e dos bombos a rufar entusiasmam-me. E há os porcos. Os assados no espeto e os outros. E há também os encontrões e cumprimentos que acontecem quando dois bandos de adeptos se cruzam. São momentos dignos de documentário no National Geographic. Muito melhor que as séries sobre as tribos desconhecidas da Amazónia ou sobre os hábitos sociais dos orangotangos. E as piadas que eles guardam para a hora dos telejornais?!!!Gosto também dos debates televisivos. Principalmente de candidatos a câmaras municipais de segunda linha. São poucos mas compensadores. Aquele ambiente retro que nenhum cenário moderno consegue atenuar. Penteados dos anos 50. Gravatas inenarráveis. Às vezes penso que estou a ver filmes do António Lopes Ribeiro. Fico ali só para ver se entra o Vasco Santana ou o Ribeirinho. Mas nem é preciso. Os que lá vão também têm boas tiradas. Um dia destes ouvi a presidente da Câmara de Salvaterra de Magos - a única presidente eleita pelo BE até agora - explicar como é que pode ser a favor dos toiros de morte e autorizar rodeos no seu concelho, ao mesmo tempo candidata por um partido que é contra os toiros de morte, os rodeos e a exploração dos macacos pelos donos dos circos. A democracia é uma coisa fantástica, não é??!!Saudações meditativasManuel Serra d’Aire
Venerável Serafim das Neves

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