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Celestial Serafim das Neves

Edição de 02.12.2009 | E-mails do outro mundo
Fiquei alarmado quando me disseste que fecharam o bar que abastecia os espectadores dos jogos de futebol do União de Tomar. Vamos de mal a pior. Como é que um gajo sem combustível, ganha balanço para conseguir chamar nomes ao árbitro durante noventa minutos?? É altura de dizer basta!!! De usarmos o tal direito à indignação. Estão a tentar transformar Portugal num país asséptico. Numa Suíça mediterrânica. Numa Noruega dos tesos. Tudo limpinho. Tudo ecológico. Tudo organizado e controlado ao decilitro. Ao mililitro. Eu quero lá saber se os gajos civilizados vão para o futebol como vão para os concertos da música de serrote. Se esta merda continua eu vou para os Montes Hermínios como fez o Viriato quando os romanos quiseram obrigá-lo a comer de faca e garfo e a andar de sandálias e saias.Cometi hoje um acto constitucional de rebeldia. Enfardei uma feijoada das antigas. Com bela carne de porco entremeada e enchidos a rebentar de colesterol. Bebi daquele tinto velho até não poder mais. Antes do almoço tinha despachado uma saladinha de orelha, um queijo de Serpa e um pão alentejano de quilo. Berrei que nem um urso aos saltos no sofá a ver o jogo da bola. Foram mais três molas para o galheiro. Mandei bombas suficientes para abrir um buraco na camada de ozono do tamanho de uma casa. Foi à bruta e sem remorsos. Cada uma delas levava dedicatória. Pimba…esta vai para o gajo da ASAE! Pumba…esta vai para o gajo da comissão das colheres de pau da União Europeia! Lá vai disto!!! Um bombardeamento tal que até vieram os bombeiros com máscaras de gás. Acho que inutilizei as cuecas. A mulher não aguentou e foi para casa da mãe. Ela sempre foi assim. É meio fascista; repressiva e totalitária. Não luta como nós pela santa liberdade.Eu sei que este blá-blá-blá é cavernícola. Que devo amaciar o verbo. Usar a ironia. Mas caramba, dias não são dias. Ando para te falar nos problemas da água há um ror de tempo. Não vai passar de hoje. Endrominaram-nos com essa coisa de entregarem a exploração da água a privados. O meu banho está mais caro. Os canos são os mesmos, a água vem do mesmo sítio, os trabalhadores até são menos do que eram e no entanto a água está mais cara. E ainda por cima enganam-se nas facturas. Pregam-nos com cada conta que um gajo até fica a suar baixinho. Oitenta e tal euros. Duzentos euros. E a Direcção de Saúde a moer-nos o juízo para lavarmos as mãos de cinco em cinco minutos. Está tudo conluiado para nos arruinar de vez. Estive quinze dias sem lavar os pés para fazer um protesto original contra este estado líquido de coisas. A tresandar a queijo dirigi-me aos serviços. Um segurança barrou-me a entrada. Nem o chulé intenso o demoveu. Disse-me para ligar para o call-center. Ainda por cima é a pagar. Nem sabia o que fazer. Lavar os pés estava fora de questão. A conta da água já era maior que a minha conta bancária. Lavei-os com vinho tinto. Acredita, fiquei com os presuntos macios. E ficou muito mais barato.O que não encarece é a electricidade. São ruas e praças todas cheias de luzinhas de Natal. Horas e horas a fio. A ideia é convencerem-nos a entrar no espírito da quadra. No espírito da quadra e nas lojas. Enfim, é o princípio dos vasos comunicantes. Esmifram-nos na água para nos encherem de luz. Paz aos homens de boa-vontade!!!E que Deus te abençoe!! Manuel Serra D’Aire

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