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Caminhada junta cinco centenas de mulheres e rende mil e quinhentos euros

Caminhada junta cinco centenas de mulheres e rende mil e quinhentos euros

Iniciativa solidária visou assinalar os 100 anos do Dia Internacional da Mulher

A Junta de Vialonga organizou pela primeira vez uma caminhada pelas ruas da freguesia para assinalar o centenário do Dia Internacional da Mulher. O fim do percurso no Parque Urbano da Flamenga teve também uma mensagem política.

Edição de 10.03.2010 | Sociedade
Manhã de domingo. A ameaça de chuva paira no ar. As camisolas vão sendo distribuídas à medida que as participantes chegam à Avenida Carlos Arrojado, em Vialonga, junto ao supermercado Lidl.A boa disposição reina no seio das mulheres e a vontade em fazer a caminhada é muita. Até porque as causas são, por si só, motivos que justificam tamanha adesão à iniciativa organizada pela junta: assinalar o centésimo aniversário do Dia Internacional da Mulher e ajudar financeiramente a Associação de Bem Estar Infantil de Vialonga (ABEIV), que presta apoio a crianças.Depois de tratada a logística e dos músculos aquecidos as cerca de 500 mulheres arrancam em direcção ao Parque Urbano da Flamenga com dois GNR a escoltarem a densa coluna humana. Pela frente aguarda uma caminhada, no mínimo, de 45 minutos que irá percorrer algumas das principais ruas da freguesia.“Ó vizinha então não está aqui? ”, questiona bem disposta uma senhora na casa dos quarenta. À medida que a massa humana vai avançando há cada vez mais curiosos que se abeiram da estrada, das janelas de casa e portas dos cafés. Há até quem aplauda.As conversas, essas, variam. Desde as novelas que passam hoje nas televisões, a projectos para o futuro, passando pelo tema dos homens e a situação da mulher hoje em dia.Em todo o mundo 70 por cento dos mais de mil milhões de pobres são mulheres e as jovens representam 57% das crianças que não estão na escola. No continente Africano, cerca de 91,5 milhões de mulheres e raparigas com mais de 9 anos sofrem de mutilação genital.“Bem, já emagreci aí uns quatro quilos”, refere para gargalhada colectiva uma jovem depois de ter feito a última subida do dia. De repente começam a sentir-se alguns pingos de chuva. Há quem acelere o passo e quem fique para trás, acabe por se perder ou mesmo desistir.Quem não desistiu foi Maria Ferreira, 74 anos e a sua companheira Maria José Pereira, 58. “Também tenho O MIRANTE na minha casa para vender. Tenho uma papelaria em Vialonga em frente ao banco Millenium. Correu tudo bem. Então não vê que estamos aqui boas?”, diz com um sorriso contagiante Maria Ferreira que costuma fazer caminhadas, mas considera que esta “foi mais especial por ser da mulher”.“Deviam fazer mais iniciativas deste tipo para chamar a atenção dos problemas das mulheres que ainda são muito discriminadas nos empregos e ganham menos que os homens”, refere Maria José Pereira. De acordo com a União Europeia, as mulheres ganham menos 17,4% do que os homens. Patrícia Nunes, 26 anos, é gerente do ginásio feminino que se associou ao evento, ajudando no aquecimento e desentorpecimento dos músculos. “A luta deve ser no sentido de colmatar as desigualdades que ainda subsistem. Além disso aproveita-se para consciencializar as pessoas para terem hábitos de exercício regular”, refere a jovem.Depois dos discursos, da entrega do cheque no valor de 1500 euros ao presidente da ABEIV, as centenas de participantes começam a desmobilizar com o sentimento de dever cumprido. O jornalista prepara-se para vir embora quando é surpreendido por duas participantes, que lhe perguntaram se ali (no Parque Urbano da Flamenga) é o final da caminhada, acrescentando ainda que se tinham perdido, depois de, no decorrer da caminhada, terem ido a um funeral.Final da caminhada com mensagem políticaO facto de a caminhada ter terminado no Parque Urbano da Flamenga teve um significado político que o presidente da Junta de Freguesia de Vialonga assume. “A nossa iniciativa de vir aqui foi também para demonstrar o estado de degradação a que este espaço chegou, embora se tenha feito alguns melhoramentos. Mas estamos longe da conclusão do parque da flamenga. Uma obra que começa a tardar”, lamenta José Gomes (CDU) a O MIRANTE.De acordo com o presidente a última informação que recebeu por parte da câmara de Vila Franca de Xira é que está previsto investir-se 300 mil euros durante o presente ano. Para 17 de Março está agendada uma reunião entre câmara e junta.Depois de várias alterações, o actual projecto para o Parque Urbano da Flamenga contempla a criação de uma grande zona relvada e arborizada. Uma alameda junto à zona residencial, espaços de lazer e de carácter desportivo e a construção de uma piscina.
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