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Condenado a 18 anos de prisão por matar cunhado em A dos Loucos

Homicida premeditou o crime e esperou o melhor momento para o cometer

Tribunal baseia-se nas próprias declarações de Luís Santos que confessou grande parte dos factos mas não mostrou arrependimento. Foi condenado por um crime de homicídio qualificado e outro de detenção ilegal de arma proibida.Jorge Afonso da Silva

Edição de 27.05.2010 | Sociedade
O homem que matou o cunhado em A dos Loucos, São João dos Montes, concelho de Vila Franca de Xira, foi condenado a 18 anos de prisão efectiva. A pena corresponde a um crime de homicídio qualificado – punível de 12 a 25 anos – e a outro de detenção ilegal de arma proibida – punível até 5 anos. O tribunal decidiu aplicar 17 anos pelo primeiro crime e dois anos e seis meses pelo segundo. Em cúmulo jurídico o homicida foi condenado a 18 anos de prisão. A sentença foi lida na tarde de segunda-feira, 24 de Maio, no Tribunal de Vila Franca de Xira.O crime aconteceu a 21 de Outubro de 2009 no Casal da Carapinheira. Em causa estiveram divergências familiares antigas entre os dois indivíduos. A base da discórdia prendeu-se com ouro e jóias da família, bem como alegados maus-tratos de que a vítima infligiria à irmã e à sobrinha do homicida.Para o colectivo de juízes ficou provado que Luís Santos, 46 anos, agiu de uma forma livre, consciente e voluntária com o propósito de retirar a vida ao companheiro da sua irmã, Fernando Casimiro, 60 anos, por motivos insignificantes. A convicção dos magistrados é baseada nas próprias declarações de Luís Santos que confessou grande parte dos factos e não mostrou arrependimento. A forma como premeditou e preparou o crime durante dois dias não deixou dúvidas de que o indivíduo estava só à espera do melhor momento para consumar o acto. Durante esse período, Luís Santos dormiu escondido numa coelheira, esperou que a vítima saísse de casa para ele entrar, e aguardou que Fernando Casimiro regressasse. Depois de algumas trocas de palavras, Luís Santos sacou da arma ilegal e disparou directamente na cabeça da vítima, que não resistiu aos ferimentos, acabando por falecer.De acordo com o tribunal, Luís Santos teve dois dias para ponderar sobre os actos que estava prestes a praticar. Podia ter simplesmente saído dali e seguido a sua vida. Mas não o fez. Fernando Casimiro ficou deitado no chão à entrada do seu quarto tendo sido arrastado para o interior por Luís Santos. De seguida o homicida enviou uma mensagem de telemóvel à sobrinha – enteada de Fernando Casimiro – a dizer. “Vai a casa que eu matei o teu padrasto”. Depois, por volta das 14h30, deixou o local do crime ao volante do Volkswagen Golf da vítima, que abandonaria na freguesia do Sobralinho. Viria a entregar-se ao final da tarde do mesmo dia na PSP de Alverca do Ribatejo.Serralheiro de profissão, à data dos factos, Luís Santos, vivia sozinho na Guarda. Segundo a juíza que leu a sentença a sua postura até ao momento do crime não fazia antever o desfecho trágico dos seus actos. Numa mensagem final, a juíza pediu a Luís Santos que reflectisse sobre o que fez e acrescentou que a justiça não é feita pelas próprias mãos.

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