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Lúcia Prancha viveu adolescência em Coruche e agora estuda na cidade brasileira de S. Paulo

O ambiente tauromáquico nunca influenciou o seu processo criativo

Viveu em Coruche até aos 15 anos, está lançada no mundo artístico com trabalhos de performance, publicações/texto e desenho e conta um pouco de si desde S. Paulo, via e-mail.Ricardo Carreira

Edição de 11.08.2010 | Sociedade
Nasceu em Lisboa, viveu a juventude na pacatez de Coruche e está metida no turbilhão de 12 milhões de habitantes da cidade de São Paulo, no Brasil. Lúcia Prancha formou-se em pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e, com 25 anos, destaca-se a estudar e a trabalhar em projectos que envolvem performance, vídeo e desenho. O mestrado em Artes Visuais que frequentava na Universidade de São Paulo, foi congelado para cumprir um estágio ao abrigo do programa INOV-ART como pesquisadora do núcleo de curadoria da Pinacoteca do Estado de São Paulo, um museu de arte do século XIV até à arte contemporânea. Lúcia Prancha vive no centro de São Paulo, no bairro da Consolação/Vila Buarque. Saída de Coruche para o turbilhão de uma cidade de 12 milhões de pessoas, onde impera o trânsito, a poluição. O ritmo frenético e um fluxo imparável de pessoas, de trabalho e de programação cultural, foi um choque. “Foi como levar uma bofetada” confessa. Passado o choque inicial diz que se tem sentido bem. Afinal São Paulo é uma “cidade de estrangeiros”, que recebeu fluxos migratórios de italianos, japoneses, alemães, belgas ou espanhóis que se “hibridizaram” ao longo dos tempos.“São Paulo tem evoluído muito nos últimos anos mas ainda sinto que não se equipara a cidades como Londres, Nova Iorque ou Berlim que são pontos muito fortes em termos de acontecimentos na área da cultura”, comenta, admitindo, no entanto, que é um local onde facilmente se pode ficar fascinado por um visual próprio. Família ligada à tauromaquia mas sem interesse na estética dos tourosLúcia Prancha teve uma juventude comum à de muitas raparigas. Viveu no centro da vila, perto do quartel dos bombeiros municipais, num apartamento onde ainda hoje moram os pais. Francisco Prancha está ligado à pecuária e Maria Custódia Prancha é comerciante. Lúcia tem dois irmãos, Francisco, de 24 anos, e João, de 20 anos. Um estuda engenharia industrial, o outro arquitectura.Cumpriu a escola primária e o ciclo. Foi escuteira e fez caminhadas, acampamentos e viagens pela Europa. Jogou andebol entre os 12 e os 17 anos. Aos 15 anos rumou a Évora para seguir Artes no ensino secundário. Já na faculdade, fez intercâmbio Erasmus, em Inglaterra. Viajou pela Europa, visitou museus de referência e expandiu horizontes. “A oportunidade de viajar é a capacidade de adaptação a novas situações, acontecimentos, pessoas e projectos. Se não o fizer agora que sou jovem, quando vai ser?”, deixa no ar. As festas de Coruche não lhe passaram ao lado. Participou no cortejo etnográfico e do trabalho e na procissão da Senhora do Castelo. Apesar de ter sido criada num ambiente tauromáquico, Lúcia Prancha confessa que tem pouca ligação afectiva e estética à festa brava. O pai foi forcado e o irmão Francisco integra os Amadores de Coruche. A tauromaquia não é tema que aborde no seu trabalho. Em Coruche chegou a integrar um workshop promovido pelo museu municipal mas apenas pintou a imagem típica do concelho: a senhora à porta de uma casa tradicional com barras azuis.Exigente e muito trabalhadora é como Lúcia se vê e como justifica os degraus que tem subido na vida. Não tem ninguém na família ligada às artes. “Trabalho muito, tenho mostrado interesse e ambição como boa profissional. Essa é a causa”, garante.O trajecto escolar de Lúcia Prancha está marcado pela participação em intercâmbios, conquista de bolsas de estudo, dos quais tem aproveitado ao máximo para expor em grupo e individualmente em galerias, instituições, espaços independentes a partir de convites, projectos próprios ou concursos. Integrou revistas, residências artísticas em Lisboa e S. Paulo. Com a artista portuguesa Sara Fernandes trabalha no projecto de performance/vídeo/desenho que deverá culminar numa exposição em Outubro de 2010, em Lisboa. Ficar por S. Paulo até Junho de 2011 está nos planos de Lúcia, que pode alargar a sua estadia se surgirem oportunidades para desenvolver o trabalho como artista.

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