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Trabalhar para a comunidade sem receber nada em troca

Trabalhar para a comunidade sem receber nada em troca

As motivações de quem dá tudo pelo associativismo apesar das dificuldades

As colectividades são a segunda casa de muitos cidadãos apaixonados pelo associativismo. Trabalham em prol da comunidade sem receber nada em troca. O presidente do Ateneu Artístico Vilafranquense e o dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira deixaram o testemunho da dedicação às colectividades numa noite em que a República também foi evocada.

Edição de 06.10.2010 | Sociedade
Mário Calado tinha nove anos quando começou a sentir o bichinho do associativismo. À noite, em casa, adormecia ao som da música do Ateneu Artístico Vilafranquense, instituição a que se ligou mais tarde e que hoje dirige. “Vivi no Ateneu alguns dos momentos mais bonitos da minha vida. O Ateneu passou a ser, a seguir à minha família, a coisa mais importante da minha vida”, confidenciou emocionado e de voz embargada o dirigente associativo. O tema do associativismo esteve em debate na quinta-feira, 30 de Setembro, no auditório da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, no âmbito das sessões do Observatório de Inovação e Desenvolvimento Local, numa noite em que a República e a suas relações com as colectividades também foram abordadas. A dificuldade em mobilizar as pessoas para o trabalho no associativismo é um problema já diagnosticado. Mais difícil ainda é arranjar pessoas para liderar as associações. Mas quando o problema se ultrapassa nem as dificuldades fazem esmorecer quem está apaixonado pelo trabalho nas colectividades. “Em determinado momento cometi a loucura de assinar por baixo uma conta caucionada de 250 mil euros. E depois as coisas complicaram-se. O dinheiro faltou. Consegui tirar o nome, mas como há um problema de um terreno cativado por um banco a minha motivação continua”, testemunhou. O presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira, Carlos Fernandes, entende que é preciso abrir a porta aos jovens para que substituam os dirigentes quando os actuais partirem.“A seguir ao 25 de Abril lembro-me de ver pessoas de muletas e cadeiras de rodas e subir aquelas escadas dos bombeiros acima porque havia duas listas para votar. Agora é um problema. Faz-se uma assembleia de bombeiros. De 3500 sabe quantos vão ? Quatro, cinco, seis. É uma frustração tão grande. E dessas pessoas quase todas são bombeiros”, desabafou. O director geral de O MIRANTE, Joaquim António Emídio, moderador no debate, aprendeu a conviver e a trabalhar no meio associativo. “As minhas grandes referências vêm todas do associativismo. Até as pessoas mais importantes que conheço conheci-as no meio”, revelou.O presidente da direcção da Confederação das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, Augusto Flor, sublinhou que ao contrário do que se pensa as colectividades não são subsidio-dependentes. “Oitenta e nove por cento do dinheiro das colectividades vem das autarquias. É um dos grandes apoios do movimento associativo”, ilustrou. O apoio das famílias, que participam na vida das associações, é outro dos grandes pilares das colectividades que para gerar receitas próprias exploram ainda bares restaurantes e promovem actividades desportivas, culturais e recreativas.
Trabalhar para a comunidade sem receber nada em troca

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