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“A literatura neo-realista está a despertar novamente o interesse dos mais jovens”

“A literatura neo-realista está a despertar novamente o interesse dos mais jovens”

Maria Alzira Seixo extasiou o público do Museu do Neo-Realismo em Vila Franca

A ensaísta, poetisa, professora catedrática e crítica literária, Maria Alzira Seixo, convidada do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, acredita que os jovens estão novamente a interessar-se pelas obras desta corrente litérária. No sábado extasiou o público do auditório que encheu a casa e não queria ver a sessão a terminar.

Edição de 23.02.2011 | Sociedade
Os jovens estão sentir-se novamente interessados por uma literatura neo-realista. Quem o diz é a ensaísta, poetisa, crítica literária e professora catedrática Maria Alzira Seixo que esteve no sábado, 19 de Fevereiro, no auditório do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, no âmbito do ciclo “Encontros e Desencontros com o Neo-Realismo”. “Há um cansaço da literatura realista, queremos ideias e sociedade”, apontou a especialista acrescentando que se herdou do neo-realismo a consciência de uma literatura de intervenção. A ensaísta não percebe por que é que os escritores neo-realistas são considerados “insuportáveis” e não se encontram nas livrarias. “O que nos pode dizer o Neo-Realismo hoje em dia? É o retorno do assunto na obra literária, o retorno da temática que é algo importante”, referiu. Maria Alzira Seixo, 69 anos, que por várias vezes recebeu salvas de palmas, arrebatou por completo os espectadores que vieram ao Museu do Neo-Realismo assistir à conversa. Passou em revista algumas obras de autores como Manuel da Fonseca, Alves Redol, Vergílio Ferreira e Carlos de Oliveira e até citou alguns poemas do escritor e pintor Mário Dionísio. “O neo-realismo não procura apenas fazer a sua estética ficcional de encenações e consciencialização social. Mas consegue ir mais longe, levando o leitor a agir em vez de assumir a passividade”, disse a oradora.Maria Alzira Seixo aproveitou ainda por demonstrar a sua fascinação pelo Museu do Neo-Realismo que tem o mérito de conseguir “trazer pessoas tão interessantes para ouvir uma conversa informal num dia de chuva”.A convidada, que nasceu no Barreiro a 29 de Abril de 1941, é professora catedrática desde 1979 e docente de Literatura Francesa e Literatura Comparada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, desde 1966. É autora e editora de diversas obras sobre Literatura Europeia, Teoria da Literatura e Literatura de Viagens.Foi recentemente galardoada pela Universidade de Évora com o Prémio Vergílio Ferreira 2011, que distingue o conjunto da obra de escritores portugueses relevantes no âmbito da narrativa e do ensaio. Maria Alzira Seixo foi aluna de Jacinto do Prado Coelho e de David Mourão-Ferreira, sendo a sua formação de base em Filologia Românica. É doutorada em Literatura Francesa e tem-se dedicado à literatura portuguesa moderna e contemporânea e publicado, ao longo da sua carreira, vários ensaios neste domínio, estudos diversos fruto do seu trabalho de investigação, bem como livros de poesia. Colabora regularmente na revista Colóquio/Letras e no Jornal de Letras, Artes e Ideias, criou e dirige as revistas Ariane (que publica estudos franceses) e Dedalus (da Associação portuguesa de Literatura Comparada) e participou em várias antologias de literatura portuguesa, sendo de salientar a antologia comentada a “O Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares. Actualmente é a coordenadora da edição ne varietur das obras de António Lobo Antunes.
“A literatura neo-realista está a despertar novamente o interesse dos mais jovens”

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