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Obra de Maria Lucília Moita deu um filme

Obra de Maria Lucília Moita deu um filme

Mariana Castro e Sílvio Santana filmaram durante um ano um documentário de 50 minutos

“Maria Lucília Moita – Imenso Mundo de Dentro” é um documentário de silêncios, cumplicidades e olhares poéticos sobre a pintura, poesia, palavra e memória. Mariana Castro e Sílvio Santana filmaram durante um ano um documentário de 50 minutos sobre uma das pintoras naturalistas mais importantes do país, que foi este ano eleita Personalidade do Ano de O MIRANTE na área da Cultura.

Edição de 09.03.2011 | Cultura e Lazer
O cavalete, meio torto e iluminado por uma ténue luz proveniente de uma janela, é atingido com ferocidade por golpes certeiros do pincel de Maria Lucília Moita. Não se ouve nada, excepto o raspar na tela. Só largos minutos depois, quando a artista começa a contar a história da sua vida, entra o som de um piano.É assim o início do documentário “Maria Lucília Moita – Imenso Mundo de Dentro”, realizado por Mariana Castro – natural de Santarém - e Sílvio Santana, lisboeta. Filmado durante um ano e com uma duração de 50 minutos, o filme apresenta uma visão poética sobre a pintura de Maria Lucília Moita – Personalidade do Ano de O MIRANTE na área da Cultura – e sobre a poesia, palavra e memória. Já rodou em Abrantes por duas vezes, terra onde vive Maria Lucília, mas só na noite de 2 de Março foi apresentado a uma grande audiência, no Teatro Virgínia em Torres Novas. A iniciativa partiu do cineclube de Torres Novas. Apesar de terem estado pouco mais de 20 pessoas, entre amigos e familiares da artista, o documentário promete chegar a todo o país e ao estrangeiro através da presença em festivais nacionais e internacionais. A promessa é dos seus realizadores, que já ganharam vários prémios com o trabalho “Imemória”, de 2009.“Queremos levar este documentário aos festivais. Depois de Abrantes e Torres Novas queremos exibi-lo em Alcanena, terra onde nasceu a Maria Lucília Moita, e depois continuar a divulgá-lo. Este é um meio difícil, as produtoras dominam muito o circuito dos festivais mas até hoje temos conseguido entrar e até retirar rendimentos disso”, explica Sílvio Santana a O MIRANTE.Outro dos objectivos é apresentar o filme em Lisboa. “Mas ainda não encontrámos um bom sítio para o fazer pelo que continuamos a estudar essa ideia”, refere. Um dos planos mais longos do filme (mais de 10 minutos) é de Maria Lucília Moita a pintar o rosto de um Cristo. Não existe uma linha de reportagem ou de entrevista ao longo de toda a obra documental. Todo o filme é contado pela voz da artista, como se fosse um diário.“Este trabalho surgiu quando eu e o Sílvio estávamos a trabalhar com o Espalha-Fitas de Abrantes a fazer uns documentários etnográficos de registo e levantamento da cultura e tradições da terra. Por estarmos em Abrantes acabámos por pesquisar e deparamo-nos com a obra da Maria Lucília. Através da galeria da Paula Dias acabámos por ir parar à casa e ao atelier da Maria Lucília”, conta Mariana Castro. Aos 24 anos Mariana é o rosto mais visível do documentário, por ser também natural da região. Nasceu em Santarém e viveu em Riachos até aos 19 anos. Hoje vive em Lisboa e é formada em realização de cinema pela Escola Superior de Teatro e Cinema. “Realizar este filme foi uma experiência de vida, foi o confronto da arte pela arte”, confessa. No final da exibição Maria Lucília Moita voltou a frisar que o documentário é uma mais valia para a promoção dos seus trabalhos dentro de outros locais fora dos círculos culturais. “Quem está em Lisboa não percebe. A Maria tem uma obra extraordinária só que o facto de estar em Abrantes, fora dos grandes meios, faz como que seja quase posta de parte pelas galerias e pela crítica. Queremos que o nosso filme ajude a divulgar a obra da Maria Lucília Moita e que ela possa ter todo o reconhecimento que merece”, refere Sílvio Santana. Segundo os realizadores ainda nenhuma produtora se mostrou interessada em adquirir o documentário para comercialização futura.
Obra de Maria Lucília Moita deu um filme

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