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Preço dos combustíveis acelerou para valores nunca vistos

Preço dos combustíveis acelerou para valores nunca vistos

Gasóleo e gasolina nunca estiveram tão caros e o fenómeno pode estar para durar

Taxistas queixam-se que subida do preço do gasóleo abafou aumento das tarifas registado no início do ano e já há quem pense em abandonar o negócio. Rodoviária do Tejo pode suspender carreiras menos rentáveis caso os preços não baixem.

Edição de 09.03.2011 | Economia
Quando e em que valores vai parar a escalada dos preços dos combustíveis registada nas últimas semanas? Que consequências vai ter na actividade económica e social e nos orçamentos familiares? Ao certo ninguém sabe, porque o barril de pólvora em que se transformaram o Médio Oriente e o norte de África não permite adivinhar respostas concretas. Mas não falta quem antecipe já cenários negros. Sobretudo quem na sua actividade tem no custo dos combustíveis larga fatia das suas despesas correntes. O fenómeno não podia ser mais transversal, afectando associações de bombeiros, instituições de solidariedade social, colectividades, autarquias, agricultores, empresas e, claro, o automobilista comum.“Desconfiamos que esta subida dos combustíveis veio para ficar”O administrador da Rodoviária do Tejo Orlando Ferreira também se mostra preocupado com o actual cenário. “Sempre que o preço do gasóleo sobe um cêntimo temos um aumento de 7.600 euros nos custos mensais da empresa”, revela o responsável da empresa de transportes de passageiros que opera no Ribatejo e Oeste, acrescentando que a frota de autocarros tem um consumo médio de 31 litros aos 100 quilómetros e em 2010 foram consumidos 9.110.00 litros de gasóleo. Como diria um ex-primeiro-ministro, é só fazer as contas para perceber a dimensão que a factura de combustíveis tem nas contas da empresa - ao todo 37 por cento dos custos totais.Orlando Ferreira refere que o aumento do preço do gasóleo não teve ainda consequências na actividade da Rodoviária do Tejo. Em 2010 o consumo de combustível aumentou face a 2009 em 200 mil litros, “o que significa que num momento em que os combustíveis aumentaram nós também aumentámos a oferta”. Mas o administrador admite que algumas carreiras de baixa rentabilidade poderão ser reequacionadas, caso a situação se mantenha ou agrave, adequando a oferta à nova realidade.E nesse campo não augura nada de bom. “Desconfiamos que isto vai aumentar assustadoramente, que esta subida dos combustíveis veio para ficar”. O que vai mexer com a margem de lucro de uma empresa que paga os combustíveis a pronto mas tem de esperar muitos meses pelo pagamento de alguns dos seus clientes, designadamente autarquias.A conjuntura actual até poderia ser propiciadora de um aumento da procura dos transportes públicos em detrimento do carro próprio, mas Orlando Ferreira diz que tal não está a acontecer com a sua empresa. “Significa que há menos gente a andar, menos indústria, menos deslocações. Indica que o país está mais parado do que estava”, considera.“Mais vale encostar o táxi e ir para o desemprego”“Ninguém sabe onde isto vai parar. Já pensamos se vale a pena continuar a trabalhar ou se é preferível encostar os táxis e ir para o Fundo de Desemprego”, diz desiludido Alfredo Trindade quando lhe perguntamos como se está a reflectir o aumento dos combustíveis na sua actividade. O taxista com carros de praça em Benfica do Ribatejo (Almeirim) e em Santarém classifica a actual situação como “caótica” para o seu sector, um “dos mais seriamente atingidos” pelo aumento dos custos dos combustíveis. O taxista, que é também presidente da Junta de Freguesia de Benfica do Ribatejo (Almeirim), diz que as tarifas que estão a praticar foram ajustadas há pouco tempo por portaria do Governo e não compensam o aumento que se registou no preço dos combustíveis desde o início do ano. Alfredo Trindade é também dirigente regional da Federação Portuguesa do Táxi e revela que este problema tem sido debatido com o Governo. Até porque há consciência que o aumento das tarifas nada resolve, pois “sacrifica mais o cliente” que tem hoje menos poder de compra, o que pode acentuar a redução da procura dos serviços de carros de aluguer. “Tem que se tentar arranjar um ponto de equilíbrio” entre os diversos interesses, defende, acrescentando que estão numa atitude de expectativa “para ver no que isto dá”.Motoristas da transportadora Luís Simões recebem formação para reduzir consumosUma das maiores transportadoras nacionais de mercadorias e de logística, a empresa Luís Simões, encetou em 2008 uma série de medidas para tentar diminuir o consumo de combustíveis na sua frota. “Implementámos o Eco-Driving, um programa que inclui formação defensiva e eco-eficiente para os motoristas, com excelentes resultados ao nível de redução de combustível e de pegada ecológica”, explica ao nosso jornal Dalila Tavares, directora ibérica de Produção da Transportes da Luís Simões, que tem centros de operações logísticas em Azambuja, Cartaxo e Castanheira do Ribatejo.Esse projecto tinha como objectivo reduzir o consumo de combustível em 500 mil litros. “Esta meta foi superada logo no primeiro ano e tem vindo a ser superada também nos últimos anos”, informa a responsável, acrescentando que, paralelamente, a empresa tem adoptado “uma política sem precedentes” no investimento de tecnologia de veículos com motores mais eficiente, permitindo prestações mais adequadas aos mercados que desenvolvemos”.Dalila Tavares refere que os aumentos dos preços “são realmente históricos” e que o impacto na actividade “é verdadeiramente preocupante” já que os combustíveis representam entre 30 a 40 por cento do total dos custos de exploração de um veículos. Para já, esses custos não se têm reflectido nos contratos de prestação de serviços – “que não podem ser alterados tantas vezes quanto os aumentos dos combustíveis” – mas, sublinha a directora, “temos de estar todos preparados para que estes aumentos sejam reflectidos muito em breve, e de forma integral, nos preços dos produtos finais aos consumidores”.
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