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Joaquim Sampaio

Joaquim Sampaio

59 anos, presidente da Junta de Freguesia de Almeirim

Começou a trabalhar aos 12 anos numa serração em Almeirim. Aos 15 passou para uma farmácia. O presidente da Junta de Freguesia de Almeirim, Joaquim Sampaio, considera-se um conselheiro dos seus fregueses. Desde que a esposa se aposentou vai almoçar a casa todos os dias. Podia ir a pé mas leva o carro por comodismo. É casado e tem um filho e um neto do outro lado do oceano. É junto ao mar, de preferência na Foz do Arelho, que carrega baterias ao fim de semana.

Edição de 09.03.2011 | Três Dimensões
Nasci em Almeirim e aqui fiz a minha vida. Só me desloquei para a tropa e para a Guiné quando estive no Ultramar. As minhas brincadeiras de menino foram feitas nas ruas de pedra em Almeirim. Jogávamos à bola e ao arco. Era muito mais saudável do que hoje em dia. Não tínhamos quase nada mas éramos felizes. Enchíamos bexigas de porcos para jogar à bola. Isso acontecia na altura da matança do porco. E era isso que usávamos como bola. As pessoas que se juntavam para ajudar na matança chegavam a ir todas jogar à bola para a rua. Os carros eram menos e não havia o perigo de sermos atropelados. Comecei a trabalhar aos 12 anos numa serração. Nessa altura podia começar a trabalhar-se cedo e curiosamente o meu patrão começou a descontar. Tenho 59 anos e tenho 47 anos de descontos. Felizmente os meus pais não tinham muitas necessidades. Comecei a trabalhar para comprar as minhas coisas. O meu pai era caldeireiro. Trabalhava nas caldeiras de destilação onde faziam a aguardente. Na altura em que as caldeiras não trabalhavam os meus pais dedicavam-se à agricultura. Não passámos fome. Passámos necessidades como muitas outras pessoas. Entretanto entrei para a farmácia Barreto do Carmo aos 15 anos. Fui técnico de farmácia durante 33 anos. Por isso estou habituado a contactar com o público. Falava com todas as pessoas e nunca lhes voltava as costas. Tinha sempre uma opinião. É exactamente o que faço agora e não me canso.Tenho a universidade da vida. Fiz apenas o nono ano mas sou uma pessoa interessada e com conhecimentos mínimos para poder fazer a minha vida. Quando pensei que poderia estudar mais qualquer coisa não tive grande possibilidade de o fazer. Tínhamos as noites de serviço na farmácia que eram desgastantes. Tenho um filho e um neto que vivem em Vancouver [Canadá]. Mato saudades quando ele cá vem ou quando lá vamos. A distância é muita e a diferença horária também. Falamos frequentemente pelo computador. A internet veio tornar as coisas mais fáceis. O meu neto só fala inglês mas tenho esperanças de que mais tarde queira aprender. Sou presidente de junta a tempo inteiro. Começo o dia a visitar o pessoal que anda na rua na manutenção dos espaços verdes. Grande parte é da nossa responsabilidade por transferência de competências da câmara municipal. Conversamos e trocamos ideias. Às 9h30 já estou na junta. Passo a manhã a fazer o despacho de toda a documentação do dia anterior e atendo as pessoas que me visitam. Almoço em casa desde que a minha mulher se aposentou. É muito mais cómodo. Poderia fazer o trajecto a pé mas na verdade não tenho muita vontade de andar. À noite costumo reunir com as pessoas. Estou disponível todos os dias. É um trabalho absorvente mas gratificante. Às vezes mesmo só falando com as pessoas ajudamos. O presidente de junta é também um conselheiro. Em casa faço o que for necessário. Tenho apenas um pequeno defeito: não sei cozinhar. De qualquer forma se for preciso aspiro, ponho máquinas a lavar e máquinas a secar e estendo roupa. O meu filho também foi educado assim. Foi muito cedo estudar para Londres. Vivia numa residência de estudantes e tinha que fazer tudo.Tenho o hobbie do futebol do sofá. Não vou ao estádio. Cada vez tenho mais receio sobretudo quando há jogos de risco. Sempre que posso vou até ao mar. Gosto da Foz do Arelho. É a melhor forma de carregar baterias. Quando o meu filho estudou em Inglaterra eu e a minha esposa aproveitámos para conhecer vários países. Ultimamente não temos viajado muito com muita pena nossa. Estivemos recentemente em Cabo Verde. Viver feliz o dia. É o meu lema de vida. Por vezes por inerência da minha actividade sou atacado politicamente mas a minha maneira de estar é a de encarar tudo isso com um sorriso nos lábios. O respeito é uma grande máxima para mim.
Joaquim Sampaio

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