O clube desportivo de uma pequena aldeia em que elas é que mandam
Grupo Desportivo Sandoeirense vive um segundo fôlego só com mulheres na direcção
Clube de uma pequena aldeia do concelho de Ourém ganhou recentemente a Taça do Ribatejo em futsal.
Situa-se na Sandoeira, freguesia de Rio de Couros, bem no interior do concelho de Ourém. O Grupo Desportivo Sandoeirense, fundado em 1979, reúne os mais jovens de uma terra envelhecida. A sua equipa masculina de futsal, recentemente federada, conquistou este ano a Taça Ribatejo. Uma associação que se afirma pela acção do povo da Sandoeira, que quase sem ajudas oficiais construiu a sede da instituição. Hoje é gerida por um grupo exclusivo de mulheres que gostam de desafios. Os maridos vêm atrás.Maria dos Anjos é a presidente. A seu lado, Isabel Pereira, Ana Ferraz e Elisabete Mendes compõem o grupo da direcção que vai contando a história do Grupo Desportivo Sandoeirense. No total são 12 as senhoras que dirigem a associação. Uma imposição de Maria dos Anjos quando decidiu tomar as rédeas da colectividade há um ano. “Assumi e não me sentia bem a liderar um grupo heterogéneo”, explica. Comenta que as mulheres são mais dinâmicas, acaba-se por desenvolver mais trabalho e, por outro lado, os maridos acabam sempre por aparecer também, o que não acontece quando são homens a dirigir. “As restantes senhoras disseram que só participavam se fosse eu a liderar” e assim foi. Percorreu-se a Sandoeira, falou com amigas e conhecidas da aldeia e de alguns lugares envolventes e o grupo organizou-se.Foi um novo fôlego para o Grupo Desportivo Sandoeirense. Nasceu de um pequeno grupo que já se dedicava ao futebol de 11, fazendo alguns torneios em Rio de Couros. Em 1980 começaram a ser construídos o ringue e os balneários, mas em 1985 a associação diminuiu as actividades e esteve parada até 1993. Em 1998 começou a construção da nova sede, inaugurada em 2003. Em 2006 a associação recebeu a Medalha de Ouro de Mérito Municipal, da Câmara Municipal de Ourém. Depois de dois anos sem direcção, a lista feminina de Maria dos Anjos tomou posse em 2010.“Foi uma associação construída sempre com o auxílio do povo, pessoas que se juntavam ao fim de semana para trabalhar, com empreiteiros e tudo”, comenta Maria dos Anjos. Actualmente a associação tem 484 sócios activos e dispõe de um ringue desportivo, instalações desportivas com balneários, assim como cozinha, bar, sala com palco para espectáculos e actividades e respectivos vestiários. Tem uma equipa de futebol sénior e um conjunto de actividades relacionadas com dança (danças latinas, ballet, danças de salão) e ginástica de manutenção. A associação já deu ainda algumas formações, como em primeiros socorros.Futsal dá visibilidade ao clubeÉ no futebol que o grupo tem feito mais sucesso. A equipa, um grupo de amigos da aldeia e arredores, já existia a título informal, sendo que os jogadores jogavam em equipas federadas da região. Com a entrada da lista feminina pediram apoio à nova direcção para que se pudessem federar. Um objectivo concretizado em 15 dias, com os jogadores a pagarem do seu bolso as despesas necessárias e a procurarem por si os restantes patrocínios. “Conseguiu-se, o povo ajudou e federámos a equipa”, comenta Ana Ferraz, delegada desportiva.São jovens entre os 18 e os 25 anos, um grupo de amigos que convive desde crianças, num total de 13 jogadores. Uma equipa jovem que arrasta atrás de si cerca de 200 pessoas, pois conta também com uma claque. “Os Ultra Ferrenhos são rapazes e raparigas com djambés e megafones, e só não levamos vuvuzelas porque não nos deixam”, refere animada Ana Ferraz. A equipa tem treinador mas nem sempre pode estar presente, pelo que são os jogadores que muitas vezes combinam as tácticas de jogo. O sucesso da equipa surpreendeu a própria direcção, assim como a adesão da população que acompanha o grupo. Afinal, a Sandoeira é uma aldeia! E, sem grandes apoios, são os jogadores que investem neles, na roupa e gastam a sua gasolina e os seus carros. Para se ser sócio do Grupo Desportivo Sandoeirense basta pagar seis euros por ano. O grupo está a finalizar uma página electrónica e tem facebook. Há o desejo da parte da direcção de fazer obras nos balneários e bancadas, ou equipar melhor a cozinha recém concluída, mas são projectos que terão que aguardar a chegada dos fundos necessários. Entretanto realizam-se torneios, actividades e convívios e a associação vai conseguindo algum dinheiro.“Às vezes abdicamos de certas coisas, mas fazemo-lo com gosto. A vida particular vai ficando para trás, mas faz-se tudo”, conclui Isabel Pereira.
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