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Moradores saem de sessão de esclarecimento sobre pedreira ainda mais preocupados

Moradores saem de sessão de esclarecimento sobre pedreira ainda mais preocupados

Comissão de moradores e autarcas querem ver dúvidas esclarecidas

Os populares de Arcena, freguesia de Alverca, concelho de Vila Franca de Xira, acorreram em massa à sessão de esclarecimento público sobre a exploração da pedreira, na quarta-feira, 20 de Abril, mas saíram do encontro ainda mais preocupados. A presidente da câmara, Maria da Luz Rosinha, sugeriu a criação de uma comissão para acompanhar o processo e esclarecer as dúvidas da população.

Edição de 27.04.2011 | Sociedade
Os moradores de Arcena - onde já existe um aterro sanitário que vai ser alargado e onde será instalada também uma pedreira, saíram ainda mais preocupados da sessão de esclarecimento público que decorreu no dia 20 de Abril, quarta-feira, na Casa do Povo de Arcena, freguesia de Alverca, concelho de Vila Franca de Xira. Numa sessão que durou perto de três horas os ânimos estiveram exaltados por diversas vezes. “Não há pedreira” foi uma das frases mais ouvidas ao longo da sessão. Um morador perguntou à presidente da câmara se a autarca gostaria de ter uma pedreira ao lado da sua casa ou se está a favor ou contra o povo. Maria da Luz Rosinha foi serenando os ânimos no esclarecimento que durou até às 23h00. Para a presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira é importante saber quais são os reais efeitos da exploração da pedreira de Arcena ao lado do aterro sanitário do Mato da Cruz e conhecer as alternativas aos aterros que existem para o tratamento de resíduos.O primeiro interveniente do público, Eduardo Pires, chamou a atenção para a exploração da pedreira ao lado de um aterro: “Não existe nenhuma experiência no mundo sobre o rebentamento de explosivos ao lado de uma área onde está localizado um aterro com seis milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos compactados com dificuldade”. Logo a seguir falou um representante da Quercus, Rui Berkemeier, especialista em resíduos, que ficou perplexo que a pedreira diste apenas 80 metros das casas. “Qual é a urgência deste projecto? Existem pelo menos 30 anos de material para explorar na outra pedreira da Cimpor, a do “Bom Jesus”, apontou o especialista que chamou ainda a atenção para as soluções alternativas de tratamento de resíduos que podem ser reciclados em unidades especializadas. Glória Cordeiro, do movimento cívico “Estado de Arcena”, destacou as vibrações que vão degradar as casas, os impactos negativos na paisagem, as poeiras que vão colocar em risco a saúde da população e a consequente desvalorização acentuada dos terrenos e das propriedades. “A câmara tem andado a passar licenças de construção e de habitação em toda a zona de Arcena e os moradores sentem-se enganados porque adquiriram um bem que agora vai ser deteriorado”, acrescentou Ana Oliveira. “Nas zonas mais próximas das casas conseguimos reduzir as vibrações para níveis que não vão afectar os moradores”, esclareceu Mário Bastos, da empresa responsável pela elaboração do projecto da pedreira. O responsável salientou ainda que a Cimpor tem um plano de recuperação paisagística e que a passagem de veículos pesados pelo centro de arcena vai ser minimizada graças ao recurso a um túnel que ligará a pedreira de Arcena à do “Bom Jesus”, localizada na freguesia de S. João dos Montes. Por sua vez Álvaro Gomes, representante da Cimpor, chamou a atenção para a sustentabilidade da fábrica de Alhandra: “A empresa quando comprou esta área pensou que a sustentabilidade da fábrica passava por aqui. É preciso pensar no Bom Jesus e Arcena para tornar a exploração viável”. Os moradores aproveitaram para chamar a atenção para os rebentamentos que ocorreram no dia 6 de Abril que obrigaram as crianças de uma escola a sair do estabelecimento e partiram os vidros de algumas casas. “Se um rebentamento na pedreira do Bom-Jesus foi bem sentido em Arcena então os rebentamentos que pretendem fazer mesmo aqui ao lado vão trazer ainda mais prejuízos”, alertaram. Maria da Luz Rosinha propôs a criação de uma comissão de autarcas e moradores para acompanhar o processo e discutir todas as questões levantadas. No dia 11 de Maio termina a consulta pública do estudo de impacte ambiental da pedreira de Arcena. Tendo em conta o relatório da consulta e o parecer de uma comissão, a Agência Portuguesa do Ambiente irá elaborar uma proposta de declaração do impacto ambiental que será remetida ao gabinete do Secretário de Estado do Ambiente para proferir a decisão até ao dia 27 de Julho.
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