Exímio Manuel Serra d’Aire
Exímio Manuel Serra d’Aire Quis associar-me à recente veia inauguradora do Governo ainda em funções e convidei três secretários de Estado para uma suecada em minha casa, onde num par de horas encetámos um novo baralho de cartas, abrimos um presunto e desrolhamos um garrafão de cinco litros. Claro que tive de escolher os governantes criteriosamente, pois na sueca não se pode falar e políticos contidos no verbo é coisa difícil de encontrar.Neste Maio de milagres e afins, surgiram as habituais trovoadas e com elas a enxurrada de políticos em aturada caça ao voto, uns apenas como candidatos, outros também como governantes. Foi tal o corrupio que é impossível descrevê-lo com rigor, mas tenho de confessar a minha perplexidade pelo número de inaugurações que se deram em Vila Franca de Xira no espaço de meia dúzia de dias. Ele foi centros de saúde, esquadras de polícia, quartéis de bombeiros... Pouco escapou à sanha dos corta-fitas e só faltou que a vetusta praça de toiros Palha Blanco fosse inaugurada outra vez.Farfalhudo Manel partilho da tua tristeza pelo anunciado abandono de Paulo Caldas da presidência da Câmara Municipal do Cartaxo. Depois de, ao longo dos anos, ter descartado alguns dos seus homens de confiança, depois de se ter desfiliado do Partido Socialista, agora o jovem e buliçoso autarca avisa que deixa a autarquia antes do fim do mandato. Tal e qual como fez o seu homólogo de Santarém, Moita Flores, há uns tempos. Aliás, essa é uma das coisas que mais me intrigam. Moita escreveu um romance passado no meio das vinhas e Caldas zás!, escreveu outro para afirmar a sua veia vitivinícola. Moita saiu da empresa Águas do Ribatejo e Caldas seguiu-o, deixando os camaradas socialistas boquiabertos. Moita é independente, então Caldas também passa a ser saíndo do PS. Moita exalta o seu passado de polícia, Caldas dorme com uma pistola na mesinha de cabeceira. Moita diz que sai da cena autárquica antes do fim do mandato para preparar a sucessão e Caldas faz o mesmo. Se eles fossem parecidos fisicamente, diria mesmo que estávamos perante os célebres irmãos Dupond e Dupont dos livros do Tintim.Não sei se achas este assunto uma “pintelhice”, usando terminologia tão cara ao ex-ministro Eduardo Catroga, ribatejano de Abrantes e homem de vocabulário antiquado. Hoje já ninguém diz “isso são pintelhices”. Porque as pilosidades estão fora de moda. Catroga se calhar ainda não teve tempo para reparar que já não há jogadores de futebol de bigode nem políticos com pelo na venta e hoje as mulheres (e, pasme-se!, até alguns homens) gastam balúrdios a erradicar a pilosidade das partes baixas e não só. Portanto essa dos “pentelhos” foi infeliz e não admira que a esposa do senhor tenha vergonha de sair à rua com ele.Um abraço depilado do Serafim das Neves
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