
O último dos neo-realistas homenageado com sessão de poesia
Arquimedes da Silva Santos completou 90 anos no dia 18 de Junho
Durante quase duas horas várias pessoas subiram ao palco do auditório da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira para declamar poemas de Arquimedes da Silva Santos. Houve ainda música pelo meio. O médico ficou sensibilizado com o tributo prestado.
Emocionado foi como ficou Arquimedes da Silva Santos depois da sessão de “Poesia de e para Arquimedes da Silva Santos” que decorreu na quinta-feira, 23 de Junho, no auditório da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, e que visou assinalar os 90 anos que o médico completou no dia 18 de Junho. Organizado pela Gente Viva - Grupo de Poesia do Ateneu Artístico Vila-franquense, a sessão contou com mais de 20 pessoas que durante quase duas horas declamaram poemas do último escritor neo-realista vivo do concelho de Vila Franca de Xira.Maria Gomes, poetisa de Vila Franca de Xira, que recentemente editou “O Guardião da Poesia - Poemas; O Amigo dos Segredos - Sonetos”, veio à sessão com os “Cantos Cativos” de Arquimedes da Silva Santos. Momentos antes lê alguns poemas para escolher os que vai declamar. “Vim porque estimo muito o Arquimedes. É um autor que tem muito para nos ensinar através das experiências de vida”, refere. Outro dos participantes mais entusiastas, José Canha, aproveita para dizer que o seu livro de cabeceira é “Cantos Cativos”. Levanta o exemplar para mostrar que já tem 44 anos e custou na altura 50 escudos na Guiné-Bissau. “É o meu missal, estão aqui grandes ensinamentos e recorro a ele sempre que preciso”, acrescenta o leitor que é vizinho do escritor neo-realista na Póvoa de Santa Iria desde a infância. Também a jovem poetisa Sara Timóteo, que publicou recentemente “Deixa-me Cantar a Floresta”, veio prestar homenagem não só a Arquimedes da Silva Santos, mas também à esposa Luísa. “Comecei a frequentar as tertúlias literárias a partir dos 18 anos e devo muito a estes dois senhores que me incentivaram a continuar, a estudar, a ler mais e a escrever”. Depois de declamar alguns poemas, Sara Timóteo cantará ainda uma música menos conhecida de Zeca Afonso, “Achégate a Mim Maruxa”. José Luís Outono que veio para a sessão desafiado por Sara Timóteo e também já publicou alguns livros de poesia aproveitou para referir que se a poesia deu a vitamina ao escritor neo-realista para chegar a esta idade, então também está no bom caminho. Foi neste ambiente descontraído que a própria esposa de Arquimedes aproveitou para cantar um poema do marido, tendo recebido uma grande ovação do público. Maria Celeste Formiga do grupo Gente Viva não deu descanso aos presentes que ia mandando para o palco sem permitir grandes discussões, mas sempre com uma boa dose de humor. “Estava doente e à minha casa veio o doutor Arquimedes. Só mais tarde vim a saber que era um médico da aldeia que era pago muitas vezes com géneros quando as pessoas não tinham dinheiro. Se eu soubesse mais cedo…”, conta entre risos a vereadora Conceição Santos da câmara de Vila Franca que marcou presença na cerimónia. Aproveitou ainda para chamar a atenção da escultura do médico da autoria do Mestre Francisco Simões que está presente na Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria e não irá deixar cair no esquecimento esta figura incontornável do concelho de Vila Franca de Xira. “Esta iniciativa deixou-me desvanecido e nunca pensei que fizessem isto”, confiou no final da cerimónia o homenageado. Arquimedes da Silva Santos aproveitou para confessar que a poesia o acompanhou sempre, especialmente antes de iniciar a profissão de médico que viria depois a tomar-lhe muito tempo. O médico relembrou a importância das dedicatórias que colocou sempre nos poemas e que, na sua opinião, os enriquecem. Por fim recordou alguns dos episódios que viveu com Alves Redol, o escritor que considera ainda “mais rico e profundo do que pensam a maioria das pessoas”. O médico do concelho, pioneiro nacional na área da pedopsiquiatria, foi também um importante pedagogo ligado à educação pela arte.

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