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A jóia do Futebol Clube de Alverca

Maniá é uma figura incontornável do Futebol Clube de Alverca, onde é massagista há 49 anos. Os 82 anos não o impedem de trabalhar diariamente para o clube onde passa a maior parte do tempo.

“Escreva Maniá”, indica o massagista Agostinho Teixeira Rodrigues, 82 anos. Desde que se lembra de ser gente que é tratado assim. Foi o pai que o baptizou já não sabe por que razão. De uma coisa o massagista do Futebol Clube de Alverca, concelho de Vila Franca de Xira, tem certeza e irá repeti-lo ao longo da conversa: “Sou filho do Futebol Clube de Alverca”. Maniá está sentado num banco a assistir às aulas de hóquei em patins e vai conversando com quem passa. Todos se metem com o velho massagista. “Olhe que o Maniá é a mascote do hóquei em patins”, refere a seccionista da equipa feminina, Florbela Cruz. Está no clube desde 1962, altura em que o chamaram para assumir o cargo de massagista da equipa de futebol. “Eu não percebia nada do assunto, mas lá acabei por responder ‘vamos lá embora então’”, conta para logo depois se levantar repentinamente. Vai mostrar o posto médico que está ao lado do ringue de patinagem. “Eu é que mando nesta sala. Sou o responsável máximo do posto médico”, diz com os dois braços abertos. É assim Maniá: sem papas na língua. Todos os dias está no Futebol Clube de Alverca. Em dias normais vem por volta das 20h00 e só sai quando os treinos de hóquei em patins acabam, lá para a meia-noite. Ao sábado dá assistência às aulas de karaté e a outras modalidades. O avanço da idade obrigou-o a deixar a equipa de futebol sénior do clube. “Não pode ser só o gosto que o leva aos 82 anos a continuar a trabalhar. Ganha bem?”, perguntamos. “Nem em sonhos vou dizer quanto é que ganho. Todo o dinheiro dá uma ajuda. O sangue do Futebol Clube de Alverca corre-me nas veias, isso posso garantir”, responde. Levou uma vida dura. No total eram nove irmãos e Maniá não chegou a concluir a quarta classe. Esteve numa fábrica em Sacavém, concelho de Loures, e mais tarde trabalhou numa fábrica da Póvoa de Santa Iria. Levantava-se às 5h00 para ir a pé de Arcena, freguesia de Alverca do Ribatejo, para a Póvoa e no final do trabalho ainda vinha para o Futebol Clube de Alverca. “Quando se tem gosto naquilo que se faz é fácil”, assegura. Era também bombeiro voluntário em Alverca. Na década de 60, durante as grandes cheias que assolaram a cidade, ao tocar a sirene dentro do quartel apanhou um choque eléctrico. Só acordou no dia seguinte quando já estava dado como morto. Há 55 anos que está bem casado. “O nosso amor não é como os de agora. É a sério e quando a minha mulher de 73 anos fica doente é um ai-jesus”, garante. Tem três filhos, nove netos e dois bisnetos. Nunca parou em casa e mesmo agora quando perguntam pelo Maniá já todos sabem onde está. No total soma já 14 operações. Quase não vê nada de um olho mas vai ser brevemente operado para recuperar a visão. Também está mal de uma perna, mas enquanto tiver forças continuará a trabalhar para o clube.Garante com orgulho que chega sempre com uma hora de antecedência quando acompanha a equipa de hóquei para fora. “Um dia quando morrer Alverca pára”, segreda. Ninguém duvida. É impossível não gostar do velho Maniá.

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