uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Alexandre Correia Leal

Alexandre Correia Leal

63 anos, médico, Tomar

De convicções fortes, é o espírito humanista que mais sobressai no carácter de Alexandre Correia Leal, médico que tem raízes em Frazoeira, Ferreira do Zêzere, estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e acabou por se fixar em Tomar. Foi com muito trabalho e pulso firme que traçou uma carreira de sucesso, constituindo em 1980, o grupo CRT - Centro de Radiologia de Tomar.

A minha paixão sempre foi a cirurgia. Trabalhei nesta área alguns anos. Ainda estudante de medicina já fazia bancos com o professor Diamantino Lopes, que era primo direito da minha mãe, no Hospital de Santa Maria. A cirurgia sempre me fascinou. O meu avô e o meu tio-avô também eram cirurgiões. Mas circunstâncias da vida levaram-me a optar pela imagiologia. Fiz a especialidade no Hospital de Santa Marta, onde o Prof. João Martins Pisco estava a dirigir o serviço. Nos anos 70-80 era um serviço de vanguarda, o único em Portugal onde se fazia Angiografia Diagnóstica e Terapêutica (angioplastia trans-luminal e embolização). A imagiologia contribui com uma importante parte do diagnóstico. Antigamente, o médico que via o doente tinha de se valer dos achados semiológicos para estabelecer um diagnóstico, tendo a radiologia um papel menos assertivo. Hoje a imagiologia é, em muitos casos, um meio de diagnóstico determinante tendo também um papel muito importante no follow-up de muitas situações, com destaque para as oncológicas. Entendo a medicina como tendo uma função multidisciplinar que deve contar com o envolvimento de profissionais de várias áreas. Têm que trabalhar com espírito de grupo, dentro de uma escala de hierarquia e disciplina. Alguns problemas que se passam actualmente resultam desta falta de visão. O doente tem que ser tratado como um todo. A nível do Estado e na saúde temos sido dirigidos por distraídos e impreparados. É fundamental criar centros de referência (2 ou 3 por área específica) que devem receber todos os casos de determinada patologia. Por exemplo, não é justo um doente não ser operado a uma neoplasia do esófago num centro de excelência, com pessoal diferenciado e com grande casuística. Devia ser obrigatório o encaminhamento de certas situações particularmente graves e com decisão e acção terapêutica complexas para centros que apenas se dedicam a essas patologias. É assim no mundo civilizado!O grupo CRT, em Julho de 2008, foi englobado no grupo multinacional Euromedic que tem consultórios em França, Suíça, Itália, Grécia, Roménia, Turquia e Hungria. Entendemos que, pela dimensão que tínhamos atingido, poderíamos ir mais longe, situação que foi vantajosa para nós. Deste modo, já não há grupo CRT propriamente dito. Mas mantém a qualidade e os critérios de exigência e diferenciação tecnológica porque fui convidado pelo presidente do grupo Euromedic para ser o director clínico nacional de todas as unidades no país. O objectivo é replicar o modelo de funcionamento do grupo CRT. O próximo passo será todas estarem ligadas por um sistema informático e plataforma de transmissão de imagens comum. Estamos ainda a implementar processos de auditoria clínica e de relatório tipificado.Tomar acolheu-me muito bem e hoje considero-me um tomarense. Começou por ser uma terra de passagem para a Frazoeira, Ferreira do Zêzere, e que visitava alguns sábados de manhã. Hoje tenho a confortante sensação de que sempre aqui estive.Gosto de viajar. Tenho pouco tempo livre e gosto, nessa altura, de “ter tempo” para não fazer nada! Gosto de praia. No nosso Inverno procuro-a noutros países. Fico ausente por curtos períodos. No final de Agosto, início de Setembro, vou para o Algarve com a minha mulher, filhos e netos. Quanto mais temos, em termos materiais, mais obrigação temos de ser solidários com os mais desfavorecidos e com instituições de mérito que não têm dinheiro. Sinto a obrigação moral de incentivar, apoiar e contribuir para a construção de uma sociedade melhor, mais justa e com mais conhecimento. Só a aposta no conhecimento mudará o país. Elsa Ribeiro Gonçalves
Alexandre Correia Leal

Mais Notícias