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Um amor à primeira vista

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Odete Rovisco, concessionária da Estalagem Santa Iria, Tomar

Nasceu no lugar da Barreira, freguesia da Serra de Tomar, a 21 de Maio. Com quinze anos já geria sozinha a taberna que o pai tinha e tomava conta dos irmãos. Mais tarde foi para Lisboa aperfeiçoar os conhecimentos em hotelaria. Há 20 anos que explora a Estalagem de Santa Iria, localizada numa ilha no centro de Tomar.

Edição de 14.09.2011 | Três Dimensões
Fui criada no rio e na restauração. A relação com a hotelaria começou na minha família, após a barragem do Castelo de Bode encher, quando o meu pai teve a “visão” de comprar alguns terrenos na ilha do Lombo. Começou por abrir uma taberna e depois abriu uma estalagem. Mais tarde comprou um barco que tem o meu nome, Maria Odete, e que ainda hoje existe. Começaram a vir excursões de vários pontos do país e, aos 20 anos, fui para a escola hoteleira em Lisboa profissionalizar os meus conhecimentos.Tinha quinze anos, o meu pai ia cavar para o Castelo do Bode, e deixava-me responsável pela taberna. Achava muita graça a uma coisa que ele me dizia: “Maria Odete não te fies no que os homens dizem, eles nem sempre dizem a verdade”. Ajudou-me a ser uma mulher que não cai à primeira cantiga. Desde muito nova que assumi grandes responsabilidades. Para além de tomar conta do negócio ainda olhava pelos meus irmãos mais novos para cuidar que não se afogassem no rio.Não gostava nada de estudar. Só queria trabalhar. Se me mandassem lavar roupa para o rio era uma alegria. Lavar roupa e passar a ferro. Só quando o meu pai abriu a estalagem é que me mandou ir estudar de novo, para a escola hoteleira de Lisboa. Mas, entre os 15 e os 17 anos, andei na costura. Nessa altura, era costume para as raparigas. Cosia e fazia a minha roupa e a dos meus irmãos. São experiências de vida engraçadas. Sair da aldeia e ir para Lisboa foi um pesadelo. O meu pai tinha lá uns primos e fui viver para casa deles. Tive que aprender uma vida diferente, porque na ilha vivíamos praticamente sozinhos. Nunca convivi muito com outros jovens. Só no Inverno é que estávamos mais com os nossos amigos. Acabei por ficar dez anos na capital. O meu estágio foi feito nesta estalagem com o Sr. Severino que era o concessionário na altura. Antes, tirei a carteira de cozinheira de primeira categoria, após ter trabalhado num restaurante.Conheci o meu marido no comboio e foi amor à primeira vista. Mudámos de comboio na estação do Entroncamento, combinámos um encontro em Lisboa e foi assim que tudo começou. Já tinha acabado o curso e estava a trabalhar. Quando somos jovens e vamos da terra para outro local não pensamos em nada. Mas temos cá a nossa família e a ideia de regressar surgiu. Voltei, casei na estalagem do meu pai e passados seis meses já estávamos lá a trabalhar. O meu marido (Manuel Rovisco) trabalhava na Casa da Moeda. Adaptou-se muito bem á hotelaria. A certa altura alguém nos falou que a (extinta) Pensão Nun’Álvares, em Tomar, estava para trespasse. Entrámos em conversações e acabei por ficar com ela, adquirindo uma grande experiência na organização de casamentos e baptizados. Valeram-me os conhecimentos que adquiri num restaurante onde trabalhei e onde também se faziam festas com mais de 600 pessoas.Servi um almoço ao Dr. Freitas do Amaral, onde estavam 1500 pessoas, na véspera da minha filha mais nova nascer . Na altura, tinha a Pensão Nun’Álvares e o almoço foi servido nos pavilhões da FAI. O médico disse-me que a menina ia nascer no dia 4 de Janeiro e eu disse-lhe que não podia porque tinha uma feijoada no dia 7. No fim de terminar o almoço senti que a criança se estava a preparar para nascer. Fui verificar se estava tudo preparadoTenho funcionários maravilhosos. Os patrões têm que dar o exemplo e fazer de tudo. Acho que não sou exigente com eles até porque me chamam madrinha. Temos que trabalhar todos como se fossemos uma família. Somos dez ao todo. O meu filho mais velho trabalha comigo. O meu dia de trabalho começa mais cedo ou mais tarde, depende das responsabilidades que tenho. Organizo o meu dia de trabalho sempre de véspera. Elsa Ribeiro Gonçalves
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