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Paula Araújo faz da escrita uma forma de superar os momentos difíceis

“O que eu escrevo é também o rosto do que eu vivo”, diz a professora e escritora

Paula Araújo é natural de Lamego mas mora em Riachos, trabalhando como professora de Inglês na Chamusca. Casada e com dois filhos, iniciou-se na escrita em 2004, quando lançou um primeiro livro baseado nos incêndios na Chamusca. A sua nova obra, o livro de contos “Histórias Sem Idade”, é o passo ambicioso para o mundo literário, no qual deseja vir a cumprir os seus sonhos.

Paula Araújo fala com entusiasmo e energia dos seus planos e da digressão que está a organizar pela região para promover o seu novo livro, “Histórias Sem Idade”. Tudo partiu do seu empenho: a edição, os contactos para apresentações, a promoção da obra. Assim vai conquistando o seu espaço e os seus leitores, sem esconder o desejo de um dia ganhar mais projecção no panorama literário nacional.“Sou uma escritora intermitente”, começa por revelar, numa conversa sem ruídos num jardim de Riachos, no primeiro dia de Outono. Paula Araújo refere que só consegue escrever em tempos de crise, pessoal ou profissional, nos momentos mais difíceis da sua vida. Assim foi em 2004, quando a morte da mãe de uma aluna num incêndio na Chamusca a levou a escrever o livro “Cumpriu-se a sentença do Céu” e um conjunto de contos que agora reuniu no livro “Histórias Sem Idade”. “O que eu escrevo é também o rosto do que eu vivo em crise”, refere.A nova obra é “uma colectânea de 10 contos infanto-juvenis para todas as idades”, explica, referindo que são pequenas histórias “que nos transmitem lições de moral, dão voz a coisas que não damos muita importância na nossa vida”. E “são contos que também têm alguma da minha experiência de vida”.Assim é Paula Araújo, que não se contentou em ter o seu livro editado e tem procurado divulgá-lo um pouco por todo o distrito de Santarém e Leiria. Na calha, aguardando outras oportunidades, estão três romances nos quais quer apostar. A carreira no ensino já teve melhores dias, comenta, e o que ganha pouco ajuda à sua subsistência. A entrada no mundo literário é também uma forma de procurar um percurso profissional alternativo que a ajude financeiramente.Por isso não pára, de Ourém a Almeirim, Constância ou Santarém, apresentando-se em feiras do livro, em livrarias e procurando afirmar-se num mundo “competitivo” e onde é necessário ganhar nome e dimensão. “Quero passar por todo lado e não recebo nada por tudo isto. A ideia é dar um pouco de mim e passar a mensagem que a leitura é importante para as pessoas, abstraindo-as por momentos da realidade”.A desilusão de uma professoraAfirma que a sua literatura emociona quem lê porque tem muito de seu e os leitores reconhecem as suas palavras. Aos 15 anos já escrevia, chegando a ganhar concursos escolares, mas com 20 anos enveredou pelo caminho académico e deixou os projectos literários de lado. A morte da mãe da aluna marcou-a e sentiu necessidade de “transmitir aquilo que via, a minha Chamusca plenamente destruída”.Os restantes contos que escreveu na altura e que só agora apresenta são pequenas lições de vida que brincam com o mundo de sonho das crianças e o universo dos adultos, baseados nas suas experiências pessoais. “Sempre fui uma criança e uma jovem insegura, vivi o trauma que o meu pai trouxe da guerra do Ultramar. Nunca houve fartura, perdi um irmão e isso marcou toda a minha juventude”, revela.Com humildade e alguma ambição comenta que acredita poder vir a ter algum impacto e deixar a sua marca, pelo menos a nível local. Mas “primeiro tenho que me tornar conhecida”. Escreve num recanto pacato da casa, ao computador, desenrolando as suas ideias sem descanso. A inspiração retira-a dos elementos mais banais do dia-a-dia, desde um urso de peluche do filho a duas moscas deambulando pela casa. “Eu vivo com o que escrevo, eu choro com o que escrevo e penso que os leitores podem sentir o mesmo”, diz. “É com grande desgosto que me vejo pior que no princípio da minha carreira profissional como professora e o que me levou a escrever foi também isso. A possibilidade de ter que começar novamente do zero depois de ter passado pela certeza de ter a vida organizada”.Uma digressão de afectosPaula Araújo está na estrada, percorrendo todo o distrito com o seu livro “Histórias Sem Idade”. A par destas apresentações, inicia a 19 de Outubro uma digressão chamada “Ser+Igual” que visa levar a colectânea de contos até aqueles que habitualmente não têm contacto com escritores. “Uma digressão de afectos e muito carinho”, que apresenta a obra a instituições de solidariedade e lares de idosos.A ideia é chegar a muitas mais instituições, mas por agora tem em agenda uma apresentação no Centro de Solidariedade Padre José Filipe Rodrigues (19 de Outubro às 15h00), na Zibreira, Torres Novas, e no Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento (a 26 de Outubro, às 14h30). Aguarda que outras instituições de solidariedade respondam ao seu pedido, integrando a iniciativa “Ser+Igual”.

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