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“Os animais não sabem da existência da troika nem da crise”

Dia Mundial do Animal celebra-se anualmente a 04 de Outubro

O MIRANTE foi ouvir algumas pessoas que lidam diariamente com animais e com donos de animais. Uma deles disse a frase que dá titulo a esta pequena introdução quando a interrogámos sobre os efeitos que a crise económica poderá ter na qualidade de vida dos animais de estimação. Outras referiram a responsabilidade que os donos dos animais têm. E se os animais são nossos amigos e dependem de nós, temos que os proteger, acarinhar, tratar e alimentar.Foi decidido celebrar o Dia Mundial do Animal em 1931 durante uma convenção de ecologistas em Florença, Itália. A escolha teve em conta o facto do dia 4 de Outubro ser o dia de São Francisco de Assis, o santo padroeiro dos animais.O Dia Mundial do Animal é celebrado em várias países, através de várias eventos e iniciativas. Os principais objectivos são, sensibilizar a população para a necessidade de proteger os animais e preservar todas as espécies; mostrar a importância dos animais na vida das pessoas e celebrar a vida animal em todas as suas vertentes.

Jorge Malha, GADIVETE, Santarém“Os donos de animais têm cada vez mais consciência da sua responsabilidade” A GADIVETE, loja de produtos veterinários, mudou de localização e situa-se agora na praceta Joaquim Gonçalves Isabelinha, na avenida do Hospital de Santarém. O proprietário, Jorge Malha, explica que a mudança se deveu à necessidade de procurar um espaço que oferecesse melhores condições de estacionamento aos clientes. Um pouco escondido, sim, mas mais amplo e de acordo com as necessidades daqueles que o procuram.Na loja pode-se encontrar todo o tipo de produtos para animais, assim como roedores, peixes e pássaros para venda. João Malha não vende gatos nem cães porque afirma existirem na região muitos criadores aos quais os clientes se dirigem quando querem um animal de maior porte. A crise nota-se no sector animal mas é sobretudo na área dos grandes animais de produção, comenta Jorge Malha. Por outro lado, refere “cada vez mais as pessoas têm mais consciência das responsabilidades de ter um animal ao seu cuidado”. Margarete Cruz, Clínica Veterinária Bonacheirão, Fazendas de Almeirim“Foi com o cão Sebastião que nasceu a vontade de ser veterinária”Aberta há seis anos em Fazendas de Almeirim, na Clínica Veterinária Bonacheirão de Margarete Cruz fazem-se desde consultas, vacinações, tosquias, cirurgias, etc. “Todo o acompanhamento médico-veterinário”, refere a proprietária. A clínica tem uma mascote. Trata-se de uma cadela encontrada abandonada que foi trazida por algumas pessoas idosas e que ficou ao cuidado de Margarete Cruz.Aparecerem animais abandonados é algo frequente, comenta a veterinária. “São situações complicadas”, apesar de notar que actualmente as pessoas se esforçam para tratar dos seus animais de estimação. A crise sente-se, afirma, mas quem tem animais continua a visitar a clínica. Pedem informações, procuram estar conscientes das necessidades do seu animal. “Nota-se mais consciência”.O animal que marcou a vida de Margarete Cruz foi um cão lavrador, chamado Sebastião. “Foi-me dado já adulto. Vinha de uma quinta e foi-me entregue a mim. Era um cão espectacular”. Aí nasceu o seu interesse pela área. João Cláudio, Clínica Veterinária São Francisco de Assis, Santarém“Os animais não sabem da crise nem da troika”“O dia 4 de Outubro, dia do Animal, é o dia de São Francisco de Assis. Santo que abdicou da vida de luxo para ir viver para a floresta onde viveu em comunhão com a natureza e os animais. Foi ele que criou o primeiro presépio”, explica o veterinário João Cláudia para que se perceba que o nome da sua clínica não foi escolhido ao acaso. “O animal é também uma arma, alguém que nos acompanha e que é sempre fiel, que nos motiva e que pode ser a nossa tábua de salvação”.No seu espaço em Santarém, a Clínica Veterinária São Francisco de Assis, oferece serviços de medicina interna e cirurgia. Mas mais que falar sobre a sua relação com os animais, João Cláudio prefere sublinhar a importância destes no mundo e na relação que desenvolvem com as pessoas e nas suas vidas. “Os animais não sabem que existe a crise ou a troika. Eles são os únicos que estão sempre presentes, dão companhia e não nos cobram impostos. Por isso nos comprometemos a tomar conta deles”, refere.Maria João, Centro Veterinário Encosta dos Maias, Tomar“O gato com insuficiência real crónica que não se salvou”A veterinária Maria João decidiu enveredar pela área após ter conhecido a cadela Doki. “Era agressiva e teve que ser dada para uma quinta porque eu vivia num prédio e ela atacava os vizinhos”, lembra. “Durante anos fui vê-la, reconhecia-me sempre e nunca me fez mal”. Apesar de tudo, comenta que o gosto na veterinária nasceu a partir da paixão pela ciência e pela investigação, à qual aliou o carinho de pequena pelos cães, gatos, peixes e tartarugas que tinha em casa. Actualmente possui um espaço para animais em Algarvias, concelho de Tomar, onde presta todo o tipo de serviços de apoio, desde consultas, raio-x, ecografias, cirurgia, etc. “Custa-me sobretudo quando tenho que induzir dor aos animais”, relata, ao mesmo tempo que coloca a soro um gato malhado, que rosna ameaçador com o cuidado. “Já tive vários casos difíceis, uma vez até um gato com insuficiência renal crónica. Custou-me bastante pela ligação que tinha à proprietária”. “Não se salvou, mas muitos salvam-se”.Não nota a crise no sector dos animais. “Vejo que as pessoas que não podem acabam por arranjar outras formas de pagar, nem que seja a prestações”.Regina Gonçalves, Koalaverde, Póvoa de Santa IriaComeçaram a criar canários e abriram uma lojaNa loja de animais de Regina Gonçalves não se vendem cães e gatos ou animais de maior porte. “As condições exigidas são muito limitadas para animais como esses que devem estar num espaço mais aberto. Aqui ficariam isolados, com pouco espaço”, explica. A loja vende contudo rações próprias para esses e outros animais e todo o tipo de produtos, tendo ainda para venda roedores, peixes e aves. Fazem-se ainda banhos e tosquias.Ao contrário de muitos dos inquiridos, o gosto de Regina Gonçalves pela área dos animais surgiu já na idade adulta. Esta e o marido começaram a fazer criação de canários e acabaram por abrir uma loja. Hoje têm um espaço mais variado na Póvoa de Santa Iria e dois cães, Dani e Simba.Surgem todo o tipo de pedidos na loja, até para cobras e tarântulas, espécies que Regina Gonçalves não vende. A crise ainda não se sente, até porque, como refere a proprietária, os animais têm que continuar a comer. “Há ainda sempre aquela tendência de tentar vender aquele animal que se criou. Não aceitamos. Gostamos de saber a origem do animal para sabermos o que estamos a vender”. Maria Júlia Blauth, SOS VET, Marinhais“A chave para o problema está na diminuição da procriação”No espaço de Maria Júlia Blauth, a SOS VET, em Marinhais, tratam-se sobretudo pequenos animais, prestando-se serviços de cirurgia geral, Raio X, ecografia, banhos e tosquias. A proprietária conta que já passaram pelas suas mãos muitos casos difíceis, não se recordando de nenhum que a tenha marcado em particular. A paixão pelos animais vem de pequena, pois em sua casa já cuidava de cavalos e cães. “Ainda tenho a minha égua velhota, a Cascata, que já tem 27 anos”.Num tempo de crise, Maria Júlia Blauth afirma que gosta de propor às pessoas com dificuldades soluções. “A comunicação social assusta-as tanto com os problemas que podem vir no futuro, que as pessoas se retraem de tudo. Às vezes já estão a pensar em abandonar os animais”.Encontrar crias abandonadas, até dentro de sacos, é um cenário que a veterinária conhece. “A chave está nas pessoas aprenderem a não deixar que os animais se reproduzam tanto. Essa é a solução”.Gabriela Matos, VETCOR, Coruche“O meu trabalho não me dá tempo para ter animais ou filhos”“Não foi tanto uma paixão. Ser veterinária foi uma carreira que surgiu, tendo em conta as minhas notas. O resto foi dedicação, sacrifício e sacerdócio. Tem sido noite e dia, todos estes anos”, conta Gabriela Matos. Sempre ocupada e com pouco tempo de descanso, refere que toda a sua carreira tem sido de trabalho intenso e quase sem férias.No espaço que dirige, em Coruche, já tratou de todo o tipo de casos, tantos que tem dificuldade em recordar-se de um em particular. “Há casos que nos preenchem, mas não se pode ser veterinária com memória. Só podemos recolher as aprendizagens e seguir em frente”.A VETCOR disponibiliza serviços de clínica geral, ortopedia, endoscopia, entre outros. Gabriela Matos chegou a ter um gato, mas acabou por fugir. “Não há tempo para ter animais e filhos, é preciso tempo e dedicação e torna-se muito difícil”, explica.Diz que se notam os efeitos da crise mas afirma que há também mais consciência cívica da parte das pessoas e que estas já não abandonam tanto os animais. Mas há sinais que indicam uma nova situação. “De um momento para o outro há pessoas que deixam de se realizar as profilaxias e é aí que se nota que os tempos estão difíceis para as economias dos clientes”, explica.Sandra Gomes, Anizoo, Tomar“Marcada pelo roubo do papagaio”Na loja de Sandra Gomes, a “Anizoo”, é fácil encontrar crianças enternecidas a olharem para os cães e gatos para venda. O espaço foi, durante muito tempo, conhecido pelo papagaio que estava sempre ao balcão e que se metia com os clientes. “Era um pequeno papagaio domesticado que fazia as delícias de quem nos visitava. Esteve comigo oito anos. Um dia, numa pequena distracção minha, alguém entrou na loja e roubou-o”, lamenta a proprietária.Apesar de ser uma amante de animais e ter em casa desde gatos, cães ou porcos da índia, Sandra Gomes tirou um curso de gestão e nunca pensou ter uma loja de animais. Para além de todo o tipo de produtos para animais, ainda se realizam ali limpezas de aquários, banhos e tosquias. “Por vezes os animais não nos deixam tocar neles mas assim que os colocamos na marquesa portam-se muito bem. E depois é agradável vê-los passar pela loja e quererem entrar”.Com a crise, Sandra Gomes nota as pessoas deixaram de comprar animais por impulso e estão mais cientes das responsabilidades em adquirir um bicho de estimação. As rações também saem menos, vendendo-se as mais económicas. “A pessoa que compra pede mais informação, tem mais consciência do seu acto e compram porque gostam mesmo dos animais”.

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