
A vigilante das piscinas de Ourém
Sónia Sousa diz que a prevenção é essencial para evitar situações problemáticas
Aprendeu a nadar sozinha aos 25 anos. Foi observando as aulas dos mais pequenos nas piscinas, foi experimentando por sua conta, com algumas dicas dos colegas, e assim aprendeu a nadar.
Residente em Ourém, Sónia Sousa trabalha há 12 anos nas piscinas municipais da cidade. Começou de baixo, como auxiliar de serviços gerais, e foi subindo no interior da instituição até ascender à categoria de vigilante das piscinas. Tem alguma formação enquanto nadadora salvadora e afirma que o melhor da sua profissão é sentir que as pessoas se sentem mais seguras na sua presença.Aprendeu a nadar sozinha. Aos 25 anos, quando começou a trabalhar nas Piscinas Municipais de Ourém, não sabia como comportar-se dentro de água e lembra-se da pena que sentia quando estava na praia e não podia ir mais longe no mar. Foi observando as aulas dos mais pequenos nas piscinas, foi experimentando por sua conta, com algumas dicas dos colegas, e assim aprendeu a nadar. “É preciso apenas ter força de vontade, ter gosto. E eu também não tinha medo, atirava-me para dentro de água. Mas só com os anos é que a pessoa se vai aperfeiçoando e aprendendo a comportar-se na água”.Tem o 9º ano de escolaridade, que completou pelo ensino nocturno. Nas Piscinas de Ourém iniciou-se nos serviços gerais. “Fui evoluindo”, refere, indicando que sempre teve interesse e gosto pela água. Há cerca de dois anos surgiu uma formação de nadador salvador e decidiu experimentar. Não conseguiu concluir todos os requisitos, tendo no entanto as competências necessárias para trabalhar enquanto vigilante de uma piscina, cargo que hoje ocupa.Foram 29 dias de formação intensa, dentro de água, tanto na piscina como no mar. “É muito puxado”, constata, afirmando que teve que aprender um pouco de tudo, como o suporte básico de vida. “Foi muito complicado”.Enquanto vigilante já viveu bons e maus momentos. “No geral, todo este trabalho é bastante positivo, desde que haja prevenção. Desde que quem vigia esteja atento, preveja o acidente e avise a pessoa, as coisas evitam-se. É prevenir, prevenir, prevenir”. Mas “uma vez uma menina de dois anos foi empurrada para a piscina por outra criança. Como tenho um filho pequeno estou sempre atenta. No momento do incidente, a gente não pensa. É saltar para dentro de água, agir. Quando há rapidez e a pessoa não se afoga, toda a situação passa a ser apenas um susto”.Para se ser um bom vigilante, reforça, tem que se estar atento a tudo. “Pois a pessoa até pode saber nadar, mas eventualmente cansar-se dentro de água. Ver se a pessoa caiu bem na piscina, se consegue mover-se bem na água”, afirma. “Nós somos muitos, há sempre vigilantes em pontos estratégicos e vamos olhando para a zona da piscina. Estamos todos em sintonia”.Agosto é o mês que traz mais frequentadores ao espaço, principalmente nos dias de muito calor. A consciência para o perigo é hoje outra. “Na minha época não era tanto assim, era fácil encontrar pessoas como eu que aos 25 anos não sabiam nadar. Mas hoje quase toda a gente sabe devido à acção das escolas e também à existência destes equipamentos. No meu tempo, a piscina mais próxima era em Torres Novas”. Por isso, “a nível de piscina, as pessoas hoje têm mais noção dos perigos. Preocupam-se em conhecer bem o espaço, em saber qual a profundidade e os seus perigos”, afirma. “Antigamente havia mais falhas nesse aspecto”.“Julgo que esta é uma profissão ingrata”, afirma Sónia Sousa quando a questionam sobre as suas ambições profissionais. “E quando digo ingrata refiro-me ao facto de ser necessário possuir determinada condição física para a exercer, condição essa que vamos perdendo com a idade. Chegamos a um ponto em que já não temos condições de praticar esta actividade pois é difícil em termos físicos”. Enquanto esse dia não chega, “temos que nadar todos os dias, manter-nos em forma, para estarmos sempre preparados a todos os níveis para fazer um salvamento”. Já alguma vez pensou em mudar de profissão? “Já pensei no que é que vou fazer quando não puder exercer esta profissão. Assusta-me um pouco. Tenho que pensar no que poderei fazer em alternativa, talvez estudar. Gosto muito desta profissão, deste ambiente. Se não puder permanecer como vigilante, ao menos que consiga estar na retaguarda”.

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