
Debate político volta a descer de nível na Assembleia Municipal de Santarém
Moita Flores acusado por líder da bancada socialista de recorrer ao insulto e de não saber lidar com a divergência e a liberdade de expressão
“Miserável”, “amoral”, “demagógica” e “populista”. Foi desta forma que o presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), adjectivou uma intervenção do eleito socialista Carlos Nestal na última sessão da assembleia municipal e que levou este a pedir ao presidente da mesa da assembleia, Pinto Correia (PSD), para não voltar a permitir esse tipo de intervenções.Carlos Nestal, líder da bancada socialista na assembleia e candidato à liderança da concelhia de Santarém do PS, desafiou alguns presidentes de junta a pronunciarem-se sobre projectos anunciados para as suas freguesias há alguns anos pelo presidente da câmara e que nunca se concretizaram. Casos da nova estrada para Alcanede, da mega unidade de cuidados continuados para Achete ou das piscinas de Amiais de Baixo.Ao repto respondeu Moita Flores acusando Nestal de, “sem um pingo de dignidade”, vir “apelar à insurreição” contra o presidente da câmara, referindo que alguns desses projectos estavam inseridos no programa de contrapartidas Ota-Alcochete assinado com o anterior Governo socialista “que deixou o país como deixou”. “O Governo deixou esses projectos na gaveta e não sabemos porquê, porque não nos explicou”, referiu o presidente da Câmara de Santarém, acrescentando esperar que o novo Governo retome esses compromissos “em tempo útil”.A intervenção de Moita Flores, que foi muito aplaudida pela bancada do PSD, suscitou resposta contundente de Carlos Nestal, que acusou o presidente da câmara de “não saber viver em democracia nem com a liberdade de expressão”. “O sr. presidente usa demasiado o insulto mas não é por isso que passa a ter razão”, afirmou, acrescentando que aguardava um pedido de desculpas que acabou por não chegar.Nestal sublinhou que a sua intervenção anterior, que dera origem à polémica, devia ser encarada como normal no contexto em que tinha sido feita. “Esta é uma assembleia municipal, que tem obrigação de fiscalizar o trabalho do executivo camarário. Aprendam a viver com isso, porque viver em democracia é aceitar a divergência e a liberdade de expressão”.O líder da bancada socialista dirigiu-se ainda ao presidente da assembleia, Pinto Correia (PSD), pedindo-lhe que “seja de uma vez por todas presidente desta assembleia e não permita esse tipo de intervenções”. Na resposta, Pinto Correia disse que não aceitava esse tipo de repreensão. “São critérios meus e não admito que os questione dessa maneira”, concluiu.

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