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Vice-presidente da Câmara do Entroncamento demite-se alegando que lhe foi retirada autonomia

Vice-presidente da Câmara do Entroncamento demite-se alegando que lhe foi retirada autonomia

Decisão tomada numa reunião dos eleitos do PSD convocada para forçar a sua demissão

O presidente da câmara, Jaime Ramos, confirma que entre ele e João Fanha Vieira não havia convergência no trabalho. Paula Costa passa a vice-presidente e Kelly Silva, que entra para substituir o autarca demissionário, não fica a tempo inteiro.

Divergências insanáveis com o presidente da câmara estiveram na origem da demissão do vereador da Câmara Municipal do Entroncamento, João Fanha Vieira (PSD), que exercia, desde o início do actual mandato, o cargo de vice-presidente. O autarca disse a O MIRANTE que vai reocupar o seu lugar de professor na Escola Rui de Andrade. “Não gosto dos métodos que estão a ser usados pelo presidente e discordo de muitas decisões que têm sido tomadas. Há pessoas que conseguem viver bem com situações deste género mas não faz parte do meu feitio fazê-lo e há algum tempo que a situação se vinha agudizando”, declarou. A demissão foi apresentada ao presidente da autarquia, Jaime Ramos, numa reunião de trabalho dos vereadores da maioria PSD, realizada na sexta-feira, cujo único ponto era a definição da situação de João Fanha Vieira e foi formalizada na manhã de segunda-feira após a reunião do executivo municipal onde o assunto não foi abordado, nem pelos eleitos do PSD, nem pelos vereadores da oposição (2 PS e 1 do BE).Em declarações a O MIRANTE, o presidente da câmara confirmou que tinha convocado a reunião dos vereadores da maioria para colocar a João Fanha Vieira a questão da demissão. “Somos uma equipa. Não havia convergência no trabalho e a situação era insustentável”, afirmou, realçando o facto de não existir qualquer divergência política entre ambos, posição que é corroborada pelo demissionário, que diz ir manter a sua filiação no PSD. João Fanha Vieira, que integrou a lista de Jaime Ramos nos três últimos mandatos, afirma que as divergências sobre a forma de actuar do presidente têm algum tempo. “Há três anos, perto do final do mandato anterior, cheguei a pedir-lhe a demissão mas tal não se concretizou. Depois das últimas eleições houve alterações a nível da equipa e dos pelouros e pensei que as coisas iriam correr melhor mas afinal pioraram”, disse.O vice-presidente demissionário queixa-se de lhe ter sido retirada autonomia a pouco e pouco. “Demiti-me porque começava a sentir falta de ar. O presidente passou a intervir em tudo. Passou a ser omnipresente. Antes eu tinha autonomia e a confiança dele. Fui eu sozinho que fiz a carta educativa do concelho. Fui eu que implementei a primeira fase dos transportes urbanos. Fui eu que implementei um novo sistema de recolha de resíduos e alterei a situação a nível das zonas verdes. Nos últimos anos tudo mudou. Na segunda fase dos transportes urbanos ele interveio e alterou todo o meu trabalho. Nas situações relativas à educação nem sequer sou ouvido e até parece que o sector do ensino só começou a funcionar depois da entrada da drª Paula Costa na vereação, isto só para dar alguns exemplos”, acusa.O presidente da câmara mostra-se surpreendido com as alegações. “Nunca houve nada que ele propusesse que eu não votasse e ele nunca me disse que votava forçado, em nenhuma ocasião. Somos uma equipa. Isto, desculpem-me o termo, não é uma carneirada”. E acrescenta: “Não sou capaz de fazer nada que não seja partilhado. Desde que estou na política e já antes no associativismo nunca saiu nenhum elemento de uma equipa minha, a meio. Orgulho-me disso. É a primeira vez que tal acontece”. Jaime Ramos situa o início “da falta de convergência” em termos de trabalho com o vice-presidente em Janeiro de 2010, altura do falecimento da esposa de João Fanha Vieira, Florbela Matos Rosa Fanha Vieira. Mas realça o facto de uma situação compreensível se ter arrastado demasiado no tempo. “Temos uma responsabilidade para com os munícipes. Temos que trabalhar diariamente e de dar as melhores respostas”. O vice-presidente há alguns meses que tem um novo relacionamento amoroso. A vereadora Paula Costa vai ser a partir de agora vice-presidente. Kelly Costa, que figura em quinto lugar na lista de candidatos do PSD vai ser contactada para ocupar o lugar vago mas não é intenção do presidente da câmara dar um lugar a tempo inteiro.”Estamos numa altura de contenção de despesas. Vou aproveitar esta situação para termos menos um vereador a tempo inteiro”, disse a O MIRANTE.
Vice-presidente da Câmara do Entroncamento demite-se alegando que lhe foi retirada autonomia

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