
A união que faz a força da família Marto
Vencedor do Galardão Carreira Empresarial é adorado pela família
No dia em que o António Marto recebeu o galardão Carreira Empresarial, a esposa, Fernanda Marto, que esteve sempre a seu lado desde que com ele casou em 1954, confessou a O MIRANTE que ao prémio daquele dia juntava de boa vontade o prémio de “excelente marido”, que sempre foi. As filhas, Cristina e Clara Marto, transbordantes de alegria acrescentar-lhe-iam outra distinção: a de “pai super-protector”.Com tantos elogios, o veterano empresário deve ter subido ao palco para receber o galardão com as orelhas bem quentes. “Ele teve sempre uma cabeça fantástica”, refere, orgulhosa a esposa comentando a distinção. “Não sei se há pessoas que merecerão mais do que ele mas estou satisfeita por isso e muito agradecida” afirma. As filhas dizem que foi uma surpresa, não porque o pai não fosse merecedor, mas pela postura discreta que sempre assumiu. “Não gosta de se deixar fotografar, nem gosta de aparecer”, salienta Clara. “Mas foi uma surpresa boa”, afirma a irmã desta. “Temos muito orgulho no meu pai e na minha mãe”, conclui.De sorriso fácil, as duas irmãs dizem que o pai não gosta de falar de si. Prefere entrevistar a ser entrevistado, mas nada que o impeça de ser um homem afável no trato, com uma genuína simplicidade e sentido de humor cativantes. Características de uma personalidade que deixou bem patentes durante os breves instantes em que esteve à conversa com O MIRANTE à entrada da sala onde decorreu o jantar de entrega dos prémios.Fernanda Marto acompanhou e ajudou a cimentar o sucesso empresarial do marido, no ramo hoteleiro. Enquanto ele tratava dos negócios ela assumia uma panóplia de tarefas que revelavam uma mulher multifacetada. “Ele trabalhava mais na parte de escritório e eu fazia de tudo um pouco: cozinhava, arrumava quartos, estava na lavandaria”, recorda.Os filhos - duas raparigas e um rapaz (recentemente falecido) - vieram firmar os alicerces da união do casal, mas conciliar o atarefado dia-a-dia no hotel com a vida pessoal nem sempre foi tarefa fácil. Fernanda Marto reconhece que “às vezes os filhos sofriam com isso”. Momentos havia em que se “agarravam à saia da mãe a chorar”, conta. Nestas alturas, e para minimizar o sofrimento das crianças, Fernanda e o marido contavam com o apoio de alguns funcionários “que eram como se fossem da nossa família, e continuam a ser”. Ciente de que nem sempre podiam dar a atenção desejada aos filhos, o casal fazia questão, no entanto, de não abdicar de um conjunto de rotinas familiares, apesar de viverem no hotel. A hora das refeições era sagrada, assim como as férias em família.Depois de longos anos a viver no Hotel Santa Maria, Fernanda Marto quis mudar-se para uma vivenda. “Eu estava um bocado saturada e pedi-lhe para ele fazer uma casa”, recorda. O marido acedeu prontamente ao desejo, mas a vida sofreu nova reviravolta e eis que o casal acabou por não estrear a moradia que Fernanda tanto desejava. Tudo porque os negócios expandiram-se para Lisboa e a mudança para a capital tornou-se inevitável. Fernanda não se mostra angustiada, muito pelo contrário. Em Lisboa continua a viver num hotel, mas procura, tal como sempre fez em Fátima, resguardar um espaço só para a família. Depois de António e Fernanda Marto se mudarem para a capital para acompanhar de perto os novos projectos hoteleiros, coube às duas filhas dar continuidade aos negócios em Fátima, onde tudo começou. Para quem tem no pai - e também mãe - um modelo a seguir, é fácil falar sem hesitações. De ambos, Cristina e Clara herdaram inúmeras competências para os negócios, mas sobretudo a singular capacidade de relacionamento humano. Dizem que António Marto fala mais com o olhar do que por palavras e que é “um pai super-protector, super vaidoso e super orgulhoso das filhas”. Cristina destaca aquele que considera ter sido o principal ensinamento do progenitor. “Ensinou-nos a ser sempre independentes”.

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