
Passear de pasteleira pelas ruas de Benavente
João Melo, de 66 anos, é apenas um dos muitos habitantes de Benavente que circulam pelas ruas da vila em bicicleta. Mostra com orgulho a sua pasteleira verde comprada em 1997. Há um ano reformado, ocupa agora o tempo livre a passear, a encontrar-se com os amigos para dois dedos de conversa e a realizar um ou outro recado a quem precisar. Da vila, conhece praticamente todas as pessoas dos 40 anos para cima. “Se for preciso ainda posso pedir sal ao vizinho”, confessa João Melo que não se imagina a viver em mais lado nenhum. Com mais três irmãos, o pai de João Melo tinha um pequeno pedaço de terreno onde cultivava a maior parte da alimentação que entrava em casa. Embora nunca tenha passado grandes necessidades, começou a trabalhar logo aos 12 anos nos campos agrícolas de Benavente, quando todo o trabalho era ainda realizado à mão. Depois passou por algumas oficinas e nos últimos anos esteve empregado num aviário localizado na Coutada Velha. Durante a tropa esteve na Guerra do Ultramar na Guiné-Bissau. Do estrangeiro conhece também a Líbia onde teve uma experiência de trabalho durante 90 dias. De voz arrastada e mãos calejadas de uma vida dedicada ao trabalho, o que João Melo procura agora é mesmo a paz e sossego. “Às vezes ainda me aborreço do tempo livre que tenho, mas ainda estou saturado do trabalho e quero é descansar”, confessa. É em Benavente, terra do seu coração, que continuará a passear na sua pasteleira verde e a meter conversa com os amigos que for encontrando. Eduarda Sousa

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