uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Empresários de restauração dizem que Festival da Gastronomia divulga cozinha de todas as regiões menos a do Ribatejo

Empresários de restauração dizem que Festival da Gastronomia divulga cozinha de todas as regiões menos a do Ribatejo

Este ano não houve um único restaurante do concelho que representasse Santarém
Convidar vários restaurantes da cidade de Santarém para apresentarem uma especialidade sua no Festival Nacional de Gastronomia e assim divulgar a especialidades do concelho. Esta é a opinião da maioria dos empresários do ramo da restauração de Santarém para dinamizar tanto o festival que anualmente se realiza na cidade como os restaurantes escalabitanos. Os empresários criticam o facto de não haver qualquer ligação com o evento que se realiza na Casa do Campino e sublinham que nos últimos anos são sempre os mesmos restaurantes presentes no festival. “Parece que existe uma elite de restaurantes e só esses é que têm o direito de participar”, afirmam.Nos últimos anos não houve um restaurante que representasse o concelho de Santarém. O único que este ano representou o distrito no festival é do Cartaxo. Quando o Festival da Gastronomia foi criado, há 31 anos, um dos seus objectivos era divulgar a cozinha tradicional escalabitana e os restaurantes da cidade. Ao início a organização do festival ainda convidava algumas casas a estarem presentes mas com o passar dos anos essa ligação com a restauração local foi-se perdendo. “Estão a divulgar a gastronomia de outras regiões que não a de Santarém”, lamenta um empresário. Se em tempos o Festival de Gastronomia servia de “alavanca” à facturação dos restaurantes de Santarém neste momento é um entrave. Os empresários contam os dias para o final para voltarem a ter novamente clientes. O festival teve 13 restaurantes e aproximadamente duas dezenas de expositores de artesanato. Os artesãos e os empresários da restauração queixaram-se dos preços elevados a pagar pelos 17 dias do evento mas, e apesar da crise, quem participa no certame é privilegiado tendo em conta que há muita gente que quer participar.Para entrar no recinto do festival tem que se pagar 2,50 euros mas também há aqueles que fazem da gastronomia a sua sala de refeições durante esses dias e que, provavelmente, têm livre-trânsito para entrar.O Festival de Gastronomia continua a ser uma feira de vaidades de Santarém e os almoços diários no salão nobre da Casa do Campino são famosos pelo tempo que demoram e por um naipe de comensais que quase todos os dias ali marcam presença à conta das regiões de turismo e da organização. O certame ficou famoso noutros tempos e foi durante muitos anos a grande seara de Carlos Abreu que era, ao mesmo tempo, presidente da Região de Turismo de Santarém. Com a chegada de Moita Flores a Santarém, Carlos Abreu perdeu alguma influência mas continua a pairar pelo festival.Já não há enchentes como antigamenteJá lá vai o tempo em que ir jantar à gastronomia ao sábado era uma verdadeira dor de cabeça, com verdadeiras multidões a circularem pelos corredores e filas de espera para conseguirem uma mesa para desfrutar de uma refeição. O MIRANTE visitou o certame no último sábado, 5 de Novembro, à hora de jantar, e andou pelo recinto calmamente sem os apertões de outros tempos. Os restaurantes estão compostos com pessoas a jantar mas é possível ver algumas mesas vazias. Um cenário impensável há uns anos. Um casal que passeia na zona de restaurantes com um carrinho de bebé comenta, surpreendido, que estavam à espera de encontrar mais gente. O funcionário de um dos restaurantes, que prefere não ser identificado, confessa que o trabalho, este ano, tem sido menor. “As pessoas não têm dinheiro, outros têm medo de gastar pelo que lêem na imprensa. O facto de, além de terem que pagar para jantar, terem também de pagar a entrada não ajuda muito. Além disso, a maioria dos empresários da restauração está descontente, e há quem pondere não regressar para o ano, porque tem que pagar muito dinheiro pelo espaço e este ano não consegue ter lucro”, explica.Na última reunião de Câmara de Santarém, o vereador António Valente, que é também vice-presidente do festival, reconheceu que o festival teve uma quebra notória de visitantes relativamente a anos anteriores, cenário que já era esperado pela organização. Disse também que alguns artesãos lamentaram a quebra nas vendas, mas manifestaram interesse em continuar a apostar no festival, que terminou no domingo.
Empresários de restauração dizem que Festival da Gastronomia divulga cozinha de todas as regiões menos a do Ribatejo

Mais Notícias

    A carregar...