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Utilização das piscinas de Samora Correia pelos idosos potencia a contaminação da água

Utilização das piscinas de Samora Correia pelos idosos potencia a contaminação da água

Há quem fale em situações de pouca higiene na utilização do equipamento

O elevado número de utilizadores da piscina municipal de Samora Correia, concelho de Benavente, sobretudo num programa dirigido a idosos, poderá ser uma das causas que levou ao aparecimento de uma bactéria na água e consequentemente ao encerramento durante quatro dias para o tratamento. Funcionários do equipamento falam em situações de pouca higiene na utilização do equipamento.

Edição de 09.11.2011 | Sociedade
Uma colheita realizada no dia 25 de Outubro à piscina municipal de Samora Correia, concelho de Benavente, detectou a presença de Enterococos, uma bactéria que na água pode levar à transmissão de doenças. Só no dia 27 é que chegaram as análises, levando ao encerramento das piscinas por quatro dias para tratamento da água. Esta bactéria é um dos indicadores de contaminação fecal das águas e as probabilidades apontam para que o problema tenha surgido entre os utilizadores mais idosos, até porque os problemas na qualidade da água começam quando se iniciam as actividades das turmas de seniores. Os trabalhadores da piscina de Samora Correia com quem O MIRANTE esteve à conversa estão convencidos que o problema surgiu da turma de idosos do programa “Mexa-se Melhor”, criado pela Câmara Municipal de Benavente. Dedicado aos munícipes com mais de 65 anos, reformados e pensionistas, o projecto arrancou em 2006 em Samora Correia com uma turma de cerca de 30 alunos. Neste momento as aulas de adaptação ao meio aquático e hidroginástica que decorrem nas piscinas às quartas e sextas-feiras de manhã contam já com perto de 130 inscritos, uma situação considerada insustentável. Embora seja no Verão que os indicadores da qualidade de água mais variam, tendo em conta que o público é mais diversificado, esta situação não se verifica na piscina de Samora Correia, como O MIRANTE pode comprovar ao consultar as análises realizadas à água nos últimos meses. Os problemas só começam a surgir em Outubro quando arranca o programa “Mexa-se Melhor”. “No ano passado tivemos um problema semelhante na mesma altura, embora não tenha sido necessário encerrar a piscina”, garantiu um funcionário a O MIRANTE. Muitos dos idosos sofrem de incontinência, pelo que existe o risco de contaminação da água. Para além desta situação, muitos utentes com mais idade também costumam expectorar nas beiras das piscinas. Quer os vigilantes, quer os professores não conseguem controlar todos os utentes. Alguns funcionários advogam que é preciso fazer uma campanha de sensibilização sobre a utilização das piscinas. É comum as funcionárias da limpeza encontrarem utentes das piscinas nos balneários a urinarem nos chuveiros. Pior ainda é quando se deparam também com fezes nos balneários. “Não podemos segregar ninguém, toda a gente deve praticar exercício físico, mas também não temos o direito de colocar em risco a saúde das outras pessoas”, alerta a engenheira sanitarista Vera Noronha, que defende que as aulas para os mais idosos e as crianças devem ser sempre realizadas ao fim do dia. Para além dos idosos, a piscina de Samora Correia ainda é utilizada pelos alunos da escola EB 2,3 de Samora Correia, pelos alunos que vem das Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC’S), e ainda por três colectividades - a Sociedade Filarmónica União Samorense (SFUS), a AREPA e a Academia Gimnodesportiva de Samora Correia (AGISC). Por dia passam pela piscina de Samora mais de 200 utilizadores. “A piscina não possui de momento condições para a prática desportiva. Os nossos atletas nadam todos em cima uns dos outros”, repara o presidente da direcção da AREPA, António Lameiras. Também o presidente da SFUS e vereador da oposição, José da Avô (PSD), confirma que a colectividade envia cerca de duas vezes por semana perto de 160 pessoas. “Este ano lectivo tentamos obter mais pistas para os nossos utilizadores, mas não conseguimos porque as outras também já se encontravam cheias”, garante. Já a presidente da AGISC, Cândida Ramos, diz que semanalmente manda 60 utilizadores para o equipamento. “Não costumamos ter muitos problemas no nosso horário, mas sei que existem determinados períodos com uma sobrecarga excessiva na piscina”, aponta. O vice-presidente da Câmara Municipal de Benavente, Carlos Coutinho, assegura que a capacidade da piscina está dentro dos valores normais e afirma que o crescimento das turmas de idosos é um bom sinal. “O que queremos é que venham ainda mais”, conclui. Embora as piscinas ainda tenham demorado dois dias a encerrar, depois de já existirem Enterococos intestinais na água, não existe registo de qualquer infecção provocada aos utilizadores.Piscinas públicas apresentam sempre variações de indicadoresDevido ao elevado e diversificado número de utilizadores, a água das piscinas públicas está constantemente contaminada. Existem um conjunto de “indicadores” mais comuns relativamente à qualidade da água das piscinas e o respectivo valor máximo admissível. As bactérias que aparecem por vezes nas águas das piscinas podem ser transmitidas pelas fezes, pela pele, secreções nasais ou na expectoração e aparecem na água quando são introduzidas, por vezes inconscientemente, pelos banhistas. Todas as semanas são realizadas análises à água da piscina municipal de Samora Correia e é comum encontrar ligeiras variações dos parâmetros, especialmente de Estafilococos e mais raramente de Pseudomonas. Estes indicadores de higiene não costumam, geralmente, ultrapassar o valor máximo admissível por lei. “Todas as piscinas recebem um público muito diversificado e acontece com alguma frequência que muitos parâmetros estejam acima do recomendado. Se todas as regras fossem escrupulosamente cumpridas então o encerramento de piscinas por alguns dias deixaria de ser notícia”, adverte a engenheira sanitarista Vera Noronha. Para diminuir o número de bactérias nas instalações, as piscinas não devem ter um número superior à sua capacidade máxima e os banhistas devem tomar uma série de precauções. Tomar banho no chuveiro com sabão antes de aceder à piscina e passar antes pelos corredores ou áreas do lava-pés são os dois requisitos principais para evitar a poluição da água. Nas piscinas públicas é obrigatório afixar, em local visível, os resultados das inspecções sanitárias e das análises efectuadas à água de todas as bacias existentes, o que acontece em Samora Correia, onde os resultados podem ser consultados logo à entrada das instalações. Único tanque de compensação facilita propagação das contaminaçõesQuer a piscina de Benavente, quer a de Samora Correia, apresentam um problema de construção. Em ambas as piscinas, só existe um tanque de compensação que serve a piscina dos adultos e das crianças. O constante transbordo da água, o aumento do nível da mesma resultante da entrada de pessoas dentro da piscina fazem com que seja necessário armazenar água temporariamente num tanque auxiliar. Quando a piscina fica sem pessoas, há uma reposição automática. Hoje em dia, as piscinas públicas apresentam um tanque de compensação para a piscina das crianças e outro para o dos adultos. Com um tanque de compensação, se uma piscina estiver contaminada, a outra também é atingida, já que a água que renova ambas vem do mesmo tanque.
Utilização das piscinas de Samora Correia pelos idosos potencia a contaminação da água

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