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Vila Franca quer candidatar festejos taurinos a património imaterial e cultural

Vila Franca quer candidatar festejos taurinos a património imaterial e cultural

Proposta vai gerar polémica entre aficionados e defensores dos animais

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira vai candidatar os festejos taurinos a património imaterial e cultural de Portugal. Um primeiro passo para que seja apresentada a candidatura a património imaterial da humanidade, como aconteceu recentemente com o fado. Os defensores dos animais prometem que não se vão calar.

Edição de 15.02.2012 | Sociedade
Salvaguardar a raiz cultural dos festejos taurinos de todo o país e do Ribatejo é o objectivo da candidatura que a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira vai apresentar este ano para que os festejos taurinos passem a constar no Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial (INPCI) de Portugal. Um primeiro passo para a candidatura a Património Imaterial da Humanidade. O anúncio da candidatura foi feito pela presidente do município, Maria da Luz Rosinha (PS), e já começa a dividir opiniões. De um lado os aficionados aplaudem a iniciativa da autarca, do outro levantam-se as vozes contra das associações de protecção dos animais que prometem não ficar calados nem de braços cruzados face a esta candidatura.“Nós avançaremos com Vila Franca porque temos uma raiz cultural muito forte na área da tauromaquia. Teremos oportunidade de perceber se a poderemos transformar numa candidatura alargada porque falamos nos festejos taurinos, não falamos exclusivamente nos festejos taurinos de Vila Franca”, explica Maria da Luz Rosinha a O MIRANTE. A candidatura nasce de um esforço conjunto com o Clube Taurino Vilafranquense. Depois de apresentada a candidatura esta terá de ser alvo de uma consulta pública e depois analisada por uma comissão para o Património Cultural e Imaterial. O registo no inventário nacional é condição indispensável para se avançar com a candidatura a património cultural e imaterial da humanidade, como aconteceu recentemente com o fado.“Não me assustam as pessoas anti-tourada. Respeito muito quem não gosta da cultura tauromáquica e por isso só espero que os defensores dos animais tenham por mim o mesmo respeito. Se for assim não haverá problemas”, avisa Maria da Luz Rosinha. Mas Rita Silva, da Associação Animal, diz que “não faz qualquer sentido” apresentar uma candidatura como esta e promete que haverá “muito debate” sobre o assunto. Da mesma forma como protestam em frente ao Campo Pequeno nos dias de corrida, será de esperar que a associação faça o mesmo quando a candidatura avançar. O presidente da Câmara Municipal de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), autor de uma petição a favor da festa brava, considera que a candidatura vila-franquense “é uma excelente ideia” que pode dinamizar a festa e a economia local. “Precisamos de estimular os empregos gerados na criação de cavalos e de toiros”, defende. Os defensores dos animais consideram que este é um falso argumento. “É perfeitamente possível reconverter as pessoas que ganham a vida a explorar os animais para as meter a cultivar os campos, que Portugal bem precisa nesta altura”, defende Rita Silva da Animal.Rui Salvador, cavaleiro tauromáquico, considera que os defensores dos animais não serão entrave à candidatura. “São uma minoria que só faz barulho e o que nós queremos é que se fale da tauromaquia”, refere. A ideia até deve ser seguida por outras câmaras municipais, segundo defende João Santos Andrade, presidente da Associação de Criadores de Toiros de Lide “Se vivemos num país livre temos de saber conviver com os que gostam e os que não gostam”, refere a O MIRANTE.
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