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“A organização é o princípio de tudo”

“A organização é o princípio de tudo”

Edição de 29.08.2012 | Três Dimensões
Interrompi o meu trabalho durante dois anos para cuidar da minha mãe. A minha mãe era o pilar da família, uma pessoa extraordinária que me transmitiu muitos valores. Nos últimos dois anos da sua vida resolvi suspender o trabalho para cuidar dela que tinha um problema de saúde. É um dever e uma obrigação que todos deveríamos ter. A sociedade é muito cruel para as pessoas com mais idade. Institui multas para quem tem as secretárias desarrumadas. A organização é o princípio de tudo, mas eu sei que sou excessivamente organizado. Não suporto ver um clip ou uma folha fora do sítio. Na empresa onde estive 22 anos deram-me a alcunha de “nota interno” por ser tão metódico. Os trabalhadores da Benagro têm de deixar as suas secretárias arrumadas antes de saírem, senão pagam uma multa. Em seis anos coloquei a Cooperativa Agrícola Benagro a facturar 12,5 milhões por ano. Saí da empresa onde trabalhei 22 anos porque começou a entrar em dificuldades e acabou por fechar. Na altura surgiu-me o convite para a Benagro. Era uma cooperativa obsoleta, com um volume de facturação anual de dois milhões. Em seis anos passei para 12,5 milhões. Organizei e reestruturei por completo a cooperativa. Queremos igualar as grandes empresas do país. O meu sonho é o de construir agora uma unidade de secagem e armazenagem para o arroz.Ao domingo vou para a sede da cooperativa. Todos os dias entro na Benagro por volta das 9h30 e nunca saio antes das 21h00. No sábado de manhã costumo voltar porque é quando consigo trabalhar melhor, sem telefones a tocar. Às vezes até ao domingo de manhã passo por cá. Tem de se abraçar um projecto totalmente ou então não vale a pena. No máximo tiro dois ou três dias de férias de vez em quando. Se não cuidarmos de uma empresa com cuidado pode num instante desaparecer tudo. Uma semana depois de sair da tropa comecei a carregar sacos de cereais. Estive um ano e meio a cumprir serviço militar em Estremoz. Comecei depois a trabalhar numa empresa de Évora ligada à agricultura. Estive um ano a carregar sacos de cereais às costas. À noite estava tão exausto que jantava e ia logo dormir. O patrão colocou-me depois ao balcão da loja. Foi uma das tarefas que mais gostei de desempenhar. Pouco tempo depois passou-me para os escritórios. Só depois percebi que me estava a preparar para me mudar para a filial que ia abrir em Benavente. Não gosto de ficar sentado e voltei a estudar. Terminei o 12º ano com 34 anos, em Benavente, e preparava-me para tirar Filosofia na Universidade Lusófona, mas não abriram o curso por falta de alunos. Optei pelo curso de Administração Regional e Autárquica na Universidade Independente. Passei momentos muito difíceis. Saía das aulas já depois das 23h00, chegava a casa para jantar e ainda tinha de estudar. Às 8h30 já estava a trabalhar. Estive para desistir.Os partidos são importantes, mas as pessoas são mais. O PS acabou por me convidar para entrar para a política activa e cheguei a ser candidato à Junta de Freguesia de Benavente. Estive quatro anos na assembleia de freguesia. Nas últimas eleições candidatei-me a presidente da mesa da assembleia municipal, mas acabei por perder. Sou deputado pelo PS na assembleia municipal. Não tenho grandes aspirações políticas. O que quero é dar algo de mim e aprender também com os outros. Faço colecção de selos e antiguidades. Tenho um fascínio muito grande pelo Tintim e vou coleccionando também todos os bonecos que aparecem. Passo muito tempo a organizar e arrumar as minhas colecções. Também gosto de ficar sozinho à noite a ver um filme ou a ler um jornal. Leio essencialmente livros de Gestão e História. Nos últimos tempos também me tenho dedicado à pesca que me ajuda a descontrair de toda a semana de trabalho. Quando era criança cuidava da minha irmã, limpava a casa e preparava a açorda para o almoço antes de ir para a escola. Foi uma infância difícil, mas muito feliz. Nasci e cresci na aldeia de Valverde, concelho de Évora. A aldeia tinha uma subida muito íngreme e organizávamos torneios de futebol entre os de cima e os de baixo. No Natal, a minha avó enviava sempre um cesto com bolinhos caseiros, enchidos e pão. Lá dentro vinha também um pai natal de chocolate que a minha mãe tirava para depois nos oferecer como prenda. Eduarda Sousa
“A organização é o princípio de tudo”

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