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No enterro do Entrudo em Samora brilhou uma catequista

No enterro do Entrudo em Samora brilhou uma catequista

Patrícia Pernes, “Pachola”, sabe que “No Carnaval Ninguém Leva a Mal”

Na noite de Quarta-Feira de Cinzas, em Samora Correia, o enterro do Santo Entrudo percorre as ruas da cidade, com padre e sacristão a anunciarem o testamento em verso do defunto. Há cidadãos que participam espontaneamente na grande celebração como acontece há cinco anos com Patrícia Pernes.

Edição de 20.02.2013 | Cultura e Lazer
Samora Correia voltou a despedir-se do Carnaval na Quarta-Feira de Cinzas, 13 de Fevereiro, com o tradicional enterro do Santo Entrudo. Este ano o cortejo fúnebre durou menos tempo e poucos moradores apareceram à janela da sua casa para responder ao testamento do Santo que esteve mais comedido em matéria de asneiredo. Tão comedido que acabou por ser ultrapassado por Patrícia Pernes, uma jovem que durante o ano dá catequese mas que no Entrudo é um verdadeiro diabo à solta. Da varanda de sua casa, envergando um decotado vestido vermelho com uma racha a deixar ver a perna até quase à cintura, óculos de sol e peruca, a catequista deu réplica a condizer com a tradição da terra. Há cinco anos que a jovem de 23 anos, carinhosamente conhecida por “Pachola”, começou por encarnar a picante personagem na noite do enterro e declama os versos mais atrevidos da noite, capazes de levarem um ateu a corar até à raiz dos cabelos. Este ano políticos, alguns moradores conhecidos e até O MIRANTE não escaparam à sua língua afiada. Antes de começar o meu dizerVou já avisar que isto vai doerNesta noite de declamaçõesVou apresentar a minha candidaturaVotem Liliane MariseQue se foda a troikaQue é pior que a ditaduraQuerida FézinhaLá conseguiste chegar a rainhaMas não merecias este convidadoTu ias todo sorridenteE ele mais parecia que tinha o caralho entaladoSamora está cheia de gente gayIsto é um tormentoQue se foda a viúvaE o acompanhamentoGanhão se tu te portas malTu vais sentir dorOlha que ainda levasCom o pau do Joaquim SalvadorJoão Alemão, que encarnou a personagem de “padre” do Santo Entrudo ao longo de mais de 40 anos, lembra-se da primeira vez que Pachola apareceu, era ainda uma adolescente. “Ficamos todos paralisados porque não contávamos. No outro ano já vim preparado, mas sempre respondi dentro dos meus limites e com algum respeito. O padre e o sacristão de agora é que são mais jovens e respondem na mesma moeda”, revela. O “padre” que voltou pelo segundo ano a ser Mário Pereira respondeu assim à “Pachola”:Gosto muito de a ouvir minha amigaPorque tem a língua compridaE para muito deve dar para fazer,Como a viúva está cansadaQue é só chorar e mais nadaVá a menina, a piroca do Santo lamber.As pessoas ligadas à igreja católica a transformação de Patrícia em Liliane Marise é vista com algum incómodo mas com compreensão. “É só no Carnaval. É uma coisa de momento, só daquela noite, não ligamos a isso”, diz-nos uma senhora. “Ela no início nem usava este vestido vermelho, isso só veio mais tarde. O que posso dizer é que nunca lhe ouvimos um palavrão, nem quando era uma menina”, revela uma vizinha. Uma personagem que agrada a uns e desagrada a outros, mas que todos vêm ouvir e é debaixo da sua varanda que se ouvem sempre as maiores gargalhadas. O cortejo fúnebre acompanhado por algumas centenas de pessoas durou pouco mais de hora e meia e notou-se a ausência de muitos moradores que não apareceram para responder ao Santo. Notou-se também a ausência de políticos que em ano de eleições autárquicas não quiseram sujeitar-se a críticas.* Os versos da catequista dedicados a O MIRANTE e a nossa réplica a condizer podem ser vistos em www.omirante.pt
No enterro do Entrudo em Samora brilhou uma catequista

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